Publicado em 13/03/2013 as 12:00am

Ilton Lisboa destaca trabalho comunitário e força da comunidade

A equipe de reportagem do Brazilian Times entrevistou, esta semana, o ativista Ilton Lisboa. Nascido no norte de Minas Gerais, na cidade de Almenara, se mudou para os Estados Unidos no ano de 1988 e vive até hoje na cidade de Framinghan (Massachusetts).

Istael de melo

A equipe de reportagem do Brazilian Times entrevistou, esta semana, o ativista Ilton Lisboa. Nascido no norte de Minas Gerais, na cidade de Almenara, se mudou para os Estados Unidos no ano de 1988 e vive até hoje na cidade de Framinghan (Massachusetts).

Ele iniciou sua jornada na Sodex, trabalhando para essa companhia por 21 anos, da qual tirou o sustento para a família e o sonho realizado de formar três filhos nas melhores faculdades de Boston.

Ele também não se deixou vencer pelo cansaço, mesmo trabalhando todos os dias, fazendo até 100 horas por semana, conseguiu a proeza de se especializar em Nutrição Celular. E no conforto do seu consultório foi realizada a entrevista.

Ilton tem tido grandes resultados em prol dos imigrantes e, ao falar dos compatriotas, ele expressa orgulho de ser brasileiro e compaixão por todos que vivem neste país. Uma pessoa super carismática, que tem prazer de lutar em favor dos menos favorecidos. Ele faz questão de frisar que nunca aceitou e não aceita nem um centavo para tal.

BRAZILIAN TIMES - O que faz de você uma pessoa tão disciplinada?

ILTON LISBOA - Eu servi na força aérea brasileira, serviço de inteligência e acredito que foi onde aprendi a ser disciplinado.

BRAZILIAN TIMES - Nos conte alguma coisa que aconteceu com você na força aérea que até hoje faz parte da sua vida?

ILTON LISBOA - Bom, quando eu cheguei lá, a primeira coisa que ganhei de presente foi um livro: A carne e a saúde, e na mesma semana parei de comer carne.

BRAZILIAN TIMES - E quais as consequências boas que isso resultou na sua vida?

ILTON LISBOA - São várias. Vou citar apenas uma. Comecei a estudar sobre a carne e os legumes e hoje posso ajudar inúmeras pessoas a cuidar melhor da saúde.

BRAZILIAN TIMES - Vamos falar do seu trabalho na rádio? Como funciona?

ILTON LISBOA - Estamos na 650 AM, todas as quartas e quintas-feiras, de 6 às 7 Pm. Podem acessar também no site ww.wsro.com. Inclusive temos todas as quartas-feira um Tenente da policia de Framingham que responde, ao vivo, qualquer tipo de pergunta relacionada com o trânsito, carteira de motorista, multas, etc.

Inclusive temos todas as quartas-feira um Tenente da policia de Framingham que responde, ao vivo, qualquer tipo de pergunta relacionada com o trânsito, carteira de motorista, multas, etc.

BRAZILIAN TIMES - É verdade que o governador Deval Patrick falou em seu programa Conexão Brasil?

ILTON LISBOA - É verdade sim. Foi a primeira vez e única até hoje que o governador aceitou falar em uma rádio brasileira, com exclusividade, para a nossa comunidade.

BRAZILIAN TIMES - Qual foi a primeira pergunta a ser feita para Patrick?

ILTON LISBOA - Eu fiz questão de fazer a primeira pergunta. Eu disse a ele: o senhor sabe porque foi convidado a estar aqui hoje? Porque nos queremos lhe homenagear. Eu disse a ele: em nome de todos os imigrantes, eu quero te agradecer por ter revogado a lei que exigia a mostrar o green card como identificação ao ser parado pela polícia. Ele ficou surpreso e muito feliz. Foram várias manifestações de agradecimento.

BRAZILIAN TIMES - O chefe geral da imigração, Bruce Foucart, também esteve no seu programa. Como foi isso?

