Publicado em 14/02/2011 as 12:00am

Asilo se torna caminho de legalização para gays brasileiros

Homossexual, o brasileiro Rômulo Castro entrou com um pedido de asilo nos EUA, e teve o Green Card concedido no ano passado

 

O brasileiro Rômulo Castro está entre milhares de imigrantes que fazem dos seus dramas uma maneira de mudar de vida, e recomeçar suas trajetórias. No caso de Rômulo, que reside em NY, é a única saída para manter a segurança de seu alter-ego, o travesti Fidela Castro, e assegurar que ele não colocará a sua vida em risco. Homossexual, o brasileiro entrou com um pedido de asilo nos EUA, em defesa contra a sua ordem de deportação, e teve o Green Card  concedido no ano passado.

Após anos tentando esconder a sua orientação sexual no Brasil, Rômulo sofreu com um histórico de abuso sexual e muita discriminação, durante a sua juventude. “Eu fui perseguido por ser afeminado, me vestir como menina, e por isso, eu me sentia como um monstro. Aqui, ser gay foi a minha salvação” afirmou ele ao jornal The New York Times. Ele também afirma ter sido estuprado por um tio quando tinha 12 anos, e também ter sido estuprado por dois policiais no Brasil, pouco antes de viajar para os EUA, em 2000.

Alguns requerentes de asilo e grupos de direitos humanos, temem que os homossexuais que procuram asilo possam correr o risco de terem os seus pedidos negados por  não serem ‘gays o suficiente’. "Os juízes e funcionários de imigração estão adicionando um novo obstáculo nos casos de asilo para gays, no qual a homossexualidade de um candidato deve ser socialmente visível", disse Lori Adams, uma advogada da Human Rights First, uma organização sem fins lucrativos, que aconselha as pessoas que buscam asilo com base na sexualidade. "A lógica é que se você não aparentar ser obviamente gay, você pode ir para casa e esconder a sua sexualidade sem precisar se preocupar sobre ser perseguido" completa.

A Citizenship and Immigration Services recebeu 38.000 pedidos de asilo entre outubro de 2009 e Setembro de 2010, mas a agência não controla quantos citaram serem gays ou lésbicas como um argumento. As pessoas podem beneficiar de asilo, se puderem demonstrar a perseguição do passado ou um receio de perseguição futura com base na associação a determinado grupo social.

Imigrantes ilegais que procuram asilo são entrevistados por agentes da imigração, que podem aprovar o seu pedido ou encaminhá-lo a um juiz de imigração. Os aplicantes devem empacotar provas da sua orientação sexual e seu risco de perseguição, bem como depoimentos de parceiros do mesmo sexo ou de relatórios médicos e policiais de abuso. Mas especialistas dizem que a apresentação de provas pode ser difícil para pessoas de lugares como a Arábia Saudita ou Irã onde a homossexualidade é punida com a morte.

Rômulo, que é filho de um pai militar em uma família fundamentalmente católica, disse que foi aconselhado por advogados à não aplicar pro Brasil, devido ao recente ganho de aceitação do país frente à homossexualidade, principalmente pela reputação conquistada por paradas gays, e a participação cada vez mais constante de símbolos gays, como drag queens, em celebrações de carnaval. O brasileiro, que trabalha como massagista terapeuta em Jackson Heights, decidiu mesmo assim aplicar pra a legalização. Em 2009, ele foi para entrevista e teve seu asilo concedido, recebendo o Green Card no último verão.

A ativista comunitária e pesquisadora Ilma Paixão, viveu de perto a perda de um amigo próximo pelo preconceito e discriminação ainda inserido no contexto brasileiro. “Um amigo que eu convivia nos meus primeiros anos nos EUA, e viveu muitos anos no país, resolveu voltar ao Brasil e foi assassinado por ser gay. Ele se sentia livre pra ser ele mesmo aqui na América, e quando chegou ao Brasil não viu motivo pra fingir ser alguém que não é. Mas ele foi vítima da intolerância que assola o nosso país” afirma Ilma, acrescentando que muitas vezes a única saída é aplicar para o asilo. “ Muitos deles tiveram histórico de abuso ou viveram um real situação de risco, e podem estar arriscando suas vidas voltando ao Brasil. É importante que eles corram atrás de seus direitos na justiça e tentam manter a sua segurança nos EUA. Só entendo que não pode virar tendência, ou meio pra se legalizar. Os verdadeiros gays e vítimas de abusos devem ser aqueles que devem ser beneficiados” completa a ativista.

Fonte: (Da redação)