Publicado em 10/05/2013 as 12:00am

Casal brasileiro que se conheceu no rodeio de Brockton (MA) luta contra deportação

Um brasileiro, que mora em Kearny (New Jersey), acusado de entrar ilegalmente nos Estados Unidos está enfrentando um processo de deportação e tenta sensibilizar o Governo Federal através de uma petição online.

Da redação


O documento já conta com centenas de pessoas dando apoio a Leandro "Leo" José Frageri Carlos.

De acordo com o advogado de defesa, Rudy Rodas, o brasileiro, que tem 30 anos de idade, se mudou do Brasil para os Estados Unidos em 2004 e atualmente mora na cidade de Kearny, com sua noiva, uma filha e uma enteada. O porta-voz do Departamento de Imigração em Newark (NJ), Harold Ort, afirmou que Leo tem uma ordem de deportação datada de 2005, a qual ele não cumpriu. "O ICE adotou um senso comum em todo o país para garantir que nossas leis de imigração sejam aplicadas para tornar melhor a segurança pública, segurança na fronteiras e integridade do sistema imigratório", disse.

Ele acrescentou que o ICE adotou como prioridades programas ficados na identificação e remoção daqueles que tem descumprido as leis penais do país, atravessaram a fronteira, violaram a lei ou são fugitivos da Imigração (não compareceram à Corte). "Como um fugitivo, Leo está na lista de prioridade para deportação", afirmou.

O brasileiro foi encontrado e preso no dia 16 de abril de 2013, do lado de fora de sua casa e agora está detido em Dalaney Hall, um centro de detenção federal em Newark.

O advogado Rudy Rodas disse que o brasileiro não tem nenhum antecedente criminal e sua ordem de deportação não é por ele ter cometido algum crime. "Leo entrou neste país ilegalmente a procura de uma vida melhor. Ele trabalha na construção civil nos condados de Essex e Hudson, mas já exerceu funções como garçom e barman", acrescenta. "É desta forma que ele provém o sustento de sua família", continua.

De acordo com o advogado, Leo é natural de Cuiabá, capital do Mato Grosso e antes dele, sua mãe e sua irmã vieram para os Estados Unidos. "Depois que elas já estavam estabelecidas no país, o rapaz decidiu se juntar às duas", explica ressaltando que ele já morou no Ironbound em Newark e Elizabeth antes de se fixar residência em Kearny.

A noiva do brasileiro, Flaviane de Souza, disse que veio para os Estados Unidos em 1996 trazida pelos seus pais. Ela é natural de São Paulo e sua mãe tornou-se cidadã norte-americana pouco depois. A família dela está estabelecida em Massachusetts e o seu primeiro encontro com Leo aconteceu no ano de 2009, durante um rodeio realizado na cidade de Brockton (MA). "Logo depois eu engravidei e tivemos a Giovana, que hoje tem dois anos de idade", disse acrescentando que decidiu se mudar para New Jersey e viver com ele.

Flaviane tinha outra filha, Letícia, que agora tem 10 anos de idade, e o pai biológico está morando em New Hamsphire. Mas Leo não se incomodou com isso e adotou a menina como se fosse sua.

Caso Leo seja deportado para o Brasil, Flaviane disse que ficará em uma situação difícil, pois se seguir o noivo, o pai da primeira filha poderá se opor e não permitir que ela leve a menina junto. "Minha filha vive chorando, pois ela já entende o que pode acontecer", fala. "Olhe a taxa de criminalidade no Brasil, a saúde é uma das mais precárias do mundo, com filas em hospitais e faltando profissionais. Se voltaremos, será uma mudança horrível em nossas vidas. Vai ser uma escolha difícil", explica. "Eu não quero pensar nisso, pois um monte de gente vai se machucar", continua.

Joanne Gottesman, professor na Rutgers University Law School e ativista pró-imigrante, disse que a situação do brasileiro não é ocorrência isolada nos dias atuais. Segundo ele, a aplicação das leis de imigração, pelo ICE, é uma constante em todo o país e isso aumentou depois que o governo Obama anunciou o interessem em uma reforma nas leis de imigração.

O prefeito de Kearny, Alberto Santos, ficou sabendo do caso do brasileiro e disse que o Congresso precisa ter em mente que, "nós temos uma população muito grande em todo o país de pessoas sem documentos que estão realizando os trabalhos que são muito difíceis, geralmente nos comércios, indústrias de restaurante e paisagismo em geral. Eles devem pagar impostos e seus empregadores devem pagar impostos. Deve haver uma maneira de conceder a esses indivíduos o status de trabalho e, mais tarde, podemos discutir se que deverá conduzir a um caminho para a cidadania"

O prefeito acrescenta que se o país continuar com estes programas de deportação, logo a agroindústria vai sentir e passará por problemas econômicos. "Algumas podem até fechar as suas portas se os funcionários imigrantes forem expulsos do país", afirma. O prefeito é um imigrante que entrou nos Estados Unidos em 1970.

(texto: Luciano Sodré)

 

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Leandro Frageri, sua noiva Flaviane de Souza e a filha Giovana


Fonte: Brazilian Times