Publicado em 6/05/2011 as 12:00am

BAUA presta ajuda a pais em Newark/NJ

A BAUA - Brazilian American United Association, distribuiu refeições aos brasileiros que fizeram filas pela segunda vez em escola da cidade, na ânsia de não perder a matrícula dos filhos

Com diversos problemas econômicos e administrativos, a cidade de Newark foi o palco para uma demonstração de desespero e agonia por parte de pais de crianças brasileiras, que dormiram em frente à uma escola da cidade na última semana, no intuito de realizar a matrícula dos filhos. A BAUA - Brazilian American United Association,  atuou na assistência às famílias que fizeram filas e montaram barracas em frente ao estabelecimento mais uma vez, distribuindo refeições aos brasileiros.

O fato é consequência de um momento difícil para a economia da cidade. Os impostos prediais sofreram aumentos absurdos nos últimos anos para os habitantes da cidade de Newark-NJ. Este fato faria crer que isto implicaria também numa melhoria da qualidade de vida das pessoas que nesta cidade habitam. No entanto, não é isto que se vê. Aumentou a criminalidade na cidade e algumas ruas dos bairros estão em estado de completo abandono.

A escassez de escolas para atender a população é outra causa visível. Pela segunda vez consecutiva, na noite da segunda-feira (2),  67 pessoas de várias nacionalidades passaram a noite ao relento, na esperança de matricular seus filhos numa pré-escola do Ironbound. Alarmados com a possibilidade de não conseguirem vagas para suas crianças, eles enfrentaram o frio para terem acesso a uma senha que lhes dessem o direito básico de qualquer cidadão, que é poder oferecer educação às suas crianças. Vários brasileiros estavam nesta fila e alguns foram bem-sucedidos. Quem não se sujeitou a passar a noite inteira ao relento, terá que buscar outras opções para que seus filhos estudem no próximo semestre. Fernanda Mariana saiu do seu trabalho e passou a noite enfrentando o frio e o medo de não conseguir vaga para sua filha Nicolle, de cinco anos. Segunda Fernanda, ela chegou às seis da tarde de domingo. “Já havia uma fila com vários pais, minha senha era número trinta e dois e fiquei morrendo de medo de não conseguir uma vaga, pois corria o boato que apenas trinta vagas estavam disponíveis", conta. Fernanda ficou decepcionada com a experiência, pois jamais pensou que fosse passar por situação semelhante vivendo nos EUA, naquela que é considerada a primeira economia do mundo."No Brasil, a gente até entende. Mas não aqui na America" analisa ela que, que apesar do sacrifício, mostrou-se satisfeita por conseguir matricular sua filha Nicolle.

 

Outro brasileiro que se mostrou bastante desapontado com o sacrifício foi o trabalhador Eduardo Soares, que conseguiu matricular a filha Lana, com a senha de número 34. "Foi uma terrível experiência que ele passou nos Estados Unidos na luta por uma educação melhor para sua filha.Nesse país, se você não levar os filhos nas escolas, você pode correr o risco de ser preso” revela ele. Eduardo faz um apelo às autoridades competentes que construam novas escolas no bairro, em vez de permitir que várias imobiliárias construam casas sem fazer um levantamento sobre a educação. Para permanecer a noite inteira, ele levou cobertor, uma cadeira de praia, um aparelho de MP3 e alguns jornais brasileiros na tentativa de ocupar-se durante a longa espera pelo amanhecer.

Eduardo e os demais elogiaram o espírito de solidariedade do presidente da Assembléia Geral da BAUA,que conseguiu o apoio da Igreja Luterana do pastor Moacyr e da pastora Maristela da Igreja da Cinco Esquina. A iniciativa também contou com o apoio do padre Kals Saint Jemes, Brasilia restaurante, Brasilia Grill, Pic-Nic restaurante, Rio Lounge Night Club, Altas Horas, Teixeira Bakery e a todos aqueles que colaboraram para organizar o café da manhã para os pais dos alunos.   

 

Fonte: (da redação)