Publicado em 21/11/2011 as 12:00am

Brasileira que ajudou na fuga de filho criminoso é julgada

Por ter confessado culpa na fuga do policial David Britto, a mãe do criminoso, Janiber Vieira, de 51 anos, poderá evitar a prisão perpétua

A brasileira Janiber Vieira, de 51 anos, será julgada nessa segunda-feira(21), pela fuga do seu filho, David Brito, que trabalhava como policial no departamento de Boynton Beach e enfrentava julgamento por tráfico de drogas. Segundo depoimento de Janiber, o filho vinha expressando a vontade de se suicidar antes de optar pela fuga. 

 Momentos antes da fuga, Britto estava em liberdade condicional, e no dia 24 de agosto quebrou a tornozeleira eletrônica e fugiu para o Brasil. Depois de algum tempo, as investigações apontaram para participação da mãe do policial nesta fuga. Janiber foi presa no dia 2 de outubro, no aeroporto internacional JFK, em New York. Ela estava na lista de passageiros que embarcariam para o Brasil. Os investigadores acreditam que ela tentava fugir.

Por ter confessado culpa na acusação de conspiração criminosa, Janiber poderá se livrar da prisão perpétua, mas mesmo assim poderá pegar a pena máxima estipulada pelo juiz. Segundo uma documentação apresentada pela brasileira em Outubro, ela ‘não sabia sobre o crime cometido pelo filho, e muito menos que ele estaria envolvido com drogas’. Segundo ela, assim que foi condenado e permaneceu confinado em casa, Britto ‘ficou em depressão profunda’ e avisou para a mãe que gostaria de voltar para o Brasil, porque caso contrário, tiraria a própria vida.

A documentação apresentada vai utilizar como álibi o fato de Janiber ter sido chantageada emocionalmente pelo filho, justificando a ajuda na fuga.  Os advogados da brasileira acreditam que ela poderá ser inocentada no julgamento, argumentando que o tempo  que ela passou na cadeia já foi suficiente para pagar pelos crimes.

Segundo Vieira, ela teve de esconder os remédios de Britto para ele não tentar se suicidar e precisava seguí-lo por todos os lugares. Algumas cartas de pessoas próximas a Janiber foram anexadas ao processo, como a do marido da acusada, afirmando que a condenação da brasileira ‘iria causar fortes danos aos dois filhos mais jovens’ e pediu uma análise mais humanitária do juiz no caso, para ‘evitar que sua família fosse destruída’.

Ainda não sabe em qual cidade o brasileiro “fujão” está morando. Ele é natural do Espírito Santo, mas denúncias dão conta de que Brito poderia estar morando no nordeste brasileiro.

Passaporte

Segundo as investigações, o brasileiro solicitou uma segunda via do passaporte ao Consulado-Geral do Brasil em Miami, alegando que o outro havia sido retido pelas autoridades. Não houve nenhum empecilho para que o documento fosse liberado.

Ainda não ficou certo se David foi pessoalmente ao órgão ou enviou terceiros. Isso porque tornou-se comum “despachantes” atuarem como representantes dos brasileiros diante do Consulado. Dezenas de passaportes são emitidos sem a presença do titular, toda semana.

O Consulado emitiu um documento sobre o assunto, informando que o órgão desconhecia que o brasileiro enfrentava acusações na Justiça dos Estados Unidos. “Para as autoridades brasileiras, David não é um criminoso”, disse o secretário consular, Fernando Arruda ao jornal The Sun Sentinel.

Fonte: (da redação)