Publicado em 21/11/2012 as 12:00am

Brasileiro rouba coração de âncora da ABC

"Hoje soa estranho aos ouvidos quando alguém fala: 'vamos a um casamento inter-racial este final de semana'. A gente espera que em alguns anos também soe estranho ouvir vamos a um casamento gay", diz Rubem Robierb, fotógrafo brasileiro. Em dezembro, ele s

da redação

“Hoje soa estranho aos ouvidos quando alguém fala: ‘vamos a um casamento inter-racial este final de semana’. A gente espera que em alguns anos também soe estranho ouvir vamos a um casamento gay”, diz Rubem Robierb, fotógrafo brasileiro. Em dezembro, ele se casa com Sam Champion, âncora do tempo do programa matinal, Good Morning America, da rede de televisão americana ABC. “Não existe casamento inter-racial ou gay. Existe casamento entre duas pessoas”.

Mas casamento gay ainda é ilegal em vários estados norte-americanos, inclusive na Flórida. O matrimônio civil será realizado em Nova York, onde é permitido casamento entre dois homens ou duas mulheres, e a festa será em Miami, com poucos e seletos convidados. “A gente não quer transformar num grande evento. Em Nova York, seria uma festa para 500 pessoas, mas não é a nossa cara”, diz o brasileiro. “Se pudéssemos casar na praia com as 20 pessoas mais próximas, pé na areia, seria o ideal, mas não é possível por questão de logística, porque não pode ter segurança na praia.”

Em Nova York e Miami, o casal costuma andar de mãos dadas nas ruas e recebeu muitos cumprimentos e carinho do grande público que assistiu, recentemente, o anúncio do casamento e a declaração de amor de Champion ao companheiro, feita ao vivo durante o programa da ABC. “Encontrei a pessoa mais maravilhosa, carinhosa e cuidadosa. Tenho a maior sorte do mundo de ter uma pessoa assim na minha vida”, disse publicamente o âncora americano.

Os dois já se relacionavam há dois anos. Champion nunca escondeu sua homossexualidade, mas preferia manter sua privacidade até encontrar o fotógrafo e artista brasileiro. “Sam sempre foi uma pessoa muito discreta e reservada, mas se você encontra alguém que você quer dividir sua vida, isso é um fato relevante e você não pode esconder”, diz Robierb, que hoje divide sua vida entre Miami e Nova York, onde amanhã abre a exposição da série “Bullet-Fly Effect” na galeria Emmanuel Fremin em Chelsea, que vai até 10 de novembro.

Rubem nasceu em Bacabal, no Maranhão, criado pela sua mãe, dona Maria das Graças de Freitas. Aos 14 anos, foi morar em São Luís, na casa de amigos da família, um casal de idade que, hoje, é como se fosse seus avós. Quando completou faculdade de turismo e hotelaria, resolveu passar um mês de férias em São Paulo e acabou ficando por lá.

Foi na capital paulista que descobriu a fotografia. Sempre gostou de escrever e queria publicar um livro de poesias, mas precisava de imagens. Fotografando para seu livro, descobriu sua nova paixão. “Queria aprender fotografia para ilustrar meu livro”, diz Robierb. “Seis meses depois, me apaixonei por fotografia”.

Com o tempo, montou um estúdio e passou a fotografar modelos, mas queria mesmo era fazer fotografia artística. “Comecei a fotografar todo tipo que eu achava interessante, que tinha uma personalidade interessante. Sempre via beleza em todo tipo de gente”, diz ele. “Se via uma mulher obesa, interessante, achava ela linda e pedia para fotografá-la nua”. E foi com essas fotografias artísticas que lançou sua carreira internacional.

Em 2005, recebeu um convite para expôr sua séria Brésil Autrement em Aix-en-Provence, na França. De lá, seguiu para Paris, Mônaco, Zurique e Milão. Dois anos depois, voltou para São Paulo, mas sua passagem por lá não durou muito. Resolveu vir a Miami no fim de 2007 para a famosa feira de arte Art Basel e aqui ficou e conheceu seu futuro marido.

Eles estão comprando um apartamento em South Beach para os fins de semana e devem passar mais tempo agora em Nova York, onde Robierb está montando seu novo estúdio.

Mas ele diz que não querem nada de presente para casa. Estão pedindo de presente de casamento doações para a ONG americana Point Foundation, que dá bolsas de estudos para jovens homossexuais. “Desde muito jovem, meu sonho é montar uma fundação que ajude crianças carentes extremamente talentosas no meio da arte a terem uma oportunidade de vida melhor. Assim, consequentemente, vão dar uma oportunidade de vida melhor para sua família, sua comunidade, para pessoas ao seu redor”, diz ele. “Se você dá uma chance de uma exposição internacional para essa criança e ela vê o talento que tem, como eu vi um dia, e percebe que pode ser alguém na vida, que pode fazer a diferença, ela no futuro vai ajudar a transformar a vida de algumas pessoas que estão ao seu redor, como eu tento fazer para minha família. É uma pirâmide, assim que é a vida”.

E uma das grandes alegrias de sua vida é poder ajudar sua mãe, que hoje mora em seu apartamento em São Paulo e, recentemente, resolveu retomar os estudos. Passou no vestibular e está fazendo faculdade de pedagogia. “Os professores não dão mole para ela porque tem 61”, diz Robierb, orgulhoso. (fonte: http://colunistas.ig.com.br/diretodemiami)

Fonte: Brazilian Times