Publicado em 10/05/2013 as 12:00am

Grupos imigrantes em Somerville ainda temem racismo após atentado em Boston

Um grupo que defende os direitos dos imigrantes, com sede em Somerville (Massachusetts), salientou na semana passada a sua preocupação com as reações que ainda podem surgir contra esta comunidade, motivadas pelo atentado na Maratona de Boston.

da redação


Durante um evento realizado no fim de abril, pelo Centro Presente, alguns ativistas e líderes comunitários, falaram deste medo e sobre o que fazer caso haja um crescimento no sentimento de ódio por parte de alguns norte-americanos em relação à presença dos imigrantes no país.

Segundo Oscar Chacon, diretor-executivo da National Alliance of Latin American and Caribbean Communities disse que o atentado poderá provocar um impacto muito grande sobre o debate nacional em torno da reforma imigratória. "Mesmo alguns defendendo que isso não acontecerá, é sabido que os grupos anti-imigrantes estarão realizando os seus manifestos e se aproveitando da ocasião para agir", explica.

Ele acrescenta que a maioria dos políticos em Massachusetts não estão associando o fato à presença dos imigrantes, mas que no cenário nacional isso não está acontecendo. "É essencial reformularmos a maneira como as pessoas vêem os imigrantes", fala, pois mesmo em nosso estado alguns norte-americanos qualificam a nossa comunidade como sanguessugas.

O prefeito de Somerville, Joe Curtatone, também demonstra a mesma preocupação e divulgou uma nota afirmando que alguns políticos estão usando o atentado para defender suas opiniões contra os imigrantes. "Mas eu estarei indo às ruas para defender a comunidade imigrante e lutar por uma reforma nas leis de imigração que abra caminho para a legalização dos milhões que contribuem para o crescimento do país", acrescentou.

Natalícia Tracy, diretora-executiva do Centro do Imigrante Brasileiro (CIB, também esteve presente no evento e disse que conhece várias famílias brasileiras que vivem próximo onde aconteceu o atentado e onde houve a caçada aos terroristas. Ela acrescentou que o FBI bateu em algumas portas e as pessoas ficaram com medo, pois não tinham escolha e eram obrigadas a abrirem as portas. "Algumas delas estão recebendo acompanhamento psicológico por causa do trauma sofrido", disse.

Uma destas pessoas é Adson da Silva, que afirmou à alguns veículos de comunicação que a noite da caçada "foi o pior pesadelo de sua vida". Ele lembra o barulho dos helicópteros ao redor de sua casa, a presença de dezenas de agentes do FBI que invadiram as ruas e causaram muito medo, mesmo diante de toda educação de cada um. "Eles são educados", disse ele acrescentado que "não tem nenhuma queixa sobre a polícia."

 

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foto 01 - Natalícia Tracy conhece muitas pessoas afetadas diretamente pelo atentado

 

foto 02 - Adson: "a noite da caçada foi a pior noite da minha vida"


Fonte: Brazilian Times