Publicado em 22/05/2013 as 12:00am

Brasileiros se dizem prejudicados pela SO Express Moving

Enquanto no Brasil os legisladores aprovam mudanças nas leis que regem o sistema portuário brasileiro, nada se fala em relação às milhares de pessoas que tiveram seus pertences apreendidos pela Receita Federal. Elas enviaram caixas com ítens pessoais, pro

Luciano Sodré

Enquanto no Brasil os legisladores aprovam mudanças nas leis que regem o sistema portuário brasileiro, nada se fala em relação às milhares de pessoas que tiveram seus pertences apreendidos pela Receita Federal. Elas enviaram caixas com ítens pessoais, produtos que levaram anos para comprar, lembranças familiares, mas o despreparo e "imprudência" de algumas empresas ocasionou nas irregularidades que culminaram na apreensão das mercadorias.

Na segunda-feira (20), o brasileiro natural de Santa Catarina, Sérgio Hipólito a Silva, esteve em contato com a redação do jornal Brazilian Times para relatar a "luta" que está travando contra a SO Express Moving e a justiça brasileira no sentido de reaver três caixas que enviou para o Brasil em agosto de 2012.

Segundo ele, a previsão de chegada e prometida pela empresa tanto para ele quanto nos anúncios divulgados em alguns veículos de comunicação. "O problema é que eles não cumpriram e ainda me colocaram em uma enrascada, pois sem minha autorização, enviaram um contêiner em meu nome", fala ressaltando que ele apenas pagou por três caixas. "Me usaramde laranja", continua.

Ele conta que em janeiro deste ano, ele recebeu um documento da Receita Federal solicitando alguns documentos para a retirada do material, mas quando foi constatar descobriu que havia um contêiner inteiro em seu nome. "Eram 73 caixas, das quais 70 não eram minhas e tudo foi enviado pela SO Express em meu nome", denuncia.

Foi a partir de então que todos os problemas começaram e Sérgio iniciou uma briga para tentar provar que não se tratavam de produtos destinados a ele e, ao mesmo tempo, tentar reaver somente as três caixas enviadas que a SO Express não lhe entregou.

Sérgio ligou para uma aduaneira estabelecida no porto de Itajaí (SC), onde estava a encomenda. "Ela me confirmou que realmente havia um contêiner em meu nome e que dentro dele tinham 73 volumes", continua.

Imediatamente ele ligou para o escritório da SO Express e falou com uma pessoa identificada por Fernanda. "Ela demonstrou irritação pelo fato de eu ter ligado para a Receita e buscar informações antes de ter falado com eles", fala ressaltando que pelo tom da conversa ele tinha feito algo que não estava em acordo com o esquema da empresa.

Segundo Sérgio, a pessoa que atendeu lhe informou que ele não deveria ter feito o que fez, e que é a SO e seus parceiros que deveria resolver o problema. "Mas achei que algo estava errado e fui atrás do que eu pensava estar certo e fui atrás dos documentos que a Receita me pediu", explica.

Mas alguns dias depois, a mesma Fernanda ligou para ele e disse que iria mandar um e-mail com os bens que estavam dentro do contêiner e que ele apenas deveria assinar e reconhecer firma reconhecendo-os como seu, "pois assim minhas três caixas seriam liberadas sem problemas e o mais rápido".

Mesmo diante dos argumentos utilizados por ela, Sérgio optou por não fazer isso "pois estaria aceitando o esquema da empresa e praticando irregularidade". O brasileiro ressalta que tentou falar com a Receita Federal sobre o assunto, mas que não passava de uma telefonista. "Eles nunca me atenderam", explica.

Com o passar do tempo, o brasileiro disse que foi ficando apavorado e que de um lado funcionários da SO Express ligavam constantemente para saber se havia assinado a lista de reconhecimento dos bens e do outro a Receita lhe pedindo documentos para retirar do por produtos que não era seus. "Foi então que consegui falar com uma pessoa identificada por Neoci, da aduaneira de Itajaí, a qual me orientou a assinar a lista e reconhecer os produtos", conta.

Mais uma vez, segundo Sérgio, sua vida foi envolvida em mais problemas, pois após assinar a lista e enviar junto com toda a documentação solicitada, no dia 26 de março recebeu um auto de infração emitido pela Receita Federal. "Apavorado, eu procurei um fiscal e ele me disse que eu não deveria ter assinado e quando mencionei que fui orientado pela pessoa que trabalha na aduaneira de Itajaí fui surpreendido de que não se trata de uma funcionária da receita e sim de uma empresa terceirizada", continua.

