Publicado em 1/06/2011 as 12:00am

Brasileiro conta como tornado devastou cidade em Missouri

Rafael Silva mora em cidade no Missouri e se ofereceu para ajudar vítimas. 'O tornado tocou o chão a 500 metros de onde eu trabalho', conta.

O mineiro Rafael Silva, de 26 anos, é estudante de comércio exterior na Missouri Southern State University, em Joplin, e contou a um portal de notícias no Brasil, como foi vivenciar o tornado que devastou a cidade no domingo (22), deixando ao menos 116 mortos, segundo autoridades.

Natural de Brasópolis, em Minas Gerais, Rafael se mudou para os Estados Unidos em 2007, e há dois anos vive em Joplin. Ele estava trabalhando no campus da universidade quando o tornado atingiu a cidade, que tem cerca de 50 mil habitantes.

"Quando o tornado tocou o chão, estava mais ou menos a uns 400 ou 500 metros de onde eu trabalho. Aí foi assutador, porque você não sabe a direção que ele vai tomar. Felizmente, ele foi para o outro lado", conta ele ao portal G1. Ele explica que ficou sabendo da área onde o tornado tocou o chão porque uma colega recebeu a informação por mensagem no celular.

Rafael lembra que as sirenes de alerta começaram a soar por volta de 17h30 no horário local. "Ficamos assustados, mas como sempre toca o alarme você nunca imagina o que vai acontecer realmente. Quando as luzes começaram a piscar, olhei lá fora e vi que metade do céu estava preto e a outra metade, clara. Pensei: 'isso não é normal'", afirma.

Ele e outros funcionários se dirigiram ao abrigo do edifício em que estavam, e só saíram de lá por volta de 18h30.

"Depois fui com outro amigo brasileiro tentar chegar ao local [mais devastado] e ver se precisavam de ajuda, mas estava muito trânsito. Estava ficando escuro porque desligaram a eletricidade da cidade pra nao correr risco de explosão. O cheiro de gás estava muito forte por lá", relata o estudante. "O [supermercado] Wal-Mart em que eu fazia compras, a cerca de 1,6 km do meu trabalho, ficou completamente destruído."

Voluntários
No dia seguinte, o brasileiro chegou a ajudar como voluntário na universidade, que montou um acampamento em um ginásio para receber os desabrigados. "Hoje de manhã eu estava ajudando a inscrever mais pessoas que querem ser voluntários e também recebendo telefonemas, [há] muitas pessoas ligando pra saber dos parentes", afirma.

"Está todo mundo envolvido, muita gente está vindo também de outras cidades para ajudar, comprando comida, água, e levando para as famílias", relata. Segundo ele, as aulas da universidade que estavam programadas para voltar nesta segunda (23) foram adiadas por conta da tragédia.

Destruição em um minuto
Rafael contou também do relato que ouviu na noite de domingo, ao passar em um comércio local com o amigo brasileiro. "Um homem falou que, quando aconteceu, ele pegou a família toda e foi para o banheiro da casa. E da casa inteira, só o banheiro não foi destruído. Ele disse que foi muito rápido, em questão de um minuto a casa estava toda destruída", relata.

Fonte: (G1.COM.BR)