Publicado em 24/08/2012 as 12:00am

O que fazer para unir a comunidade?

Há algumas semanas, o Comitê Pró-Cidadania Unida realizou mais uma edição dos debates comunitários que tem por finalidade ouvir as pessoas e discutir ações que poderão melhorar o futuro dos brasileiros nos Estados Unidos. Durante este evento, um dos pale

Luciano Sodré

Há algumas semanas, o Comitê Pró-Cidadania Unida realizou mais uma edição dos debates comunitários que tem por finalidade ouvir as pessoas e discutir ações que poderão melhorar o futuro dos brasileiros nos Estados Unidos. Durante este evento, um dos palestrantes, o pastor Walter Mourisso, falou sobre a necessidade de unir a comunidade para se fortalecer neste país.

Ele apresentou algumas sugestões para que isso aconteça e um dos pontos levantados que mais chamou a atenção foi que as entidades e organizações indicassem, cada uma, um representante para se formar um comitê comunitário. "Acredito que somente assim caminharemos para um fortalecimento do nosso nome neste país", salienta.

O jornal Brazilian Times escutou algumas pessoas, entre elas empresários, radialistas, religiosos e profissionais liberais. Eles deram as suas opiniões sobre o assunto. A maioria defende a posição do pastor e acredita que a união acontecerá somente se as entidades e a mídia se unirem.

Walter Medeiros, empresário, reside em Saugus (MA): "A primeira coisa que precisa acontecer é uma união entre as entidades e elas devem falar a mesma língua. Se todas foram criadas para defender os interesses dos brasileiros, não há motivos para tantas diferenças e intrigas. Eu acredito que a comunidade está dividida justamente porque as organizações não comungam das mesmas ideias e a própria mídia promove a discórdia. Você liga a rádio e logo escuta um locutor falando mal do outro e pouco se aproveitam os espaços para promover informações ou tentar unir as pessoas. Eu acredito que a união possa acontecer, mas somente se ela partir de cima, pois do jeito que está, a comunidade vai continuar separada e envolta em picuinhas e intrigas".

Dário Galvão, empresário, vive em Stoughton (MA): "No meu ponto de vista, o que precisa acontecerá uma união entre três instituições, as quais representam diretamente a comunidade, são elas: a igreja, a imprensa e as organizações filantrópicas. Quando eu digo união das três instituições, me refiro à união entre elas, ou seja igrejas, imprensa e entidades falarem a mesma língua. Esta união já poderia ter acontecido há muito mais tempo e com certeza teríamos um nome forte nos Estados Unidos. Mas ainda há tempo e podemos lutar para que esta união aconteça. Tenho certeza que se tivéssemos buscado nos unir há mais tempo, teríamos o mesmo respaldo que as demais comunidades latinas".

Danuza Aquino, terapeuta, vive em Cambridge (MA): "Eu concordo que a união só acontecerá se ela partir de cima, porque a maioria da comunidade está a mercê do que as lideranças decidem. Eu acredito que deveriam haver mais reuniões para orientar e mostrar quais os caminhos que os brasileiros devem seguir. Precisamos que os pastores, padres, empresários e ativistas defendam e falem sobre o mesmo objetivo. Uma grande parcela da nossa comunidade é composta por gente simples e humilde que ficam esperando que seus líderes tomem alguma posição e é justamente isso que está faltando em nosso meio. Os líderes devem se unir para que os liderados também se unam. Quando digo liderança, falo de todos, inclusive a imprensa."

Jaime Zimmer, consultor imobiliário e vice-presidente da CDL/USA, vive em Marlboroguh (MA): "Eu tenho investido meu tempo em participar de reuniões com a comunidade e sinto muito a falta de um foco mais voltado para o lado social da comunidade. Muitos de nossos líderes ainda não adquiriram a visão de que concentrar forças em um grupo único é muito mais viável. Defendo a existências das diversas entidades, mas seus líderes deveriam falar a mesma língua quando o assunto é fortalecer a comunidade. Mas infelizmente ainda existem muitos que pensam de maneira superficial e desta maneira, fica difícil sentar em uma mesa com várias lideranças e discutir um assunto sem haver discórdias. Se os líderes não tomarem a decisão de promover, realmente, uma união, jamais veremos a nossa comunidade fortalecida."

Binho Oliveira, DJ, vive em Weymouth (MA): "Acredito sim que possa haver uma união, embora saiba que para que isso aconteça iria depender de vários fatores, como por exemplo, uma ação conjunta tanto dos meios brasileiros de comunicação (rádios, jornais, etc), como dos setores religiosos. O ponto principal seria a desmistificação e o repasse de informações sobre leis e direitos. A maioria das pessoas que aqui vive (documentados ou não), até hoje não tem um acesso real ao que realmente se é de direito e quais os seus deveres em relação aos mesmos. São muitas informações desencontradas e devido ao repasse informal delas, as pessoas muitas vezes se isolam e deixam de participar de algum tipo de movimento pró-imigrante, por medo. Acho que se houvesse algo mais focado tanto nos jornais, revistas e demais meios de comunicação brasileiros, essas dúvidas e medos seriam sanados e essa união seria mais fácil de acontecer".

Glaucilene Santos, estudante, vive em Somerville (MA): "Eu acredito, sim, que possa haver uma união em nossa comunidade, mas para isso é necessário que a decisão parta de cima, pois desde que os imigrantes chegaram neste país, se acostumaram à serem defendidos e orientados por líderes. Portanto, os padres, pastores e ativistas são os que devem tomar a posição de promover a união das pessoas. Se eles não falarem a mesma língua, certamente os seus seguidores não falarão".

Beto Moraes, jornalista, Medford (MA): Existe sim a possibilidade de haver uma união que fortaleça o nome da comunidade, mas é preciso que as pessoas se conscientizem de que esta união será de grande valia para grandes conquistas. Devemos fazer o que as outras comunidades imigrantes fizeram para terem o seu nome respeitado neste país. O brasileiro tem um grande potencial e se olharmos para a nossa história veremos que, unidos conseguimos grandes feitos. A união acabou com a ditadura e conseguiu depor um presidente. Mas os brasileiros precisam entender que vitória individual não resultam em resultados positivos.

Fonte: Brazilian Times