Publicado em 27/04/2012 as 12:00am

Brasileiros cruzam as Américas sobre rodas

Brasileiros cruzam as Américas sobre rodas

O jornalista Eduardo Issa e sua esposa, a turismóloga Letícia Rodrigues  contam com exclusividade ao Brazilian Times, sua aventura viajando em um Motorhome montado sobre um chassi Ford F-4000, 4x4, ao redor das Américas. Em uma entrevista ao jornal Brazilian Times, ele contou como está sendo a aventura, dificuldades e conquistas.

 

BRAZILIANTIMES - Como surgiu essa ideia de atravessar as Américas de carro?

Eduardo Issa - Eu fiquei 5 anos viajando todos os parques nacionais do Brasil, que têm a totalidade de 62, acredito ser o único brasileiro que conhece todos os parques nacionais. Antes mesmo de eu fazer essas viagens aos parques nacionais, já tinha interesse em fazer a travessia pelas Américas, mas, no entanto me faltava patrocínio, porem, depois que eu fiz as visitas aos parques nacionais, apareceram algumas oportunidades, tive contato com a Ford e consegui comprar esse carro com 30% de desconto, e convidei Letícia que topou em fazer a viagem comigo.

 

BRAZILIANTIMES - A quanto tempo vocês estão viajando?

Eduardo Issa - Estamos há um ano e um mês na estrada, saímos em Março do ano passado e devemos ficar até Dezembro desse ano.

 

BRAZILIANTIMES - Qual o trajeto percorrido?

Eduardo Issa - Saímos de Guaratingueta-Sp e descemos até o Chihuahua que a Terra do Fogo e é o último ponto da América do Sul, depois passamos pelo Chile e subimos todo o Pacífico, Bolívia, Equador, Colômbia e da Colômbia pro Panamá não tem estrada, na verdade existe um continente, que muita gente confunde. No Canal do Panamá existe uma ponte, você nem precisa pegar balsa, na verdade o trecho que se atravessa, você tem que colocar o carro em um navio na Colômbia e são 18 horas de viagem e você não pode viajar no carro, tem que pegar um avião.

 

BRAZILIANTIMES - Por que não existe uma estrada que liga a Colômbia ao Panamá já que existe terra?

Eduardo Issa - Na verdade, isso é um medo que os dois países têm, em se criar uma rota que facilitaria o transporte de drogas entre os dois países.

 

BRAZILIANTIMES - Tendo a documentação do carro toda do Brasil, como é feita a entrada nos países?

Eduardo Issa - O processo é simples, você chega com o documento do seu carro, eles preenchem um formulário dizendo que você está passando por ali, dando entrada no veículo, e na hora de sair, você devolve o papel. E temos o nosso passaporte com os vistos necessários. O único problema é que você tem que viajar com o carro com a documentação no seu nome, caso não tenha, você tem que ter uma procuração federal reconhecida em cartório dizendo que o carro está sobre seu uso.

 

BRAZILIANTIMES - Como é a burocracia para a entrada nos países?

Eduardo Issa - Alguns países são mais tranquilos, outros são mais complicados, algumas polícias são muito corruptas, e por incrível que pareça, o país que tivemos menos problemas foi os EUA, onde nem olharam nosso carro por dentro, e achamos meio raro isso. Em todos os países os policiais entraram, as vezes com cachorro, checando por baixo, o bagageiro, a procura de droga, alguma coisa ilegal.

 

BRAZILIANTIMES - Dos países visitados, qual te chamou mais atenção pela beleza e qual te pareceu mais violento?

Eduardo Issa - Cada país tem sua particularidade, são culturas diferentes, comidas diferentes, mas ficamos muito maravilhados com Galápagos no Equador que é um arquipélago onde Darwin desenvolveu a teoria sobre a evolução das espécies e os animais não têm predadores, então há como andar no meio das iguanas, dos lobos marinhos, peixes, tubarão e nada te acontece, estão perfeitamente em equilíbrio no ecossistema, a cultura é muito interessante como os Incas no Peru, os Maias no México, então visitamos várias ruínas, sempre chamando muito nossa atenção, dizer qual é o mais bonito é difícil, pois todos têm seu encanto, e em relação a perigo, ouvimos muita coisas da mídia e as notícias ruins sempre têm mais destaque, mas não tivemos em nenhum tipo de perigo, nem no México, nem em Honduras, o que acontece é as vezes você está no lugar errado, na hora errada. Atravessamos o México inteiro sem nenhum problema, tivemos um pouco de medo em Tegucigalpa que é a capital de Honduras, pode se dizer que foi a parte que tivemos mais medo, pois chegamos a noite, atrasou a nossa passagem e chegamos 8 e pouco da noite e as ruas não tem iluminação.

 

BRAZILIANTIMES - Como você financia sua viagem?

Eduardo Issa - Nós temos alguns apoios pra essa viagem, como comprar o carro, consegui um desconto de 30%, consegui as revisões do carro na América do Sul por conta deles, e na verdade, como sou jornalista, vou fazendo as reportagens no caminho e enviando ao Brasil, então, consigo receber pagamentos por essas matérias e vamos dando continuidade; também, aluguei a casa e o escritório onde moramos e isso ajudam na renda e por incrível que pareça, eu gastava mais dinheiro no Brasil que aqui. No Brasil as coisas estão muito caras. É mais barato você comer aqui do que no Brasil.

Fonte: Rafael Marotta