Publicado em 14/03/2011 as 12:00am

Encontro reúne conservadores e imigrantes em MA

O evento contou com forte participação de um grupo de conservadores que pediam a assinatura da medida, e levantavam cartazes com mensagens anti-imigrantes

Ocorreu no último sábado(12), no Mass Bay Community College em Framingham -MA,  o segundo encontro com as comunidades imigrantes, no intuito de responder dúvidas  e esclarecer quanto à expansão do programa Secure Communities em Massachusetts.
Contando com a presença de várias comunidades, como hispânicos, asiáticos e brasileiros, o evento também recebeu a presença do  representante da  Secretaria de Segurança Pública do Estado, Curt Wood, do diretor do Escritório de Refugiados e Imigrantes de Massachusetts, Richard Chacon, e do diretor de políticas federais da Massachusetts Immigrant and Refugee Advocacy Coalition – MIRA,Sarang Sekhavat,   que entre justificativas e explicações para a decisão de expandir a iniciativa, também escutaram testemunhos de alguns presentes, que faziam apelos para que o governo desistisse de levar o programa à frente. A conferência também contou com forte participação de um grupo de conservadores, que pediam a assinatura da medida, e levantavam cartazes com mensagens anti-imigrantes.
O encontro se iniciou com uma apresentação breve de Chacon, reafirmando a obrigatoriedade do programa, completando porém que ‘Massachusetts tem uma das mais diversificadas populações do país, e que tudo será implantado para garantir que somente os criminosos serão atingidos pela medida’.  Muitos presentes também tiveram a oportunidade de testemunhar e fazer perguntas aos panelistas, que revezavam entre aqueles que eram a favor e aqueles que eram contra a proposta. Surpreendentemente, muitos americanos falaram ao microfone, demonstrando a sua solidariedade aos imigrantes. “Eu sou orgulhosa de ser americana, de pertencer à Massachusetts, então vamos fazer a coisa certa, não vamos assinar essa lei” afirmou uma das presentes. O espaço também foi dado para que os conservadores falassem e dessem suas opiniões. Um dos manifestantes, que afirmou ser advogado e ter servido às forças armadas, se exaltou ao afirmar que o indivíduo ao permanecer no país ilegalmente, está cometendo um crime federal. “ Só para fins de esclarecimento, a indocumentação não é crime, e sim uma infração civil” rebateu Chacon, em seguida ao depoimento raivoso do americano. O discurso oposicionista se baseou em uma retórica ligada ao cumprimento das leis, não demonstrando nenhuma solidariedade e humanidade com a causa dos imigrantes e com a discussão de consertar o frágil sistema imigratório.
Após o evento, que durou aproximadamente duas horas, a professora de inglês e funcionária da Biblioteca Pública de Framingham, Elin Caldas,  decidiu ir ao encontro de Richard Chacon e fazer uma pergunta que poucos questionavam até aquele momento. “Qual será o custo do programa para o estado e para o governo federal?” perguntou ela, tocando em um ponto pertinente, levando-se em consideração que os estados estão realizando cortes em seus orçamentos para o ano fiscal de 2011. “Ainda não temos esses dados, certamente terá custos pois serão necessários treinamentos em departamentos locais e estaduais de polícia” respondeu ele, surpreendido pela pergunta.
Ao final do encontro, algo parecia estar sem resposta. Entre depoimentos de brasileiros e hispânicos que relatavam os seus dramas, e as afirmações de Wood e Chacon de que a implementação do programa será inevitável, muito pouco se falou em instruir os imigrantes para o pior. “Como vocês vão garantir que a polícia não vai agir com discriminação na aplicação do programa?” perguntou Natalícia Tracy,  diretora-executiva do Centro do Imigrante Brasileiro, ao final do encontro, questionando aquilo que ninguém ainda conseguiu responder com exatidão.

Fonte: (da redação)