Publicado em 13/07/2011 as 12:00am

Casal mantinha brasileira como escrava na Califórnia

Giuseppe e a esposa Késia Penzato alegam inocência e enfrentarão uma audiência no dia 25 de julho

Um funcionário administrativo do Consulado italiano na Califórnia e sua esposa foram presos sob a acusação de estarem mantendo uma brasileira em regime de escravidão. Giuseppe Penzato, 55 anos, e Késia Penzato (também brasileira), 33, foram detidos no início do mês e segundo informações, eles obrigavam a vítima a fazer serviços domésticos e recolheram o passaporte dela.

Em uma nota explicando o caso, a agente especial do Immigration and Customs Enforcement – ICE, Melissa Saurwein, o casal havia atraído a brasileira para os Estados Unidos em 2009 com promessas de serviços domésticos. “Mas depois que ela chegou ao país e se encontrou com os dois, foi abusada tanto física quanto verbalmente”, acrescenta salientando que eles não a pagavam conforme o valor combinado anteriormente. Giuseppe usou sua influência para conseguir um visto para empregada doméstica.

Conforme as investigações levantadas, a brasileira trabalhava em média de 60 horas semanais e o combinado era que esta carga horária não seria superior a 35.

A brasileira era controlada em todos os seus atos e até quando saia de casa, alguém a acompanhava. O nome dela não foi revelado , mas segundo consta nos relatórios, ela entrou com uma ação semelhante utilizando o nome de Jane Doe.

O casal alega que é vítima de uma “armação maquiavélica” da brasileira e que jamais a manteve sob cativeiro e que o único objetivo dela é ganhar cidadania norte-americana nem que isso custe prejuízos à vida de terceiros. Eles negam as acusações e estão recebendo um forte apoio do governo italiano.

Os acusados foram colocados em liberdade após o pagamento da fiança estipulada em US$250 mil (pouco mais de R$ 390 mil). Caso eles venham ser condenados podem pegar até 20 anos de prisão. Os dois terão uma nova audiência no dia 28 de julho, mas um advogado do casal afirmou que eles não assumirão a culpa por um crime que não cometeram.

História

Um investigador explicou como tudo começou e segundo ele relata, Késia havia encontrado a amiga de infância do Brasil (a vítima), através de um site relacionamento, em dezembro de 2008. Durante as trocas de informações, ela alegou que sua vida havia melhorado depois que se mudou para os Estados Unidos. Morava em um bairro de São Francisco e casara-se com um italiano bem empregado no Governo da Itália.

Já a história da amiga não estava tão boa, pois ela havia se separado do marido, à beira de perder o emprego e plano de saúde no Brasil. Foi então que Késia a convidou para se mudar para os Estados Unidos e trabalhar para ela como faxineira por um salário de US$1,500.00 por mês, com direito a alojamento gratuito.

De início, os planos era para a brasileira conseguir dinheiro e tentar fazer algum curso, entre eles enfermagem, e conseguir um emprego melhor para ajudar sua família. O visto de empregada doméstica foi liberado com facilidade, devido à influência de Giuseppe. Os serviços na casa do casal foram iniciados em agosto de 2009.

Três meses depois, a brasileira conta que fugiu da casa com suas roupas em um saco de lixo e relatou o sofrimento que passou nas mãos dos dois. Ela conta que foi abusado verbal, física e sexualmente.

O processo contra o casal iniciou no início de 2010, onde consta, também, que a brasileira tinha que pagar pela comida na casa e que sofreu agressões físicas por parte de Késia pelo menos duas vezes.

Quanto ao funcionário do Consulado italiano, a brasileira denuncia que ele entrou no quarto em que ela dividia com a filha de cinco anos de idade, passou a mão sobre seu corpo, acariciou suas nádegas e seios.

Segundo a acusação, o casal reteve o passaporte da brasileira durante os três meses em que ela ficou como “escreva” na casa. Isso para evitar que ela fugisse, pois sem documento seria mais difícil.

Outro afirmação feita pela brasileira foi que o casal alegava o tempo todo que não adiantava fazer denúncias, pois ele tem imunidade diplomática de qualquer acusação criminal. A brasileira relatou, também, que o vice-cônsul italiano, Marcello Curci, falou a mesma coisa quando ela trabalhou para ele alguns dias, depois de deixar a casa do casal.

Melissa Saurwein afirmou que Giuseppe não pode invocar imunidade diplomática em casos como este.

Fonte: (tradução: Luciano Sodré)