Publicado em 18/04/2011 as 12:00am

Palestra na Harvard destaca economia do Brasil

O economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Neri, falou sobre o fenômeno econômico que atinge o Brasil nas últimas décadas, gerando a alcunha de 'nação do futuro' entre especialistas

Por Marcelo Zicker

Em palestra ocorrida na quarta- feira(13), na Harvard Kennedy School, o economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Neri, falou sobre o constante crescimento econômico do Brasil nas últimas décadas, conhecido como ‘boom econômico’, que tem redefinido os padrões sociais do país, e gerado a alcunha de ‘nação do futuro’ entre especialistas.

Com o tema ‘The New Middle Class in Brazil’, a palestra analisou a decrescência das disparidades entre as classes sociais do Brasil, citando um crescimento do PIB per capita em torno de 6,5% em 2010, que foi resultado de uma recuperação econômica desde 2003, e que tem gerado uma distribuição de renda menos desigual, embora o país ainda seja um dos líderes em desigualdade social. “ Ao longo da última década, essa desigualdade tem diminuído de forma constante. Entre 2001 e 2009, os pobres tiveram aumentos de renda maiores em comparação os ricos do país” afirmou ele, mostrando um gráfico colocando a região nordeste como uma das que mais desenvolveu a distribuição de renda nos últimos 10 anos.  Os níveis de desigualdade são apontados como os menores desde 1960, e o Brasil tem a sétima maior economia do mundo.

Em um dos mais surpreendentes momentos da palestra do economista, ele  apresentou um gráfico que mostra a evolução das classes sociais de num período de quase 20 anos. No ano de 1992, as classes D e E (a porção mais pobre da população), representavam 62,2% do país, enquanto as classes A,B e C( classe média e classe rica) eram apenas 37,9%.  De 2005 até 2009, ouve uma inversão de posições, onde as classes A,B e C conquistaram novas famílias, atingindo 61,1% da população contra 38,9% das classes D e E. O fenômeno gerou o que Marcelo Neri chama de a ‘nova classe média brasileira’, que correspondem à 50,5% da população brasileira atual.

A repercussão do bom momento econômico também atingiu o setor formal de trabalho, que praticamente triplicou as contratações anuais com carteira assinada entre 2000 ( 657.000) e 2010 ( 1.954.531) , mesmo com os penosos encargos trabalhistas, que ainda atingem o setor.

As constatações também apontam para alguns dos problemas que ainda configuram barreiras para um avanço ainda mais amplo. Embora o nível de educação tenha melhorado no mesmo período, o sistema educacional ainda conta com muitas deficiências, criando-se uma alta demanda sobre a mão-de-obra qualificada que tem atingido diversos setores da sociedade. Embora programas como o Bolsa- Família( e seu predecessor Bolsa-Escola) tenham um viés de incentivo à educação, o setor público educacional ainda sofre com má qualidade de ensino e falta de infraestrutura. Tais programas porém, são apontados por serem os responsáveis por 66% da redução da desigualdade social do país nos últimos anos.

Neri aponta a crescente inflação, a informalidade e os padróes regulatórios da economia, como os principais problemas para o Brasil seguir nesse espectro de prosperidade. “ O Brasil ainda enfrenta muitos obstáculos, como um frágil sistema público de educação e um sistema de crédito ainda pouco organizado e acessível, mas está no caminho certo. Não importa os nível desses fatores de crescimento, mas como eles vão continuar desenvolvendo ao longo dos próximos anos. O Brasil pode avançar verticalmente se tomar os caminhos corretos em meio à esse arsenal de possibilidades” afirma Neri, em seu estudo, chamado The New Middle Class In Brazil : The Bright Side of The Poor.


Fonte: (da redação)