Publicado em 26/08/2011 as 12:00am

Brasileira testemunha contra o marido e pode colocá-lo no corredor da morte

O pedreiro Valdeir Gonçalves dos Santos, enfrenta a acusação de ter assassinado Vanderlei e Jaqueline Szczepanik, além do filho do casal, Christopher, de apenas sete anos de idade

Um dos julgamentos mais aguardados pela comunidade brasileira que vive no estado de Nebraska teve início na semana passada e poderá durar 15 dias, sendo que tudo indica que a decisão do júri será divulgada no final de agosto. O pedreiro Valdeir Gonçalves dos Santos, natural de Ipaba, em Minas Gerais, enfrenta a acusação de ter assassinado Vanderlei e Jaqueline Szczepanik, além do filho do casal, Christopher de apenas sete anos de idade.

Várias testemunhas foram ouvidas, inclusive Wanderlúcia Santos, esposa do acusado. O caso é considerado um dos mais complexos de Nebraska, pois não há nenhum corpo e nem cena do crime. Existem apenas os depoimentos da esposa e de uma amiga, Patrícia Oliveira (esposa do outro acusado), as quais atribuem o crime ao brasileiro.

Valdeir responde pelo triplo homicídio e seu amigo, José Carlos Coutinho, também de Ipaba, enfrenta julgamento por roubo e uso dos cartões de créditos da família.

Entre as testemunhas ouvidas até o momento estão brasileiros e outras pessoas que conviviam com os dois. Tanto Valdeir quanto José Carlos, são imigrantes indocumentados e trabalhavam na companhia de construção civil de Vanderlei.

O crime aconteceu, segundo as investigações, no dia 17 de dezembro de 2009. O advogado de defesa nega as acusações contra os seus clientes, mas a promotoria está fundamentada no depoimento das mulheres dos réus, as quais viviam no Brasil e foram levadas para os Estados Unidos para participar do processo de investigação e julgamento.

No início, a polícia trabalhava com a possibilidade de desaparecimento da família, mas no início de 2010 um circuito interno de uma loja de conveniências mostrou os dois acusados e um terceiro brasileiro que já foi deportado por falta de provas. Eles efetuaram algumas compras utilizando os cartões da família.

O casal supostamente assassinado morava na Flórida, com o filho, desde 1998 e havia ido a Nebraska, em 2009, construir um centro para formação de missionários ligados à Igreja Assembléia de Deus.

Versões

Por não ter os corpos da vítima, a Promotoria foi obrigada a estabelecer uma causa provável para o desaparecimento e espera que agora, durante o julgamento, as provas surjam. Várias versões foram apresentadas durante o processo de investigação. A primeira foi que Valdeir teria esquartejado o patrão e colocado os pedaços em um saco com pedras e jogado em um rio.

A Promotoria espera que os depoimentos das esposas possam ajudar a elucidar o crime e dar o desfecho certo para o julgamento. Wanderlúcia prestou depoimento na terça-feira (23), no Tribunal de Omaha, e mesmo sob os olhares do marido, ela afirmou: “Por telefone ele (Valdeir) me disse que havia torturado o seu patrão e que o havia matado, esquartejado e jogado em um rio dentro de um saco com pedras”. O marido olhou atentamente o depoimento da esposa que o incriminava.

Ela relatou, ainda, que o marido não contou como torturou o patrão e nem mencionou nada sobre a esposa ou o filho. Wanderlúcia disse que Vanderlei foi morto pelos três brasileiros, Valdeir, José Carlos e o Elias Lourenço, que foi liberado e deportado para o Brasil.

Durante o testemunho, a brasileira conta que o marido lhe disse que Vanderlei havia demitido José Carlos e depois recontratado com um salário menor. “Tenho medo de voltar ao Brasil com medo da reação dos familiares dele. “Eu sei que ele fez algo errado, mas ao mesmo tempo ele é o pai dos meus filhos”, acrescentou.

Na segunda-feira (22), a esposa de José Carlos, relatou que o marido estava irritado com o baixo salário pago por Vanderlei. “Ele me disse que ele e os amigos (Valdeir e Elias), planejavam fazer algo contra o patrão e que tinha ódio dele”, disse. Ela também teme retornar ao Brasil com medo dos parentes do marido.

Para manter as duas nos Estados Unidos, o Governo já gastou mais de US$14 mil em assistência moradia, alimentação, viagens e hotéis. Algumas pessoas apontam o depoimento das duas com muito ressentimento e demonstrando o desejo de viverem nos Estados Unidos. Outros depoimentos serão ouvidos até o final de agosto, de pessoas próximas á família Szczepanik e aos ipabenses.

A mãe de Valdeir, Maria Aparecida, acredita na inocência do filho e afirma que “ele deve estar sofrendo na cadeia, mas vai sair”. Ela mora em Ibapa, Minas Gerais.

Ainda não está certo qual será a condenação, caso Valdeir venha ser condenado, mas Nebraska é um dos 36 estados que ainda aceita a pena de morte como castigo máximo. Alguns advogados especialistas acreditam que esta possa ser a condenação aplicada ao brasileiro.

Fonte: (Texto por Luciano Sodré com informações do Omaha World Herald)