Publicado em 8/03/2013 as 12:00am

Pastor José diz que Devair é um criminoso

Preso desde o dia 7 de janeiro, acusado de ter violado uma ordem judicial de não se aproximar de uma pessoa, Devair Teodoro de Lima, conhecido como Devair Lucas, deve torcer para cumprir pena nos Estados Unidos. A cadeia aqui seria a única forma dele esca

Beto Moraes

Preso desde o dia 7 de janeiro, acusado de ter violado uma ordem judicial de não se aproximar de uma pessoa, Devair Teodoro de Lima, conhecido como Devair Lucas, deve torcer para cumprir pena nos Estados Unidos. A cadeia aqui seria a única forma dele escapar da última das condenações ainda não prescrita no Brasil, onde responde por nove artigos, incluindo o 139 (difamação) e 171 (estelionato). A promotoria pública de Minas Gerais deve pedir sua extradição.

A polícia de Framingham, responsável pela prisão do brasileiro em janeiro deste ano, ainda investiga os crimes de extorsão em que Devair Lucas é acusado. Há dois anos ele e mais duas pessoas tiraram de um empresário mineiro $ 30 mil, depois de uma série de ameaças graves contra a família da vítima.

Os investigadores receberam a denúncia e têm cópias dos cheques, recibos e gravações onde Devair Lucas dizia que ‘não tinha medo da polícia e nem da justiça e apenas queria seu dinheiro’. Ele alegava que os pais do empresário teriam comprado um terreno há três décadas sem pagar-lhe a comissão. Com ameaças de matar os envolvidos, Devair Lucas conseguiu levantar $ 30 mil.

"Eu queria me livrar daquele tormento", disse a vítima.

Na negociação dos $ 30 mil, Devair Lucas usou o Pastor José de Souza como testemunha no documento reconhecido por um notário público. "Eu o ajudei por piedade, assim como muitas pessoas da comunidade", disse o Pastor.

Mas de aliado na trajetória de Devair Lucas nos Estados Unidos, o Pastor José de Souza diz que se tornou também vítima de ameaças do acusado. "Quando percebi que ele não prestava, que era um criminoso, me afastei dele e avisei a mãe dele no Brasil que não o ajudaria mais", afirmou Souza. "Eu o ajudei com dinheiro para aluguel, para comida quando ele estava com fome", completou.

Segundo o Pastor, Devair era uma pessoa difícil. "Quando ele foi preso no passado pela Imigração a mãe dele me pediu ajuda, ligando mais de 10 vezes. Eu o ajudei. Dei o cheque para o pagamento de uma advogada ($ 2,5 mil) que depois confirmei que ele nem mesmo a pagou. Ele sacou o dinheiro. A mãe do Devair chegou a me dizer por telefone que o ‘filho dela era assim: quando ouvia alguém falando dele, fosse o que fosse, ele virava inimigo’."

Mas as inimizades de Devair Lucas em Massachusetts foram compradas à base de mentiras. Ele criou um site e o usava para difamar pessoas conhecidas na sociedade, a maioria pastores. "Quando percebi que ele não era correto, eu imediatamente me afastei dele", disse o Pastor. "Lugar de criminoso é na cadeia. Se eu soubesse que o Devair Lucas era assim, eu o teria denunciado", completou o pastor da Igreja Assembléia de Deus Salvação das Graças, em Everett.

Devair Lucas já foi condenado no Brasil por uma série de crimes e, segundo a promotoria pública, tem em sua lista de antecedentes criminais, nove artigos: 329 – Resistência; 138 – Calúnia; 139 – Difamação; 140 – Crime contra a honra; 147 – Ameaça; 171 – Estelionato; 330 – Desobediência; 158 – Agressão; e 344 – Violência ou grave ameaça.

Se somadas todas as penas em que já foi condenado no Brasil, Devair teria que ter passado mais de duas décadas na prisão. Agora, seu nome não consta na lista da Interpol mas a promotoria pública de Minas Gerais deve pedir sua extradição. Uma das condenações que ainda vigora prescreve no próximo mês de junho. Se Devair Lucas for entregue à Justiça brasileira antes de data, ele terá que cumprir toda a pena.

Em Massachusetts, Devair Lucas está sob a custódia do estado e não da Imigração. Ele responde ao processo como preso comum e não como imigrante. Se for condenado no país, Devair Lucas cumpre a pena e pode ser deportado em seguida. Mas se isso acontecer depois da metade deste ano, ele chega ao Brasil sem dívidas com a sociedade.

Segundo o Pastor José de Souza, Devair usava um nome falso nos Estados Unidos e quando foi preso há dois meses procurou ajuda com um pastor de Framingham. "Quando me procuraram, eu neguei. Não iria ajudar a uma pessoa que vi que era criminosa", disse Souza, apesar de reconhecer que no início de fevereiro contribuiu com $ 100 para Devair na prisão. "Estava visitando outros três presos quando vi um outro pastor visitando o Devair. Mandei para ele os mesmos $ 100 que mandei para as pessoas que estava visitando. É um dinheiro que eles usam para comer na cadeia", afirmou o pastor.

Souza disse que não viu Devair na cadeia mas que numa de suas últimas conversas com o brasileiro teria dito que ‘ele era um morto-vivo. Uma pessoa ruim’.

Fonte: Brazilian Times