Publicado em 7/05/2013 as 12:00am

Brasileiro que vai ao Afeganistão fala com exclusividade ao BT

O mineiro naturalizado estadunidense, Bruno Saraiva, que serve o Exército dos Estados Unidos desde 2001, conversou com a redação do jornal Brazilian Times e falou de sua experiência durante a guerra no Iraque e de sua ida para o Afeganistão. Ele é natural

Luciano Sodré

BRAZILIAN TIMES - Quando você entrou para o Exército, tinha certeza de que poderia ser convocado para uma guerra?
BRUNO SARAIVA - Inicialmente, eu me entrei para o exército como reservista em um tempo de paz. Eu fui o primeiro da minha família a servir as forças armadas e realmente não sabia o que esperar. Eu estava em um treinamento avançado individual quando fomos atacados no "11 de Setembro"

BT - Qual foi sua reação ao ser convocado para a guerra no Iraque?
BS - Bem, o processo de transição da reserva para o campo de batalha durou cerca de um ano. Quando recebi a ordem de ir para o Iraque eu sabia que seria difícil, mas estava orgulhoso de poder servir o meu país EUA.

BT - Qual foi os seus maiores aprendizados nesta guerra?
BS - Existem muitas lições que podemos aprender em uma guerra. Eu amadureci muito, aprendi que o próprio tempo é um dom precioso e que não podemos desperdiçá-lo, aprendi a ser grato por tantas coisas. Fui a Bagdá (capital do Iraque) e percebi que gostava de ser um soldado e um médico em combate e que eu poderia fazer uma carreira no Exército dos EUA.

BT - Quantas vezes você voltou ao iraque?
BS - Eu fui ao Iraque duas vezes.

BT - Hoje você vive em uma base militar. É muito diferente de viver numa área civil?
BS - Atualmente, vivo em um posto militar e é como uma da cidade. Existem áreas de formação, áreas de escritórios, escolas, serviços religiosos, comerciais, postos de gasolina, hospitais, farmácias, Starbucks, Burger King, centro de educação, faculdades, creches, etc.

BT - Agora a sua ida é para o Afeganistão. Você acha que será igual ao Iraque ou não tão ameaçador?
BS - Não será, mas eu jamais irei subestimar o inimigo. No Iraque eu servi ao lado da Polícia Militar e agora vou ao Afeganistão servindo em uma unidade de infantaria.


BT - Qual a razão dos EUA ainda estar em ação no Afeganistão?
BS - Prefiro não comentar este assunto

BT - Quando você está no meio de uma guerra, quais lembranças vem à sua mente? Família, infância no Brasil ou você só focaliza na missão?
BS - Quando você está em um campo de batalha, por diversos momentos pensamos na família. Não foi diferente comigo. Ficava olhando as fotografias, até mesmo o telefone e Skype a espera de notícias e de dar notícias. Mas quando estou em uma missão, é preciso ficar ficado e ciente do que nos rodeia.


BT - Muitos jovens brasileiros têm vontade de estar no Exército dos Estados Unidos. O que você falaria para eles?
BS - Eu incentivo a todos a participar. Gostaria de convidar a todos para servir pelo menos três anos no exército. Por causa disso, hoje sou um homem bem melhor. Eu aconselharia aos meus filhos para ir à faculdade e depois adoraria que eles servissem ao exército.


BT - Servir o exército foi algo que você sempre quis?
BS - Não. Eu fui o primeiro da minha família a servir e era ignorante sobre assuntos militares.

BT - Deixe uma mensagem para todos os brasileiros e pessoas de outras nacionalidades que ficarão aqui orando por você e pela segurança de todos e por um retorno são e salvo:
BS - Eu gostaria de agradecer o apoio contínuo deste jornal e acrescentar que acredito no poder da oração. Sou muito grato por ter tanto apoio da família, amigos e até pessoas que não me conhecem, mas se lembram de mim em suas preces.



legenda
Bruno Saraiva irá para o Afeganistão

Fonte: Brazilian Times