Publicado em 24/10/2011 as 12:00am

Brasileiros contam como é ser empresário durante a crise

Empresários brasileiros que têm negócios em Massachusetts contaram ao BT como é abrir novos empreendimentos

Por Larissa Gomes
 

Empresários brasileiros que têm negócios em Massachusetts contaram ao BT como é abrir novos empreendimentos nos EUA, as dificuldades, os desafios e as barreiras que enfrentaram. Os empresários entrevistados pelo BT são unânimes em relação à questão do bom atendimento, que contribui muito para o sucesso nos negócios.

Já as barreiras enfrentadas ao abrirem as empresas não foram motivo para desistência. Para eles, persistência e dedicação são, junto com o bom atendimento, o segredo para que o empreendimento tenha sucesso

Joe Pinto, residente em Somerville (MA) há 34 anos e a sócia e esposa Priscila Lopes , natural de Londrina (PR), abriram um restaurante brasileiro há dois meses. “Tivemos a vantagem de abrir em um ponto comercial já conhecido e de sucesso, antes funcionava um outro restaurante brasileiro, mas tivemos que fazer muitas reformas. O restaurante está com um ótimo movimento, melhor do que esperávamos”, comemora Joe.

 

Os sócios se queixaram de algumas dificuldades em, por exemplo, conseguir as licenças para o funcionamento, venda de bebida alcoólicas, entre outras. “Essa foi a maior barreira, o restante não foi problema e para não cometermos nenhum deslize tomamos o cuidado de só vender bebida alcoólica para maiores de 21 anos”, disse Priscila. Segundo ela, a ideia de abrir um restaurante veio da experiência com o comércio, pois sempre trabalhou com esse tipo de negócio. Já Joe é bombeiro.“Eu como bombeiro quero esquentar as noites em Everett e se pegar fogo não tem problema, eu apago, bombeiro serve para isso”, brincou Joe.

 

O casal diz que investiu muito no novo empreendimento e que o retorno financeiro deve vir em aproximadamente um ano.  “Cobramos barato pela comida, talvez se o preço fosse maior teríamos mais lucro e um retorno financeiro mais rápido, mas essa não é a nossa preocupação. Queremos conquistar os clientes com boa comida, preço acessível e noites bem divertidas”, disse Priscila.

 

Além de comida brasileira, o restaurante também tem música ao vivo. Pagode às terças, sertanejo aos domingos e funk às quintas. “Queremos que os brasileiros tenham opção em se divertir, por isso colocamos música ao vivo, eles adoram, acho que ajuda a matar um pouco a saudade do Brasil”, diz Priscila.Segundo Joe, o restaurante está preparando diversos eventos para o fim de ano, como festas de Natal e Ano Novo. E quem tem crianças também poderá se divertir, pois o estabelecimento oferecerá “day care”, com babysitter. “A questão de um espaço para crianças ainda está em estudo, mas é bem provável que consigamos”, acredita Joe.

 

No próximo mês a novidade do restaurante será o concurso de karaokê, que terá o objetivos de lançar novos talentos musicais. O ganhador ainda levará um prêmio em dinheiro. “Tem muito cantor bom por aí, no anonimato, vamos descobrir esses talentos e premiar com uma quantia em dinheiro, ainda não sabemos quanto, mas será um bom valor”, revelou Joe.

 

Gladimir Pacheco, residente há cinco anos em Malden (MA), natural de Criciúma (SC), passou de gerente a dono de restaurante.“ Quando entrei para trabalhar aqui, o restaurante já estava à venda e eu, como gerente, sabia que o faturamento era bom, então comprei financiado. Hoje meu negócio fatura de US$ 14 mil a 17 mil por semana, o que ajuda a pagar as prestações”, disse.

 

Segundo Gladmir. a receita para o sucesso é simples: servir comida caseira e sem tempero industrializado. “Minha esposa é a cozinheira, quem come no meu restaurante tem a sensação de estar comendo na própria casa, isso faz com que o cliente vire freguês. Meu público é de brasileiros e espanhóis, se tivéssemos licença para vendermos bebidas alcoólicas teríamos clientes americanos também, além do faturamento poder ser bem melhor, tenho certeza que seria o dobro”.

Gladmir explicou que a licença para bebidas ainda não foi liberada pela prefeitura de Somerville para restaurantes da cidade, mas ele  não desistiu e disse que por enquanto está satisfeito com o andamento do novo negócio,que foi aberto há pouco mais de dois meses.

Fonte: (da redação)