Em seu relato, Sérgio indaga como o governo brasileiro aceita que uma empresa terceirizada atenda e dê orientações sobre um problema como este e depois não pode se responsabilizar pelo que fez. "Isso é sinal de que existe algo muito errado nos portos brasileiros e me parece indícios de que o esquema é muito maior quando se trata de desvio de caixas enviadas por brasileiros que moram no exterior", denuncia.

Depois disso, ele procurou novamente o escritório da SO Express e foi informado de que ele deveria responder sozinho na justiça, pois a empresa não poderia se responsabilizar pelo assunto. "Eles tiraram o corpo fora e me deixaram como laranja na história", disse ressaltando que uma pessoa da Receita lhe orientou a procurar um advogado e pedir a impugnação e contestar o auto de infração.

Neste meio tempo, Sérgio procurou alguns veículos de comunicação em Massachusetts, os quais se negaram a publicar a sua história. "Também fui ameaçado pela SO Express a qual exigia que eu retirasse das redes sociais e sites de reclamações todas as minhas denúncias", conta. "Eles disseram que iriam me processar por calúnia", continua.

Sérgio fala também que a tal Fernanda lhe ligou e pediu para ele retirar o nome dela das reclamções, caso contrário iria procurar um advogado e que ela não fazia mais parte do quadro funcional da SO. "Isso é mentira, pois na semana passada, uma empresária de Woburn disse que falou com ela quando foi resolver assuntos da SO", fala ressaltando que a empresária também sofreu ameaças.

O brasileiro, bastante abatido e cansado com a história, disse que assinou o documento de reconhecimento porque se viu "entre a cruz e o punhal". Ele precisava de suas caixas e tanto a SO Express quanto a terceirizada da Receita no Porto de Itajaí o orientaram a assinar que tudo seria resolvido sem problemas. "Qualquer pessoa cairia nesta história se não tivesse outra opção", acrescenta.

OUTRAS DENÚNCIAS

Depois que Sérgio tornou pública a sua história, através de redes sociais e sites de reclamações, outras pessoas decidiram denunciar a empresa também. Alguns até postaram vídeos no You Tube mostrando como as caixas chegaram em suas residências. "Eles trocaram todos os pertences e me entregaram lixo e coisas de outras pessoas", relata uma pessoa no vídeo que pode ser visto no link: www.youtube.com/watch?v=RmAT4xVxZYo

A mesma pessoa relata que "Além de entregarem apenas lixo, ainda falaram para a policia que estávamos ameaçando eles. Como vamos ameaçar alguém que está em outro País?... eles pegaram os objetos novos e colocaram só lixo nas caixas e enviaram pro Brasil!"

Uma outra pessoa identificada por Luiz Felipe, comentou o vídeo e disse que em seu caso não entregam a caixa e já faz 10 meses que ele enviou. "Estou precisando de um representante ou procurador em MA para acioná-los na Small Claims. Alguém pode me ajudar?"

O OUTRO LADO DA HISTÓRIA

A equipe de reportagem do jornal Brazilian Times entrou em contato com o gerente da empresa SO Express Moving, Sérgio Oliveira, para saber o outro lado da história. Ele explicou que Hipólito sempre soube o que estava fazendo e que o contêiner se tratava de "contrabando" enviado pelo próprio para uma loja virtual que mantém no Facebook.

Segundo o gerente da empresa, Hipólito teria recebido, antecipadamente, o dinheiro de seus clientes, e como a Receita estava em uma operação lenta para liberar os contêineres nos portos brasileiros, "ele ficou pressionado pelas pessoas cobrando a entrega dos produtos".

Conforme relata o gerente, diante das pressões, Hipólito teria procurado a Receita para resolver o problema. "Mas todo o contêiner era dele e temos como provar através de documentos assinados por ele em nosso escritório", acrescenta ressaltando que tudo que está nas caixas tem como destino o comércio.

Sérgio Oliveira disse, ainda, que está movendo uma ação contra Hipólito e vai procurar processo junto a Suprema Corte. "Ele responderá pela difamação que está propagando a nosso respeito e também por nos usar como mula para levar seu contrabando para o Brasil", denuncia. "Ele já foi considerado culpado pela justiça brasileira", fala acrescentando que ninguém assina papéis sabendo que se trata de irregularidades. "Se realmente as caixas não eram deles, porque ele assinou. O mais sábio seria procurar u advogado ou ir à própria receita mostrar o tal e-mail que nós enviamos para ele", continua.

Fonte: Brazilian Times