Publicado em 28/12/2011 as 12:00am

Brasileiro da Flórida pode jogar na NFL

Maikon Bonani, 22 anos, é um dos destaques do esporte na Flórida e já está sendo analisado por grandes times da NFL

O estudante Maikon Bonani, 22, nasceu em Matão, interior de São Paulo, e poderia ter se tornado um goleiro. Ganhou campeonatos quando criança, era uma espécie de mascote do time de veteranos do pai, mas trocou a bola redonda pela oval quando se mudou para os EUA, aos 10 anos.

Chegou a jogar futebol no "high school" (colegial), em Lake Wales, no Estado da Flórida, mas seu chute forte chamou a atenção dos técnicos de futebol americano.  Após testes, tornou-se um kicker (chutador), cuja função é chutar a bola para tentar marcar um "field goal", como no ponto extra após a conversão do touchdown, jogada máxima do esporte.

Agora, divide o seu tempo entre os estudos e o sonho de se tornar um dos únicos brasileiros a jogar na NFL, a liga de futebol americano dos EUA.  "É um sonho, seria uma honra muito grande", diz Bonani, que se forma no final de 2013 e poderá participar do draft --seleção de jogadores que vêm das universidades.

O atleta sabe que não será fácil. Isso porque os chutadores da NFL têm vida longa como profissionais. John Kasay, do New Orleans Saints, por exemplo, tem 42 anos e está na liga desde 1991. Além disso, cada uma das 32 equipes costuma ter apenas um chutador à disposição no elenco.  "Tem que estar no lugar certo e na hora certa, e com um pouco de sorte também", resume o estudante de ciências do exercício. Seus números dão margem para crer na possibilidade de entrar no esporte mais popular dos EUA.

Chutador da Universidade do Sul da Flórida, ele terminou sua primeira temporada com um aproveitamento de 71,4%. Em seu primeiro jogo como titular, marcou um "field goal" no último segundo e deu a vitória ao seu time.  Bonani, porém, perdeu a temporada de 2009 por causa de um acidente, que aconteceu enquanto trabalhava num parque de diversões. Não conseguiu fechar a porta de um brinquedo automático e acabou decolando junto. Caiu de uma altura equivalente a três andares. Resultado: fraturou uma vértebra e perdeu a temporada.

Em 2010, já recuperado, melhorou seu aproveitamento em relação a 2008 ao fechar o campeonato com um acerto de 81% em seus chutes. Mesmo com a queda em 2011 (terminou o ano com 72%), Bonani acredita ter a confiança de seu técnico.  "Esse ano teve um jogo em que errei dois chutes, um no último segundo. O treinador até me chamou durante um treino um dia. Mas falou 'eu confio em você, eu não trocaria você por ninguém'".

Sem um jogador que lhe sirva de inspiração, Bonani tenta entrar na NFL com seus próprios passos, à espera de uma chance para ser reconhecido profissionalmente. E colocar o nome do Brasil na bilionária liga americana.

Fonte: (folha online)