Publicado em 26/08/2011 as 12:00am

Conheça a rotina das 'Housecleaners'

O BT foi à procura de algumas brasileiras para saber os prós e contras da profissão, e descobrir porque a profissão é tão popular entre a comunidade imigrante do país

Por Larissa Gomes 

Um dos caminhos mais escolhidos pelas mulheres brasileiras nos EUA, a profissão de faxineira, (ou ‘housecleaner’, em inglês), é uma boa e lucrativa alternativa para aquelas que querem começar a ganhar dinheiro de forma rápida e estável. O BT foi à procura de algumas brasileiras para saber os prós e contras da profissão, e para tentar descobrir porque a profissão é tão popular entre a comunidade em Massachusetts.

Trabalho pesado, com muitas horas de jornada e muitas idas e vindas entre uma casa e outra. Assim descrevem algumas das brasileiras ‘housecleaners’. Jucilene Araújo, natural de Criciúma (SC) e residente há sete anos em Everett (MA), diz que gosta da profissão e que não trocaria por nenhuma outra."Gosto porque não tenho chefe, faço meu próprio horário, saio de férias quando quero. Chego a ganhar U$500,00 por semana e limpo no mínimo cinco casas por dia e no máximo oito", diz Jucilene. Segundo ela, algumas pessoas chegam a ganhar  entre U$ 1.000 e  U$ 2.000 por semana, no caso de serem donas do seu próprio "schedule" (que detém o contato direto com o cliente), já para quem atua como funcionária, o salário médio é de  U$ 500.00 por semana. Segundo Jucilene, quem quer seguir a profissão precisa ser caprichosa e prestar atenção aos detalhes, não deixando ‘se quer uma poeirinha para trás e sempre deverá perguntar à dona do serviço o que deverá ser prioridade na limpeza’ .

Já Mariana Oliveira, residente há oito anos em Malden (MA), natural de Belo Horizonte (BH) e e também atuando como ‘Housecleaner’, afirma que mesmo depois de tantos anos, ainda sente dores nas costas, pois o trabalho é pesado e durante o dia abaixa e levanta muitas vezes, além de fazer muito esforço para esfregar banheiros. "Gosto da profissão porque consigo um bom dinheiro, pago todas as minhas contas e ainda sobra um pouco no fim do mês para eu enviar ao Brasil e ajudar minha família, mas não é fácil, trabalho oito horas por dia, cinco dias na semana e quando chego em casa ainda tenho que cuidar da minha filha, marido e casa, praticamente uma jornada dupla de trabalho. Mas sou feliz assim, não posso reclamar” relata a mineira.

Também é o caso de Maria Ribas, residente há 25 anos em Everett, que trabalha sozinha e tem quatro casas para limpar todos os dias. "Não tenho problemas em limpar sozinha, dou conta de tudo e as donas das casas gostam do meu serviço, sempre fazendo boas recomendações para outros clientes em potencial. Não tenho carro, sempre vou trabalhar de ônibus ou metrô. Nas casas eles têm todos os produtos de limpeza e aspirador de pó, o que simplifica meu trabalho, não preciso carregar nada e não gasto dinheiro com gasolina", diz Maria Ribas.

Segundo as entrevistadas pelo BT, a preferência pela profissão também se deve ao fato de ser um trabalho pesado e por isso bem remunerado nos EUA. Além disso, as housecleaners não precisam declarar impostos, pois recebem o pagamento em dinheiro, quando declaram conseguem abonar boa parte do montante, uma vez que não possuem contracheque, mas têm movimentação bancária. “ É uma boa maneira de fazer um dinheiro gratificante, com um trabalho bem valorizado. Sou muito feliz atuando como ‘housecleaner’” completa Maria Ribas, que não pensa em atuar em outra profissão tão breve.

Fonte: (da redação)