ILTON LISBOA - Bom, esse dia foi inédito. Batemos recorde de audiência. Bruce falou diretamente com as pessoas, respondendo todas as perguntas. Nunca tivemos um público tão presente como nesse dia.

BRAZILIAN TIMES - Qual foi a mais recente autoridade convidada para o seu programa de rádio?

ILTON LISBOA - Foi a chefe de justiça da corte de Worcester. Falamos sobre tudo. Perguntei o que era estupro, ela foi explicando. As pessoas ligavam fazendo todo tipo de pergunta. Alguém perguntou: posso chamar a polícia se eu ver alguém fazendo xixi na rua? Ele respondeu que deve chamar a polícia local, pois isso se enquadra como um ofensor sexual. Foi muito proveitosa nossa conversa, pois as pessoas precisam aprender, temos que educar nosso povo.

BRAZILIAN TIMES - Você me disse que vários chefes de polícia já participaram do seu programa. Cite algumas cidades representadas.

ILTON LISBOA - Somerville, Everett, Framingham, Marlborough, Milford, etc.

BRAZILIAN TIMES - Quais os desafios e conquistas que você pode compartilhar alguns com leitores do Brazilian Times?

ILTON LISBOA - Claro, com muito prazer. Há um tempo atrás, algumas escolas estavam exigindo três identidades legais, para matricularem seus filhos na escola. Convoquei uma reunião com a prefeita da cidade, alguns vereadores e um dos diretores da escola local e graças a Deus conseguimos vencer essa luta.

BRAZILIAN TIMES - Isso é um absurdo. Como ficariam essas crianças sem estudar?

ILTON LISBOA - Havia uma proposta de se implantar um escritório de imigração na cidade de Marlborough. Lutamos para derrubar essa ideia e conseguimos. Na verdade, eu tive dois encontros com um anti-imigrante aqui de Framingham. Conversei com ele, mostrando o valor de cada imigrante, dos brasileiros que vivem na cidade, da realidade de cada um, que trabalham duro para ter uma vida digna, criando seus filhos e ao mesmo tempo contribuindo para a nação. No nosso segundo encontro ele já estava olhando a comunidade com outros olhos e disposto a conhecê-la melhor. Conclusão: parou com a perseguição. Outra conquista maravilhosa que obtivemos foi em relação aos passaportes confiscados pelos policiais. Quando tomei conhecimento do que estava acontecendo, levei a reclamação da comunidade até ao Embaixador Mário Saad. Ele me pediu para convidar todos os chefes de policia que estivesse ao meu alcance. Marquei uma reunião entre o Consulado de Boston com os chefes de policia de Malborough, Framingham, Everett e Milford. Lá eles viram como era processado o passaporte dos brasileiros, o custo de cada um e que era um documento sério. A partir dai, os policiais passaram a respeitar os passaportes e não mais confiscá-los.

BRAZILIAN TIMES - Você faz esse trabalho totalmente voluntário e sozinho?

ILTON LISBOA - Sempre sozinho. Os líderes da comunidade só querem aparecer e levar vantagem naquilo que fazem. Como eu te disse no início da entrevista, eu nunca aceitei um centavo para defender a comunidade e não aceito. Não aceito doações e nem presente. Se alguém vem com presente para mim, indico alguém que está precisando. Nunca irei ser subornado por ninguém. Mesmo com meu trabalho aqui no consultório, ainda arrumo tempo para ir com as pessoas na corte, faço reuniões em prol da comunidade, trabalhos voluntários, programa de radio e outros. Eu não entendo como eu tenho tanto privilégio com as autoridades aqui desse país e também com as do nosso Brasil. Eu ligo para o embaixador, senador, polícia e todos eles me atendem com a maior satisfação. Talvez seja porque não negócio o meu caráter e nem com a história da minha vida. E faço sempre questão de dizer que tenho orgulho de ser brasileiro!

Fonte: Brazilian Times

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