Publicado em 2/03/2011 as 12:00am

Ativistas opinam sobre resultado de primeiro encontro em MA

O evento, ocorrido no sábado (26), teve a presença do secretário de Segurança Pública do Estado, John Grossman, que entre justificativas e explicações para a decisão de expandir a iniciativa

 

Ocorreu no último sábado(26), na Biblioteca Pública de Worcester – MA,  o primeiro de uma série de 10 encontros com as comunidades imigrantes, no intuito de responder dúvidas  e esclarecer quanto à expansão do programa Secure Communities em Massachusetts.

O evento, que contou com a presença de várias comunidades imigrantes, como hispânicos, chineses, asiáticos e brasileiros, recebeu a presença do  secretário de Segurança Pública do Estado, John Grossman, que entre justificativas e explicações para a decisão de expandir a iniciativa, também escutou testemunhos de alguns presentes, que faziam apelos para que o governo desistisse de levar o programa à frente.

Para alguns ativistas pró-imigração, os encontros podem se configurar como uma oportunidade para divulgar a insatisfação da comunidade com o fato. “ O Secure Communities não passa de um pretexto para o governo prender e deportar todos os tipos de imigrantes. Não acredito que eles vão seguir a lei da maneira como vem sendo apresentada, será difícil seguir o protocolo do discernimento, porque o brasileiro nunca sabe que tipo de policial vai lhe abordar, cada caso vai dar poderes do oficial de realizar a sua própria interpretação” opina a diretora-executiva do Centro do Imigrante Brasileiro, Natalícia Tracy. A ativista, que esteve presente ao encontro em Worcester, afirma que o encontro deu oportunidade de alguns imigrantes contarem a sua história e darem o seu recado de oposição à medida, mas que os dramas foram minimizados pelo discurso de Grossman. “ Ele tentou afirmar que o pânico era desnecessário e uma ‘tempestade em copo d’água’. Disse que o governo está avaliando possibilidades e que nada foi assinado até agora. Mas a verdade é que se eles assinarem, não teremos escolha, e o meio político terá ainda mais respaldo para assinar outras leis, ainda mais rígidas” revela. Tracy também pontua que esperava uma maior participação dos brasileiros ao encontro. “Tivemos uma boa presença de ativistas e pessoas ligadas à liderança comunitária brasileira, mas poucas pessoas da comunidade. Temos que nos organizar para realizar uma manifestação maior e mais impactante” completa ela, que ressalta que a solução para o medo e o distanciamento da comunidade com a polícia, poderia ter amenização na aprovação de uma ampla Reforma Imigratória.

Organização parceira nos encontros, a Massachusetts Immigrant and Refugee Advocacy Coalition – MIRA, falou por meio de seu Diretor de Comunicações, Frank  Soultz, que os encontros podem suscitar a real urgência em protestar contra o Secure Communities, e que a expansão do programa, pode se configurar um ‘desastre’ na luta a favor dos imigrantes. “ Estamos encorajando as pessoas a darem seu testemunho e comparecem aos encontros afim de protestar contra o programa. Caso seja assinado, ele será um ‘desastre’ para Massachusetts, e toda relação de confiança já conquistada entre a polícia e os imigrantes será destruída. Os encontros justamente vem para fazer as autoridades pensarem duas vezes sobre essa expansão e terem idéia do impacto que vão causar nas comunidades. Se acho que eles irão desistir de assinar ? Talvez, sempre é possível, mas pelo menos vamos fazê-los refletir sobre as conseqüências” afirmou Frank, em entrevista ao BT.

A presidente do Grupo Mulher Brasileira, Heloísa Galvão, também participou da conferência e se disse satisfeita com o resultado do encontro. “ Das 20 pessoas que realizaram o seu testemunho, 4 eram brasileiros, e contamos com uma boa participação da nossa comunidade. Agora é a hora de trabalharmos juntos, dando as mãos para outros imigrantes e defendendo a nossa causa e a oposição ao projeto” diz a ativista. Ela afirma que mais da metade dos imigrantes deportados no projeto piloto em Boston, não tinham antecedentes criminais e a média nacional da aplicação do programa registra 75% de imigrantes deportados, que também não se encaixavam na categoria de criminosos ‘violentos’.

 

Campanha visa pressionar governador a não assinar medida

 

Heloísa e o Grupo Mulher Brasileira iniciaram uma campanha nas últimas semanas, disponibilizando cartões para que os brasileiros escrevam seus testemunhos e pedidos contra a assinatura da medida, que serão entregues diretamente para o governador Deval Patrick. “ Na semana passada, fizemos a entrega de mais de 400 cartões. Precisamos que os brasileiros abracem essa causa, que pode pressionar e sensibilizar o governador acerca da gravidade dessa medida” afirma ela, que revela que os cartões podem ser devolvidos diretamente ao GMB e estão sendo distribuídos em diversos empreendimentos brasileiros e igrejas. Para mais informações ligar no número - (617)787-0557.

Fonte: (Da redação)