Publicado em 5/02/2012 as 12:00am

Walmart pode ser responsabilizado por morte

Rômulo de Oliveira morreu após ser eletrocutado durante um trabalho de demolição em uma loja da rede

A morte do brasileiro Rômulo de Oliveira Santos, durante um trabalho de demolição no Walmart da cidade de Walpole, em Massachusetts, ainda tem sido usada nos debates sobre as práticas de segurança dos trabalhadores no estado. Ele e mais outros brasileiros foram enviados por uma companhia para derrubar as paredes da loja, mas ninguém avisou sobre a fiação elétrica no local.

Todos estavam trabalhando durante a noite quando as luzes se aparagaram e algumas faíscas foram vistas. A polícia foi imediatamente acionada e ao chegar no local, encontrou o corpo de Santos caído ao chão após receber uma forte descarga elétrica. O brasileiro estava todo queimando, a pele soltando do corpo e sem batimentos cardíacos.

Assim como a maioria dos brasileiros, os planos de Santos era trabalhar para tornar melhor a vida dos familiares no Brasil. “Ele queria viver o sonho americano”, disse Marco Leal, um amigo que o incentivou a se mudar para Massachusetts e fazer a vida. “Jamais pensei que teria que enviar o corpo dele de volta para a família”, lamenta.

Alguns anos depois, a morte do brasileiro tornou-se objeto deum processo no Superior Tribunal do condado de Middlesex, o qual visa manter a responsabilidade do ocorrido sobre o Walmart.

Conforme as denúncias, as condições que levaram à morte do brasileiro fazem parte deum padrão de práticas inseguras adotadas nas construções do Walmart, incluindo a contratação de empreiteiras sem licença, as quais utilizam intermediários para obter a autorização para efetuar a obra.

No caso de Santos, os registros de inspeção mostram que um dos subempreiteiros do Walmart contratou um eletricista licenciado exclusivamente para a obtenção da licença. Mas os eletricistas que trabalharam na obra não eram autorizados.

Além disso, o empreiteiro geral já foi citado em outra obra. Segundo os registros de inspeção, ele atuou com uma equipe sem licença no Walmart da Louisiana.

Outro subcontratante do Walmart foi punido no estado da Indiana por violar as normas de segurança na execução do serviço, o que gerou uma enorme explosão elétrica que matou um trabalhador e deixou dois gravemente feridos.

O advogado da família do brasileiro, Brian A. Joyce, e um Senador estadual pela cidade de Milton, denunciam a utilização de trabalhadores sem licença por parte do Walmart. Eles criticam, também, o uso de funcionários sem treinamentos e sem supervisão. “Tudo isso no intuito de cortar custos e essa falta de consciência resultou a morte de um trabalhador”, salienta o advogado.

O porta-voz do Walmart, Greg Rossiter, disse que a empresa não é responsável pelas violações das normas de segurança das empresas contratadas. “Exigimos que os empreiteiros cumpram as leis e regras aplicadas para o serviço a ser feito”, explicou. Mas o advogado defende a tese de que a empresa é responsável devido a estreita afinidade com seus contratados. “A maioria destes contratados trabalham há mais de uma década para a rede varejista”, citou.

Uma investigação da Occdupational Safety and Health Administration constatou que o eletricista encarregado do trabalho havia cometido várias violações das normas de segurança, inclusive expondo os trabalhadores a riscos de serem eletrocutados. O eletricista Warren MacDonald, licenciado em Massachusetts e Connecticut, nunca foi visto no local da obra. Ele apenas utilizou o nome para conseguir a licença e liberar a contratante do Walmart a trabalhar. “Ele deveria fiscalizar toda a obra no que diz respeito a parte elétrica”, salientou o advogado.

Santos era solteiro e mudou-se para os Estados Unidos pouco depois de completar 40 anos de idade. Ele era natural do Rio de Janeiro e tinha como sonho fazer a vida neste país. A princípio ele pretendia firmar-se em alguma empresa e ter um trabalho fixo, mas o que encontrou foram biscates como diaristas.

No dia em que morreu, o brasileiro foi contratado por uma pequena empresa em Medford, o qual integrou o quadro de demolidores da companhia. A OSHA multou esta empresa, mas o Walmart não foi multado nem punido. O advogado quer provar que a loja também tem culpa.

Fonte: (DA REDACAO)