Publicado em 15/12/2011 as 12:00am

Brasileiros exigem escola especial para imigrantes

O encontro aconteceu na High School da cidade na quarta-feira(14), e reuniu centenas de pais e alunos para a apresentação da proposta


Por Larissa Gomes

Brasileiros e famílias de imigrantes residentes em Somerville – MA, se reuniram na última quarta-feira (14) para discutir o projeto “Charter School”, uma alternativa escolar desenvolvida para filhos de imigrantes e até mesmo para americanos, que teria o grande diferencial de oferecer aulas ministradas nas línguas de origem dos alunos.

 

O encontro aconteceu na High School da cidade, e estiveram presentes autoridades locais, tais como o prefeito, dirigentes do Departamento de Educação, além de centenas de pais de alunos. Segundo as organizadoras do projeto, a “Charter School” seria uma escola pública estadual independente, ideia que está sendo apoiada por professores e dirigentes escolares, pais, organizações sem fins lucrativos e membros da comunidade.

 

Segundo os idealizadores, a ideia é ter uma escola com mais liberdade de organização em torno do currículo ou método de ensino, e com o orçamento sob controle ‘independente’. Eles afirmam que o atual método de ensino não tem sido bem sucedido em atender a diferentes culturas nas salas de aula da cidade.

 

Joseph A.Curtatone, prefeito da cidade de Somerville (MA), disse ser contra a proposta da “Chater School”, pois, segundo ele, a escola não será competitiva em relação às outras. “Não podemos apoiar essa proposta, porque nós já temos outros programas direcionados a filhos de imigrantes”, afirmou.

 

O Presidente da School Community, Adam Sweetang, também é contra. “Tenho restrições ao projeto e acho que estamos gastando muita energia nessa discussão, temos que discutir outras propostas, porque essa definitivamente não é adequada”, argumentou. A oposição com a medida também encontra força com Tony Pierantozzi, superintendente de ensino da cidade. “Sou contra, não pelo gasto que essa escola demandará e sim por uma filosofia de ensino em que acredito. Mas quero continuar a discutir o assunto, talvez outras propostas com argumentos melhores”, disse. Regina Bertholdo, do Departamento de Educação de Somerville, disse também ser contra a proposta, por ela não abranger todas as pessoas que chegam aos EUA. “Os recém-chegados, por exemplo, não seriam aceitos pela ‘Charter School’. Isso não é uma proposta de inclusão bem formulada”, completou.

 

Brasileira, mãe de três filhos americanos, Jamila Xible é uma das idealizadores do projeto. “Tenho filhos que nasceram aqui e luto pelos direitos deles. Essa escola oferecerá benefícios para os filhos de imigrantes e para a comunidade como um todo. Os alunos terão aulas na língua materna após o horário normal da escola, isso será opcional, mas acho de extrema importância. Os idiomas serão português, francês e espanhol”, explicou.

 

Segundo Jamila, o MCAS  (teste que avalia as escolas públicas do estado) classificou a High School de Somerville na posição 491°, em um total de 895 escolas, o que revela uma deficiência na qualidade de ensino da escola em relação às demais.

 

Denise Lavers, mãe de dois filhos nascidos nos EUA, também atua na aprovação da proposta. “Acho que a ‘Charter School’ tem grandes chances de ser aprovada, estamos confiantes em uma resposta positiva. A comunidade precisa de escolas com uma grade especial”, apostou.

 

No dia 05 de janeiro de 2012 a proposta da “Charter School” em Somerville (MA) será analisada pelos orgões competentes e o resultado estará disponível no dia 28 de fevereiro de 2012 no site www.thespcs.org.

Fonte: (da redação)