Publicado em 6/06/2011 as 12:00am

O que os americanos acham sobre a reforma imigratória

O que os americanos acham sobre a reforma imigratória

Por Murilo Silva


Um dos princípios básicos de qualquer reportagem jornalística é o de ouvir todos os lados de uma questão. Essa pluralidade de opiniões, tem o objetivo de despertar nos leitores a reflexão, para que ele possa formar sua opinião sobre determinado tema com base no máximo de informações úteis possíveis, e assim gerar uma consciência crítica em prol de uma sociedade mais justa.

Com este objetivo, a reportagem do Brazilian Times saiu às ruas para ouvir o que os americanos pensam sobre a reforma imigratória. Por se tratar de um jornal voltado para uma comunidade imigrante, nossa reportagem teve dificuldades para encontrar americanos dispostos a realmente falar contra a reforma imigratória, mas depois de muito procurar, conseguimos encontrar um americano politizado e culturalmente preparado para opinar, que defendeu com muita veemência seus anti-imigrantes pontos de vista. Já entrevistar americanos à favor da reforma foi muito mais fácil.

“Sou radicalmente contra a imigração ilegal”

A frase, dita com sinceridade, é de autoria de Steven Wildfewer, empresário, 42 anos, morador de Worcester(MA). Seu raciocínio parte do princípio de que nenhum país do mundo tem uma lei que permite que uma pessoa atravesse ilegalmente suas fronteiras e ali se estabeleça para trabalhar e viver sem nenhum tipo de documento, nem mesmo o Brasil. Então, segundo sua ótica, porque os Estados Unidos da América devem aceitar o que nenhum país aceitaria? Ele acha que quem entrou irregularmente no país deve ser retirado imediatamente, através da pura e simples aplicação da lei. Para ele, o próprio nome ilegal já diz que é contra a lei. Ele acha inconcebível que seja possível a um indocumentado conseguir emprego ou alugar uma moradia, e que isto somente ocorre porque os EUA tem muitas falhas em seu governo. Mas por outro lado, ele tem percebido que cada dia está mais difícil para o imigrante ter uma vida de qualidade no país.

Steven relembra que quando era jovem, pagou sua faculdade com trabalhos de verão, e que naquela época, que não está assim tão distante, era super fácil para um jovem americano conseguir um emprego de verão, e que hoje, por causa da mão de obra imigrante, os jovens não tem mais a mesma facilidade que ele teve para consegui-los, comuns na sua época. Outro ponto que ele acha importante ressaltar, é que ao passar por Framingham, é fácil reconhecer a cidade como um reduto de imigrantes, e que ao ver casas de várias famílias, onde ele sabe que certamente moram imigrantes ilegais, os carros estacionados nas portas são sempre carrões caros, que somente americanos com alto poder aquisitivo comprariam. Ele alega que isto ocorre porque os imigrantes não pagam impostos, e com isso podem gastar mais do que os americanos.

Para Steven alguma coisa está muito errada, e que ele não tem nada contra os imigrantes legais, aqueles que, assim como seus avós vieram para cá dentro da lei, e aqui se estabeleceram para morar, e não somente para ganhar dinheiro e enviar para seu país de origem. Ele alega que ninguém gostaria que, em seu país de origem, tivessem moradores somente para tirar proveito e não dar nada em troca, chupar o suco da laranja e deixar somente o bagaço para trás. Ele afirma que não é contra nenhuma etnia ou religião, mas ele defende que a lei seja aplicada. Quem quiser vir para os EUA tem que o fazer de maneira legal, afirma Steven.

Totalmente contra qualquer tipo de anistia para os ilegais, Steven acha que se isto acontecer o país não conseguirá segurar milhares de novos imigrantes. Ele acha que podem até existir exceções, como no caso de crianças que foram trazidas por seus pais e não sabiam que estavam cometendo um ato ilícito. E ainda para casos especiais de pessoas que estão aqui vivendo inseridos na comunidade. Mas para haver qualquer perdão nestes grupos, é preciso estipular não só o pagamento de uma pesada multa (Ele acha $ 3,000, pouco), mas também a contrapartida de trabalhos voluntários para o país ou mesmo o serviço militar, o que demonstraria a vontade do imigrante de realmente se tornar cidadão americano. Falar inglês para ele, então, é mais do que obrigatório para quem quer viver legalmente nos Estados Unidos.

Ao ser solicitado para fazer uma fotografia para a ilustração da reportagem, Steven recusou de forma absoluta, alegando que tem muitos clientes que são brasileiros, e que poderiam não compreender seus pontos de vista, prejudicando seus negócios.

A juventude é mais flexível com relação ao tema

Para Carl Buccella, 20 anos, morador de Framingham(MA), não deveria mesmo existir imigrantes ilegais, mas sim uma lei que possibilitasse a todos se tornarem legais, mas mesmo assim tem que haver controle das fronteiras para que não continue entrados pessoas ilegalmente no país. Ele acha que tem que ter uma anistia para quem já está aqui, mas que o tema não é muito importante para ele, que tem vários amigos imigrantes e nunca perguntou se eles estão no país legalmente.

O problema da reforma imigratória também não preocupa Jillian Lashua, 22 anos, moradora de Ashland(MA). Ela acha que o problema não afeta a ela e por isso não dá muita atenção, até porque ela acha que resolver os problemas da economia e do emprego são muito mais importantes para ela, que tem uma filha pequena e está preocupada em garantir uma boa educação para ela. Jill disse ter muitos amigos imigrantes de diferente nacionalidades, tais como: Brasileiros, Salvadorenhos, Guatemaltecos entre outros, e que os conheceu na escola, no trabalho e em festas, e que adora imigrantes, não importando se estão legais ou não no país.

 O tema da reforma imigratória é bastante complexo também para os americanos, mas ao contrário do que acontece para os imigrantes, não é prioritário, o que empurra a discussão para um segundo plano nada interessante para nossa comunidade. Diante deste quadro, cabe a cada indocumentado continuar tendo paciência e aguardar uma possível solução o mais breve possível.

Fonte: (da redação)