Publicado em 16/09/2011 as 12:00am

Gestor brasileiro de NY relata efeitos da crise

Em março de 2008, o experiente gestor Otávio Fakhoury foi contratado pela matriz nova-iorquina do Lehman Brothers para estruturar a área de renda fixa do banco no Brasil. O novo emprego parecia promissor: o sólido Lehman

Em março de 2008, o experiente gestor Otávio Fakhoury foi contratado pela matriz nova-iorquina do Lehman Brothers para estruturar a área de renda fixa do banco no Brasil. O novo emprego parecia promissor: o sólido Lehman, que operava havia 158 anos e era então o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, pretendia acelerar o crescimento dos negócios no mercado brasileiro e até abrir em São Paulo a primeira agência da instituição na América Latina.

"O Lehman era considerado um bom lugar para se trabalhar. Era uma empresa menor, onde você podia fazer as coisas mais rápido e tinha um sistema de pagamento mais agressivo, como o do Goldman (Sachs, outro banco de investimento)", recorda o executivo.

Fakhoury, 38 anos, hoje sócio gestor da Mauá Sekular, trabalhava há cinco anos no concorrente Merril Lynch quando saiu para assumir o cargo no Lehman. Havia morado cinco anos em Nova York e carregava ainda no currículo a experiência de oito anos no Citibank.

No Lehman, passou a ser um dos chefes em uma equipe que reunia cerca de 30 pessoas em um escritório na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Respondia direta e constantemente à matriz do banco, em Nova York. O escritório paulista fechou um ano e meio depois de sua abertura, quando o fundo BTG, do banqueiro André Esteves, comprou os ativos do Lehman Brothers no Brasil. No fim, parte dos funcionários se dividiu entre o próprio BTG e o banco Standard Chartered, que contratou alguns dos ex-Lehman, como o próprio Fakhoury.

Três anos depois da falência do Lehman Brothers, anunciada em 15 de setembro de 2008 e que ficou marcada como um dos momentos mais emblemáticos e transformadores da história econômica mundial, o executivo diz  que testemunhar de perto os dramáticos momentos da derrocada da instituição transformou também sua visão de profissional e investidor.

"Sinceramente eu não quis mais voltar para banco e nem  quero voltar (...). Não está valendo a pena nem psicologicamente, nem financeiramente.Tive umas quatro propostas de voltar para banco e não quis. O que nós vamos ver nos próximos anos vai deixar muita gente de boca aberta, muitos bancos que achávamos que nunca quebrariam vão quebrar", diz Fakhoury.  "Fica muito difícil confiar em um grande número de bancos hoje, acho que sempre tem que ter um prêmio de desconto para tudo. Não tem nada que resista para sempre".

Em entrevista concedida por telefone durante uma viagem a Roma, Fakhoury contou os bastidores do que viu e viveu no Lehman Brothers no Brasil e em Nova York durante 2008, que ficou marcado como o ano do nascimento da crise financeira internacional.

 

Fonte: (G1.COM.BR)