Publicado em 1/06/2011 as 12:00am

Brasileiro recebe cidadania norte-americana em missão

Há poucas semanas, o brasileiro Rafael Santos, que serve às Forças Armadas dos EUA, foi agraciado com a notícia de que já estaria elegível para a cidadania mesmo estando em serviço, em missão no Afeganistão.

Há poucas semanas, o brasileiro Rafael Santos, que serve às Forças Armadas dos EUA, foi agraciado com a notícia de que já estaria elegível para a cidadania mesmo estando em serviço, em missão no Afeganistão.

Soldado da Guarda Nacional de Massachusetts, e membro do setor de Infantaria, ele recentemente prestou o exame de cidadania e realizou a cerimônia de ‘jurar a bandeira’ no próprio Afeganistão, juntamente com outros 75 outros imigrantes que servem ao exército americano.

Vivendo há 10 anos nos EUA, Rafael se mudou para o país com os seus país, que buscavam um futuro melhor para a família e para o pequeno brasileiro, que vive em Marlbourough – MA. Juntamente com ele, também está em missão military, o seu primo, Marcelo Gomes, que também reside em Massachusetts.

Normalmente, para se tornar elegível para a naturalização, o candidato deve  estar nos EUA com status de residência permanente ( Green Card) por pelo menos 3 ou 5 anos, mas membros do exército tem esse tempo reduzido para um ano ou até menos.

Caso realizem alguma ação de deshonra durante as atividades militares, a cidadania pode ser revogada se todo o processo de cidadania não tiver sido concluído, pela ausência do aplicante em realizar os procedimentos finais no país.  Ele ainda deve realizar testes de conhecimento acerca do governo norte-americano e passar por uma entrevista em um escritório da Imigração. “ Eu estava um pouco nervoso porque não sabia exatamente o que esperar dessa missão, mas o povo afegão é realmente muito hospitaleiro e bacana” afirmou o brasileiro ao website oficial do Exército americano. “ Eu estudei as questões do teste ( de cidadania) mas achei ele bem fácil. Eu já sabia boa parte das perguntas do meu conhecimento de faculdade. Estou muito feliz por estar aqui servindo o meu outro país” completou ele, durante cerimônia.

Rafael, que estuda Administração e Contabilidade, estava há 3 anos na faculdade quando ele foi convocado a servir no Afeganistão.

Soldado brasileiro relata experiência no país

Em série de reportagens veiculadas em 2009, o BT retratou a trajetória de alguns dos destaques tupiniquins dentro da Guarda Nacional Norte-Americana e acendeu a luz sobre as vantagens de se vestir a farda do país. Na semana passada, foi a vez de  Antônio Júnior Alves Caiado, 28 anos, que há 8 meses está no Afeganistão atuando na área de logística e segurança do campo de concentração. Ele falou à nossa equipe de reportagem da experiência de tentar reconquistar a ordem no país e das principais dificuldades impostas pelo pós-guerra.

Natural de Goiânia, Antônio desembarcou há 6 anos em Boston - MA, com o intuito de completar um curso de inglês, e viajar para a Austrália, em seguida. “Eu tinha uma carreira estabilizada no setor administrativo do Tribunal Regional Federal, mas tinha a intenção de morar alguns anos na Austrália. Ao chegar nos EUA,  eu gostei muito da experiência e resolvi ficar de vez” afirma ele, que atrelado aos estudos, também atuava numa empresa de entrega de produtos congelados, em Taunton – MA. Quando conseguiu o Green Card, o goiano foi persuadido por amigos a aplicar para o exército. “Eu sempre fui fascinado com a carreira militar, tentei várias vezes no Brasil, mas nunca fui chamado” afirma ele, que depois de um dia após o contrato assinado com o U.S Army, aplicou para a cidadania. “Foi um processo bem rápido. Nem precisei ir muito longe, após um dia como militar, meu processo já estava em andamento” relata ele. 

Na função de Chemical, Biological, Radiological, Nuclear and High Yield Explosive (CBRNE) Specialist, ele atua dentro do campo de concentração, na logística de entrada e saída de mantimentos e equipamentos aos soldados, verificando riscos e periculosidade das entregas.  “ Também faço patrulha nas ruas, e tenho contato direto com os nativos. É triste ver como o país está devastado e caótico, não tanto pela invasão, mas sim pela administração do governo afegão. Falta estrutura de abastecimento de água potável, de tecnologia, de oportunidade para uma qualidade de vida mínima. Já vi crianças brigando por uma garrafa de água, por um pedaço de pão. Embora triste, nos dá incentivo para querer trabalhar para mudar esse país” testemunha ele, em entrevista realizada por telefone. Sobre quando os EUA planejam a retirada das tropas, ele é enfático. “ Não temos acesso a essas informações e temos uma grande preocupação de que o governo talibã volte a dominar o país. Segundo pesquisas com os próprios afegãos, 95% deles acredita que o talibã voltará ao poder caso as tropas de coalizão deixem o país” revela ele, salientando que várias partes do Afeganistão ainda são dominadas pelo regime ditatorial.

Fonte: (da redação)