Publicado em 10/09/2012 as 12:00am

Maioria dos brasileiros volta sem nada ao Brasil

Muitos brasileiros também estão deixando os Estados Unidos, como Fábio Brasil, de 27 anos, que no fim de 2011 trocou a colher de pedreiro com a qual ganhava a vida por um recomeço nas obras de Fernandes Tourinho, nos arredores de Governador Valadares (MG)

da redação

Muitos brasileiros também estão deixando os Estados Unidos, como Fábio Brasil, de 27 anos, que no fim de 2011 trocou a colher de pedreiro com a qual ganhava a vida por um recomeço nas obras de Fernandes Tourinho, nos arredores de Governador Valadares (MG), tradicional exportadora de massas trabalhadoras. A construção civil americana fechou milhares de vagas, interrompendo o sonho do operário, que recebia US$ 20 por hora, dinheiro que servia para o sustento da esposa e duas filhas no Brasil. Agora, trabalha por um salário mínimo: "Recebo menos por aqui, mas não me arrependo de ter voltado. Pelo menos tenho serviço. Lá, não adiantava mais procurar", disse.

Segundo a pesquisadora Sueli Siqueira, os "retornados" encontram dificuldades para voltar ao mercado de trabalho. "Muitas vezes eles têm experiência, mas não conseguem comprová-la. Antes, eles voltavam com algum dinheiro e tentavam abrir um negócio. Hoje, a maioria volta sem nada", diz Sueli.

Foi o caso de José Francisco Reis, de 50 anos, que viveu sete anos nos EUA, trabalhando numa fábrica de granitos. Conseguiu pagar dívidas e uma casa em Valadares, mas não engordou a poupança. Foi demitido no ano passado e conseguiu um emprego de caseiro na Flórida, mas o trabalho apenas garantiu o retorno ao Brasil. Sua mulher, Marcilene Rezende, de 48 anos, que ficou no Brasil todo o tempo, se diz frustrada: "A gente pensava que ir para lá era a solução dos problemas. É claro que ajudou. Pagamos a casa. Mas esperávamos muito mais. Esperávamos ter a vida resolvida. Agora, ele está sem emprego por aqui e tem feito "bicos" de pedreiro", disse.

Na Espanha, alguns brasileiros foram buscar oportunidades em outros países da Europa, menos afetados pela crise. Após 18 anos em Madri, Jane Torres foi demitida de uma multinacional onde trabalhava como gestora de cobranças e acabou se mudando para a Suíça: "Estou passando uma temporada na casa de uma amiga. Está complicado porque não falo alemão, mas ajudo minha amiga com as crianças e ela me paga por isso. Não é isso que eu quero, adoro a Espanha e o meu trabalho", afirma.

Foi também pela falta de perspectivas que Rafael Del Castillo, de 29 anos, deixou a capital espanhola em 2011. Na época em que chegou a Madri, em 2007, viveu o vigor econômico do país, com muitas obras e o otimismo do povo. "Agora estão todos insatisfeitos e sem esperança. Não sabem como vão sair da crise — afirma ele, que trocou a Espanha pela Holanda", conclui.

Pelo Censo 2010, o número de brasileiros que viviam no exterior e voltaram ao Brasil era de 174.597, o dobro (98,6%) dos 87.886 registrados pelo Censo 2000.

Fonte: Brazilian Times