Publicado em 29/04/2011 as 12:00am

Reunião do Secure Communities gera tensão em MA

A tensão e os ânimos esquentados marcaram a realização do penúltimo encontro para discutir o Secure Communities. O quinto evento, que foi promovido na High School de Chelsea ?MA na quinta-feira(28),

A tensão e os ânimos esquentados marcaram a realização do penúltimo encontro para discutir o Secure Communities. O quinto evento, que foi promovido na High School de Chelsea –MA na quinta-feira(28), contou com grande participação de ativistas a favor dos imigrantes, que testemunharam contra a implementação do programa e a favor dos indocumentados.

Entre as autoridades estaduais, estiveram presentes a secretária de Segurança Pública do Estado de Massachussets, Mary Elizabeth Heffernan, e o sub-secretário de Segurança Pública, Kurt Wood, que esclareceram sobre o programa e tiraram dúvidas dos presentes. O encontro surpreendeu pelo pequeno número de ativistas anti-imigração que, acuados, pouco se manifestaram diante das centenas de imigrantes que compareceram à escola em Chelsea.  O discurso de obrigatoriedade da assinatura foi novamente colocado em pauta por Heffernan e Wood, que tiveram que contornar um ambiente de tensão no momento dos testemunhos. “O que será desse país sem os imigrantes que trabalham duro para levar esse país à                frente?” disse uma imigrante de origem hispânica. “Sou hispânico, e também cidadão americano. Já sofro com discriminação por ter essa feição, e sei o que vocês vão sofrer” afirmou outro participante.

Apesar de um grande público presente, o número de brasileiros foi considerado pequeno. “ Estou realmente decepcionado com a comunidade brasileira. Chamei vários amigos e nenhum deles compareceu. Eles querem documentos mas não correm atrás” disse o mineiro Adenilson dos Santos, que reside em Somerville há 8 anos. “ O EUA é o meu sonho que virou pesadelo. Se antes a gente já tinha medo, agora que não vamos confiar na polícia mesmo. Essa lei  vai dar ainda mais chance de os indocumentados serem chantageados por aqueles que estão legais, porque eles sabem que teremos medo de denunciar” completa o brasileiro, que esteve presente com outros dois amigos. “ Se eu precisar da polícia um dia, vou pensar duas vezes antes de ligar. Estou até pensando em voltar pro Brasil se essa lei for mesmo assinada” afirma Maciel de Souza, que mora em Melrose e trabalha com construção.

Segundo dados do governo estadual, os encontros já receberam mais de mil presentes, que puderam demonstrar a sua opinião acerca do Secure Communities. Os encontros anteriores, ocorridos em Worcester, Framingham , Lawrence e Waltham, contaram com forte participação de ativistas em prol e contra o programa. Durante o encontro em Waltham, foi anunciado que apenas dois outros encontros seriam organizados. “ Os encontros tem se mostrado incrivelmente úteis no fornecimento de informações sobre o programa, e se configurado um espaço aberto para um diálogo com os diferentes envolvidos na proposta, que estão interessados em dividir suas opiniões e pensamentos sobre a implementação do Secure Communities pela Federal Immigration and Customs Enforcement (ICE)” afirmou a secretária do Escritório de Segurança Pública. “Consolidamos o restantes das reuniões em dois encontros finais para garantir que os nossos recursos serão utilizados de forma eficiente enquanto oferecemos as melhores oportunidades para que a comunidade compareça à esses encontros e troquem suas opiniões”  completou ela, ao confirmar o cancelamento dos encontros que aconteceriam em Lowell, New Bedford, Springfield e Boston.

O anúncio do cancelamento dos encontros não foi bem recebido por ativistas e organizações pró-imigrantes. O Grupo Mulher Brasileira lançou um comunicado condenando a medida. “A melhor forma da administração Patrick lidar com sua preocupação com segurança é declinar  de implementar o programa Comunidades Seguras,” disse Heloisa Maria Galvão, Diretora-Executiva do GMB. “O tom acrimonioso de alguns durante as reuniões é o que os imigrantes enfrentam todos os dias. Isto nos entristece, mas não nos assusta e a administração Patrick não deve se deixar amedrontar nem deve tentar nos calar” afirmou a ativista. “O Grupo Mulher Brasileira apela ao governador para não implementar este programa federal, o qual vai levar nosso povo mais ainda a viver escondido e silencioso. E convida toda a comunidade brasileira a juntar-se ao Grupo Mulher Brasileira nas duas últimas audiências públicas. Mais do que nunca, o Governador Deval Patrick precisa ouvir a nossa voz”  completou Heloísa.  A próxima reunião será em Brockton, no dia 12 de Maio, com local a definir.

Fonte: (da redação)