Publicado em 18/03/2013 as 12:00am

Rondoniense preso em Newark é levado pelo ICE

Caso seja deportado ao Brasil, Juarez enfrenta outra ameaça: O "coiote" que o trouxe aos EUA insiste em receber o restante da dívida e ameaça matá-lo, caso não a pague

Na manhã de terça-feira (12), o rondoniense Juarez Fagundes, de 43 anos, residente no bairro do Ironbound, em Newark (NJ), foi transferido do Centro de Detenções Delaney Hall, na Doremus Avenue, na mesma cidade, para o estado da Louisiana. Segundo Ilma, esposa de Juarez, ele foi acordado às 6 e meia da manhã pelo carcereiro que o instruiu a arrumar os seus pertences, pois ele seria transferido naquele mesmo dia para outro centro, não detalhando a localização.

Preocupada e sem saber do paradeiro do marido, Ilma contou com a ajuda de membros da Paróquia da Igreja Saint James que através da Internet, tendo como base o número de registro do brasileiro na prisão, conseguiram localiza-lo em um novo centro de detenção de imigrantes na Louisiana.

"Eles (autoridades) o acordaram e mandaram arrumar as coisas, porque ali não tinha mais lugar para ele. As crianças sentem a falta do pai. A minha filha mais velha costuma rezar, ‘Jesus confio em vós’, realmente, é muito triste", desabafou Ilma.

Quando ainda estava detido no centro de detenções em Newark (NJ), Juarez, que trabalhava na construção civil, recebia a visita constante das duas filhas, ambas nascidas nos Estados Unidos, que eram levadas por amigos. Entretanto, depois que foi transferido para a Louisiana, quase não se comunica mais com a família, pois a ligação do presídio para outros estados custa em média US$ 6 o minuto, segundo ela.

O advogado que atualmente representa Fagundes tentará um novo pedido de apelação na Louisiana, pois já venceu o prazo de 30 dias para que a primeira apelação fosse apresentada em Nova Jersey, informou Ilma. A primeira apelação não foi realizada porque a família do brasileiro não tinha condições financeiras de pagar um advogado quando ele foi detido pelas autoridades.

A saga vivida por Juarez vem comovendo os membros brasileiros da Paróquia da Igreja Saint James. Desde 19 de junho do ano passado, ele estava detido no Centro de Detenções de Imigrantes, localizado na Doremus Avenue, enquanto aguardava o desfecho incerto do seu processo de deportação. Segundo Ilma, em 19 de junho, ele a levou de carro ao trabalho na cidade de Harrington Park (NJ), onde ela iria limpar uma casa para uma amiga que estava no Brasil. Enquanto aguardava a esposa com as duas filhas do casal, de 4 e 2 anos, no interior do veículo, ele foi interpelado por um policial municipal que perguntou-lhe o que fazia naquela área. Como não falava inglês, ele telefonou para a esposa que saiu da casa e explicou ao policial que se tratava de seu esposo e suas filhas e que eles estavam aguardando-a terminar a limpeza para voltarem para casa. Então, Juarez moveu o carro, o estacionou em frente à residência na qual sua esposa trabalhava e ficou no jardim brincando com as duas meninas.

Insatisfeito, o policial retornou ao local e pediu que Juarez escrevesse em um pedaço de papel os nomes dos seus pais e voltou à viatura. Instantes depois, o mesmo policial dirigiu-se ao brasileiro e anunciou ordem de prisão, alegando que ele tinha uma ordem de deportação por ter entrado clandestinamente através da fronteira mexicana.

Impassível, o policial não atendeu ao pedido da brasileira, sua patroa norte-americana e a filha da patroa, que, coincidentemente, havia se graduado em Direito naquela mesma semana. O policial algemou Juarez em frente às suas duas filhas, que choravam e pediam para não levar o pai embora.

Na esperança de libertar o marido, a esposa de Fagundes contratou um advogado que cobrou US$ 1.500 para tentar reabrir o caso, em vão. Um segundo advogado cobrou a mesma quantia para representar o caso, também em vão. Após pagar uma média de US$ 200 para várias consultas com outros advogados, o dinheiro acabou e a família passou a depender da caridade dos amigos da igreja.

Amigos que acompanham o drama vivido pelo brasileiro organizaram um abaixo-assinado com 155 assinaturas e 10 cartas de recomendações, declarando que Juarez trabalhava na construção civil, é uma pessoa honesta e não possui antecedentes criminais. Os papéis foram anexados ao processo do brasileiro, mas, aparentemente, não surtiram resultado.

Enquanto aguarda o destino incerto, sua esposa luta para conciliar o trabalho de faxineira e cuidar sozinha das duas meninas. O aluguel está atrasado há vários meses e os poucos mantimentos na geladeira foram doados por amigos ou entidades assistenciais.

Caso seja deportado ao Brasil, Juarez enfrenta outra ameaça: O "coiote" (traficante de pessoas) que o trouxe aos EUA que insiste em receber o restante da dívida e ameaçou mata-lo, caso não a pague. Na ocasião, a travessia clandestina pela fronteira mexicana custou ao brasileiro US$ 14 mil. Após pagar US$ 4 mil, Juarez ficou devendo US$ 10 mil, entretanto, o coiote acrescentou juros pelo atraso e agora quer receber US$ 18 mil.

Fonte: Brazilian Voice