Publicado em 22/07/2011 as 12:00am

Governador de MA clama por aprovação da In-State Tuition

Com uma aparição surpresa durante uma manifestação em favor do projeto 'In-State Tuition', ocorrido na terça-feira(19) na State House em Boston, o governador Deval Patrick afirmou seu apoio ao projeto

O governador de Massachusetts, Deval Patrick, apenas semanas depois de afirmar que não assinaria o programa Secure Communities, mais uma vez se coloca em favor dos imigrantes do estado, com uma aparição inesperada durante uma manifestação em favor do projeto ‘in-state tuition’, ocorrido na terça-feira(19) na State House em Boston, na qual clamou pela aprovação da medida.

O projeto, que há vários anos tenta  passar pelo corpo legislativo do estado, oferece igualdade no preço dos cursos universitários entre imigrantes e americanos, independente do status migratório. Atualmente, um estudante indocumentado tem que arcar com até o triplo do valor do curso (Tuition), e além disso, algumas instituições não asseguram o recebimento do diploma, caso não haja apresentação da documentação necessária, como o Social Security Number.

A aparição surpresa do governador aciona para uma aproximação do discurso adotado em seu primeiro mandato no governo, quando prometeu lutar pela causa e até mesmo fornecer a carteira de motorista para os indocumentados. Através de uma carta enviada para a Câmara dos Deputados e Senado Estadual, Deval Patrick pede para a medida seja aprovada e cita os principais benefícios ao estado, principalmente econômicos, como justificativa para o apoio. “ Eu sei que eles (os legisladores) vão escutar os dois lados do problema. Mas devemos entender que estamos falando de seres humanos, indivíduos, estudantes, e famílias. Dos quais as ambições estão todas situadas na única realidade e comunidade que eles conhecem, que é aqui” disse ele durante a manifestação, segundo reportou o jornal Boston Globe.

Entre os apoiadores de leis que beneficiam os estudantes indocumentados, estão a presidente da Harvard University, Drew Gilpin Faust, e os empresários de maior influência do país. Doze estados nos EUA, incluindo Connecticut, já adotaram a ‘in-state tuition’, de acordo com o National Immigration Law Center. Em Massachusetts, os estudantes indocumentados devem pagar uma taxa considerada ‘não-residente’, que é o dobro ou até o triplo do valor original. A Universidade de Massachusetts em Amherst por exemplo, custa em média $11,734 para aqueles que são considerados residentes do estado. Já os imigrantes, devem arcar com no mínimo $23,630, para dar sequência aos seus estudos.

Para ativistas e politicos, se uma ação mais profunda em relação ao sistema migratório ainda não foi tomada em âmbito nacional, pelo menos Massachusetts pode agir na frente no tratamento do tema. “ Nós entendemos que se os legisladores não pode agir em nível nacional, pelo menos nós podemos fazer algo por Massachusetts” afirmou a diretora-executiva da MIRA, Eva Millona.

A proposta apresentada pela senadora Sonia Chang-Diaz e as deputadas Alice Wolf e Denise Provost, poderia fornecer o status ‘in-state’ para aqueles estudantes que preenchessem certos critérios de elegibilidade, como ter frequentado alguma High School do estado por pelo menos três anos, e se comprometer em aplicar para a residência permanente o quanto antes o governo federal permitir.

O apoio do governador também teria motivações econômicas, principalmente após a Massachusetts Taxpayers Foundation estimar que caso a aprovação da lei poderia aumentar a arrecadação estadual em até $2 milhões no primeiro ano, e somar $7.4 milhões em quatro anos. O presidente da instituição, Michael Widmer, estima que Massachusetts tenha mais de 14.000 estudantes indocumentados com menos de 18 anos, muitos dos quais poderiam não optar pela continuidade dos estudos, devidos as atuais barreiras impostas a eles.

O brasileiro Conrado, 23 anos, se graduou na Somerville High School há quarto anos, e ainda se vê num impasse para dar continuidade a seus estudos. Boa parte de seus colegas já se formaram na universidade, e mesmo tendo notas altas e suficientes para ser aceito em diversas universidades, ele sofre por estar sem documentos desde que tem 13 anos. “ As coisas não deveriam ser assim. Não precisa ser dessa maneira. Nós todos sabemos que essa lei faria muito sentido para nós que vivemos no estado” afirmou o brasileiro ao jornal local.

Fonte: (da redação)