Publicado em 28/02/2011 as 12:00am

Senadora afirma que 'In-State Tuition' é arma para MA sair da crise

O BT entrevistou uma das autoras do novo projeto de 'In-State Tuition', a democrata Sonia Chang-Diaz

Por Marcelo Zicker



Há aproximadamente uma semana, milhares de jovens imigrantes de Massachusetts foram surpreendidos com a notícia de que um projeto de concessão de in-state tuition para indocumentados nas universidades do estado, estaria de volta à pauta de análise entre os legisladores da Commonwealth.  Apresentado pela deputada Alice Wolf (D-Cambridge),e pela senadora Sonia Chang-Diaz, (D-Boston), a iniciativa propõe que aquele jovem que concluiu o high school no estado, e vive há pelo menos 3 anos no país, será elegível para o benefício.

Atualmente, o jovem indocumentado tem que pagar uma tuition classificada como ‘out-of-state’, que pode atingir até o triplo do valor inicial. Além disso, algumas faculdades públicas não fornecem o diploma sem a apresentação de legalidade migratória no país.

Para ativistas e  estudantes, o cenário político é adverso, mas ainda há confiança na passagem da proposta. “ Muitos políticos encaram essa medida como uma ameaça à economia, a oferta de empregos para os norte-americanos, mas temos que convencê-los que é justamente o contrário, vamos estar oferecendo uma mão-de-obra talentosa e que está aqui pra contribuir” afirmou a ativista e presidente da ONG Centro-Presente, Patrícia Montes, ao BT.

Para saber mais acerca da medida, entrevistamos uma das autoras da iniciativa, a senadora Sonia Chang-Diaz, que afirmou que o principal objetivo, muito além de beneficiar os jovens indocumentados, é criar um ‘ incentivo de arrecadação estadual, visto que a educação superior é um mercado que movimenta milhões de dólares’.

Brazilian Times – A proposta de fornecer ‘In-State Tuition’ para indocumentados em Massachusetts tenta há anos passar pelo crivo conservador dos legisladores. A que se deve essa resistência à uma questão já adotada por vários outros estados no país?

Sonia Chang Diaz – O projeto tinha sido apresentado por vários outros colegas do senado anteriormente, mas ainda há um certo receio que a iniciativa gere uma concorrência no mercado de trabalho, argumento que refuto como injustificável. Senadores como Jamie Eldridge, bem como a deputada Alice Wolf, tem trabalhado para tentar conscientizar nossos colegas de que a crise econômica não nos deixou outra alternativa, o projeto é um grande gerador de arrecadação fiscal.

Brazilian Times – Qual foi a sua motivação ao priorizar a iniciativa? Você já conheceu algum jovem que vive o drama de não ter condições de seguir com os seus estudos, devido às atuais restrições?

Sonia Chang Diaz – Eu já tive a oportunidade de escutar muitos deles, e me sensibilizei com a luta que eles travam para dar continuidade aos seus estudos. Alguns trabalham duro e se mantém estudando, outros desistem por causa das imensas dificuldades. É uma triste realidade, que não precisava ser tão dura com pessoas que tem muito que contribuir para o nosso estado, tanto como força intelectual e de trabalho, como também como contribuintes fiscais, pessoas que poderiam estar injetando capital no setor de educação superior, uma arma contra a crise que estamos enfrentando. Eu sou filha de imigrantes costa-riquenhos, meu pai chegou ao país sem conhecimento da língua inglesa, determinado a superar os obstáculos da cultura e do idioma, para seguir trabalhando e investindo na sua educação. Anos depois, ele montou uma empresa de tecnologia que gera dezenas de empregos, dá oportunidade para novos talentos. Enxergo em muitos jovens dessa geração, o potencial e o talento que meu pai teve em construir uma carreira bem-sucedida. Temos que dar a eles, essa oportunidade.

Brazilian Times – Você citou que o projeto pode incentivar a arrecadação fiscal do estado. De que forma isso aconteceria?

Sonia Chang Diaz – Segundo pesquisas, a iniciativa poderia incentivar que o setor recebesse centenas ou até milhares de novos estudantes, movimentando ao menos  $2.5 milhões no setor em tuitions e impostos. Por isso é importante salientar que, apesar de o projeto também ter o objetivo de beneficiar jovens talentos, ele tem o principal objetivo de ser uma arma contra a recessão e cortes no orçamento que estamos enfrentando. A recessão abre um leque de novas oportunidades, nos dá flexibilidade para discutir projetos como esse, que em outro ambiente não seriam aprovados. Por isso, estamos confiantes que o resultado dessa vez possa ser positivo.


Fonte: (Da redação)