Publicado em 29/09/2011 as 12:00am

Ativistas revelam como a Imigração pode voltar a ser prioridade no congresso

Os brasileiros residentes nos Estados Unidos estão sempre atentos para uma ampla reforma na lei de imigração pelo Congresso americano, que sempre é pauta nos noticiários mas nunca se torna um fato concreto

Por Larissa Gomes

 

Os brasileiros residentes nos Estados Unidos estão sempre atentos para uma ampla reforma na lei de imigração pelo Congresso americano, que sempre é pauta nos noticiários mas nunca se torna um fato concreto. Para ativistas da comunidade, para que a reforma aconteça,  é necessário uma pressão dos imigrantes sobre o Congresso, inclusive com manifestações de rua, para sensibilizar governo e Legislativo.

 

 

Beto Moraes, jornalista

 

"O atual Congresso não vai aprovar a reforma imigratória, porque existe um compromisso dos republicanos em não apoiar e impedir que o presidente dos EUA, Barack Obama, seja reeleito. Os americanos pensam que o desemprego está ligado ao imigrante, que eles estariam ocupando os cargos em que muitos poderiam estar, o que não é verdade. O imigrante faz o tipo de serviço que muitos americanos não topam, esse é o velho discurso, mas não é o que acontece de fato. O que tem que acontecer para que ocorra uma reforma ampla imigratória é a participação efetiva da comunidade imigrante e de representantes nossos para pressionar o Congresso e que faça com que eles nos vejam com outros olhos. É importante também que não tenhamos um próximo presidente anti-imigrante, como o candidato Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts".

 

Ester Sanches, conselheira do CRBE

 

"Precisamos que os americanos tenham ganhos financeiros como tempos atrás, para que eles não sintam-se ameaçados pelos imigrantes. Mas o cenário econômico não favorece para uma possível reforma imigratória, pois o país está indo contra a corrente e dando prioridade a empregar quem é americano e não imigrante, muito menos indocumentado. Hoje em dia o Brasil empresta dinheiro para o FMI (Fundo Monetário Internacional), a e isso incomoda os EUA. Os democratas que hoje estão no Congresso nada farão pelos imigrantes, não creio que eles legalizariam os 14 milhões de indocumentados que residem no país. O governo Obama foi o que mais deportou imigrantes ilegais, cerca de um milhão em dois anos. A Constituição diz que a cada quatro anos deveríamos ter uma reforma imigratória, no entanto, há 10 anos isso não ocorre. O próprio presidente dos EUA tem uma tia que já foi imigrante indocumentada no país e é do interesse dele que haja uma reforma, mas ele não governa sozinho, tem o Congresso, que impede que isso aconteça"

 

Jorge Costa, membro/suplente do CRBE

 

"Teríamos que ter uma junção de correntes favoráveis e todos com o mesmo discurso, mas isso não acontece. O presidente Barack Obama tem o compromisso de providenciar uma reforma imigratória, pelo menos foi o que ele prometeu durante a campanha eleitoral antes de se eleger presidente dos EUA. Temos que organizar manifestações e ir às ruas protestar contra o Congresso, que está contra os indocumentados. O governo gasta milhões por ano com deportações, cada preso custa U$ 70 mil aos cofres públicos e ainda tem muita gente que ganha dinheiro com isso, firmas terceirizadas que movimentam o mercado da deportação".

 

Ilton Lisboa, ativista comunitário e radialista

 

"Acho complicado acontecer uma reforma nos próximos anos. Um dos candidatos à eleição presidencial em 2012 é anti-imigrante, o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney e muitos americanos, e até mesmo membros no Congresso, discordam dos benefícios que os imigrantes recebem no país. Hoje não existe uma comissão que lute pelos nossos direitos, temos muitos líderes que deveriam nos representar e se esquecem disso, tudo o que fazem é ‘lobby’"

 

Pastor Silair Almeida, conselheiro do CRBE

 

"Acredito que a briga é política, entre os partidos Republicano e Democrata. Eles não entendem que o assunto Imigração é importante, só olham para o próprio umbigo. Além do medo de perderem votos, pois muitos americanos são anti-imigrantes e, em tempos de eleição, alguns sentem medo de falar sobre reforma imigratória. Eles não percebem o quanto a economia seria aquecida com imigrantes legais pagando impostos, viajando aos países de origem para visitar familiares, entre outros fatores positivos. Pense em quanto as companhias aéreas poderiam lucrar com isso, e com isso, movimentar toda a economia"

Fonte: (da redação)