Publicado em 23/05/2012 as 12:00am

Polícia de Marlborough garante: Secure Communities não está atrás de imigrante sem carteira

Vendo a preocupação da comunidade brasileira com a nova lei federal do "Security Communities", o Departamento de Polícia de Marlborough convocou uma coletiva nesta segunda-feira, 21, para explicar que nada vai mudar para os homens da lei em relação à popu

Da redação

Vendo a preocupação da comunidade brasileira com a nova lei federal do "Security Communities", o Departamento de Polícia de Marlborough convocou uma coletiva nesta segunda-feira, 21, para explicar que nada vai mudar para os homens da lei em relação à população imigrante que vive na cidade. Ou seja, a intenção dos policiais é de tranquilizar as milhares de pessoas que imaginam que podem ser pegos pela ICE (Immigration and Customs Enforcement) a qualquer momento. Pelo contrário, quem não deve não tem o que temer.

Juntamente ao Bridge Program, o Departamento de Polícia de Marlborough viu que a população de imigrantes começou a temer demais os policiais após a "Security Communities" entrar em vigor, no último dia 15. Para a grande maioria dos residentes nascidos em outros países, qualquer ação na rua, como dirigir sem carteira ou até mesmo ir para hospitais e reportar crimes de violência doméstica na própria delegacia, representaria um risco à permanência nos Estados Unidos. No entanto, o chefe da polícia da cidade, Mark Leonard, garante que só será fichado quem cometer um crime.

"Muitas pessoas estão achando que apenas o fato de vir na delegacia fará com que o imigrante seja denunciado ao ICE. Não é nada disso. Se uma pessoa sofrer um crime, só vamos querer saber o que aconteceu. Não estamos interessados em saber a condição migratória da pessoa. Queremos saber somente da denúncia e nada mais. Podem ficar tranquilos que nenhuma impressão digital será pega da pessoa que sofre um crime", ameniza Leonard.

Para tentar tranquilizar e aproximar ainda mais a população, a polícia de Marlborough tentará disponibilizar pessoas que falem espanhol e português a qualquer momento que for necessário. Um deles é o co-fundador do Bridge Program, Rafael Faria, que irá se juntar à força policial da cidade em junho. Enquanto isso, ele trabalha em part-time no próprio Departamento de Polícia para tentar tirar todas as dúvidas da comunidade de imigrantes brasileiros.

Outra grande questão levantada nesta reunião foi sobre o uso de carro sem a carteira de motorista de Massachusets. Para muitos, o rigor da Polícia será ainda maior contra os imigrantes. O chefe Leonard garantiu que os oficiais não foram orientados para nenhum aumento nesta fiscalização. No entanto, ele alertou para que os motoristas tomem atenção redobrada quanto as leis de trânsito.

"Dirigir sem carteira é ilegal. Portanto, é um crime. Se uma pessoa for parada por conta de algum delito no trânsito e não tiver a carteira de Massachusets, ela corre o risco de ser presa. Se isso acontecer, a pessoa pode ter que ir na delegacia. Daí, recolheríamos sua foto, suas impressões digitais e enviaríamos ao ICE. Não podemos deixar de cumprir a lei", lembrou Leonard, adiantando que carteiras de motoristas de outros estados não serão aceitas nestas abordagens.

O chefe de polícia, no entanto, explica que os carros não serão parados na rua aleatoriamente.

"Não vamos parar nenhum automóvel se ele não tiver cometido alguma infração. Se a pessoa andar dentro da lei, não haverá problema nenhuma. Não podemos é ignorar, por exemplo, um avanço de sinal ou um carro guiado por um motorista com sinal claro de embriaguez. Daí, deixaríamos de fazer nosso trabalho que é de garantir a segurança da comunidade", disse Leonard.

Rafael Faria ainda frisou que esta nova lei do "Security Communities" não é uma caça a todos os imigrantes, apenas àqueles que trazem risco à população.

"Dirigir sem carteira não é o foco dessa nova lei. O ICE está atrás apenas das pessoas que cometem crimes violentos, que cometem os mesmos delitos repetidamente e os que apresentam um risco à sociedade. O que queremos alertar é para as pessoas não terem medo da polícia", completou o co-fundador do Bridge Program. 

Fonte: Brazilian Times