Publicado em 25/04/2011 as 12:00am

Revista Época critica duramente o CRBE

Uma das revistas mais de maior circulação e respeitada no Brasil chama o CRBE de "Um conselho desaconselhável"

A Revista Época, uma das maiores revistas semanais publicadas no Brasil e fundada pela editora Globo, dedicou algumas de suas páginas para analisar o Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior – CRBE. A matéria inicia comentando a foto em que todos os membros estavam cercando o ex-presidente Lula. “Todos (titulares e suplentes) sorriem e depois iniciam uma sequência de brigas que vão do tipo de passagem aérea (paga pelo Governo) que cada um tem direito, para ir ao Brasil até a prerrogativa de ter ou não passaporte diplomático”.

A revista teve acesso à uma lista de e-mails trocados entre os membros do conselho e pouco se fala de benefícios para a comunidade. Eles discutem mais assuntos pessoais, até mesmo se o cartão de visitas deve ter ou não um versículo bíblico.

O CRBRE foi criado com o objetivo de assessora o Itamaraty em assuntos de interesse dos brasileiros que vivem no exterior, mas já se passaram quatro meses desde que os membros foram empossados como titulares e suplentes e até agora, conforme a revista, o que existe é um jogo de egocentrismo.

Apesar de ter sido criado pelo Governo Brasileiro, nenhum conselheiro está vinculado oficialmente ao Itamaraty. O CRBE funciona como uma espécie de associação de bairro, com um diferencial – as despesas são pagas pelo Poder Público.

A revista ressalta que foram justamente estes gastos que deram início às contendas entre eles. Por determinação os conselheiros teriam direito a passagens aéreas equiparadas às dos funcionários públicos DAS-4. Isso significa que qualquer viagem que forem fazer, à convite do Governo, que durem mais oito horas, devem ser custeados pelos cofres públicos (passagem executiva).

Foi então que um dos suplentes sugeriu que os titulares abrissem mão da executiva, assim todos poderiam viajar em classe econômica e desta forma o Governo teria como arcar as passagens dos suplentes para que eles pudessem colaborar na reunião. Isso gerou um bate-boca entre eles e um dos titulares chegou a escrever no email: “não abro mão da categoria DAS-4 e de viajar em classe executiva”. Ele continuou o seu email afirmando que “suplentes que quiserem participar da reunião são bem-vindos, mas como meros observadores”.

Outro titular falou que tem problemas de desvio na coluna para justificar ter que viajar com mais conforto. Foi então que o Itamaraty decidiu que somente os titulares terão as despesas de viagem pagas, mas em classe econômica.

Mas esta discussão, conforme registra a revista, gerou um racha entre os titulares e suplentes, que deveria estarem trabalhando unidos na luta por benefícios da comunidade brasileira no exterior. Mas ao invés disso, eles estão se atacando com palavras e acusações.

Outro assunto q               eu gerou polêmica foi o pedido da titular Ester Sanchez-Naek, que deu a idéia de que o Governo Brasileiro deveria ceder passaportes diplomáticos para os membros do Conselho. Mais uma vez, o CRBER inicia uma discussão em benefício próprio, pois tal documento é fornecido apenas para o presidente, vice, ministros, parlamentares e altas autoridades. Ter este passaporte é poder gozar de regalias tais como ter acesso à fila de entrada separada em aeroportos.

O pedido foi encaminhado ao Itamaraty, mas em janeiro as regras que regem a liberação deste documento foram mudadas, devido ao fato de que alguns parentes de Lula (filhos e netos) tiveram acesso ao passaporte especial. Mas quando esta história vazou para os suplentes, logo iniciou mais uma briga de egos e os titulares foram acusados de estarem se aproveitando do cargo para conseguir privilégios.

A revista questionou o presidente do CRBE, Carlos Shinoda, sobre o que o Conselho já realizou, além destas discussões. Ele respondeu que “as atividades da entidade foram além do que estava previsto”, mas não deu nenhum exemplo concreto.

Fonte: (da redação)