Publicado em 1/07/2013 as 12:00am

Familiares prestam homenagem a brasileiro morto em acidente

Familiares e amigos prestam homenagem a brasileiro morto em acidente de moto

Da redação

 

O brasileiro Kleber Barbosa Peres, 38 anos, morreu no sábado (22) em um acidente na I-95, na região de Delray Beach (FL). De acordo com dados da Florida Highway Patrol, ele morreu depois que sua motocicleta colidiu com um carro, quando tentava uma ultrapassagem. A FHP afirma que o brasileiro tentou mudar de faixa e entrou no caminho do outro veículo. Já a namorada dele, que estava na Garupa, afirmou que os dois foram vítimas de um motorista imprudente.

Os amigos de Kleber entraram em contato com a redação do jornal para prestar uma homenagem e falar um pouco deste brasileiro que era muito querido em sua comunidade e tinha uma história de luta semelgante a de muitos que se mudam para os Estados Unidos em busca de mudar de vida.

Kleber nasceu na cidade de Crixás, no estado de Goiás.

O pai de Kleber, Deusenir Peres, gerente do Sicoob/Credipar, de Paraíso do Tocantins, o filho havia ligado para ele e se dizia muito feliz com o sucesso financeiro do seu trabalho e afirmou que estaria retornando ao Brasil em dezembro deste ano para começar um novo empreendimento.

Kleber deixou a esposa e dois filhos, um com 13 e outro com 17 anos de idade.

Segundo os amigos, Kleber era uma pessoa muito conhecida em Paraíso do Tocantins e antes de viajar para os Estados Unidos, foi proprietário do Pit-dog, na Praça da Bíblia, ao lado da Prefeitura Municipal.

Os familiares, muito consternados, aguardam os trâmites legais para a liberação do corpo para que seja feito o traslado para o Brasil.

Nos EUA, Kleber trabalhava na construção de proteção de furacão, um dos melhores trabalho na área da Florida e ótimo caminho para fazer dinheiro.

Todos o classificam como amigo, companheiro, excelente pai, filho e irmão. Kleber era uma pessoa admirada por causa do seu companheirismo. Maria Simone Brady afirma que a "partida de um amigo sempre deixa algo. Esperava que nada ficasse, porém, às vezes, fica muito mais do que poderia pensar. É como que digitais invisíveis, mas sensíveis a olhos atentos. Olhos que deverão se acostumar com o que foi, olhos que deverão se acostumar com o que ficou e ficou tanto, embora tanto e nada se abracem de uma forma que se apresentam aparentemente inseparáveis. Fica a falta mais presente e evidente, ficam lugares que não mais serão ocupados como eram, ficam vozes perdidas em corredores escuros, fica

a lembrança do sorriso, ficam quartos desocupados e histórias separadas, fica tudo, fica nada, fica tudo e nada e mais alguma coisa, fica a dor do adeus, a lágrima depois da despedida, a temerária constatação de que nada será como antes".

 

 

VEJA PARTE DA CARTA ESCRITA PELA MÃE DE KLEBER

    Nasceu 03 de Abril de 1975 as 13horas, na cidade de Crixás no estado de Goiás. Casou – se em Paraíso do Tocantins em 1995, teve dois lindos filhos Jullyana 17 anos e Vitor Gabriel 13 anos, que como ele dizia a razão de sua vida, amava seus filhos acima de tudo.

Trabalhou desde muito novo, naquela época não era proibido menor de idade trabalhar. Trabalhou em uma gravadora de musica, trabalhou na Skol, Foi várias vezes para o Paraguai comprar coisa e revender, tinha um pit dog que todos da cidade nunca se esqueceram do seu delicioso sanduíche a de sua carne na chapa.

O sonho de meu filho: Começou a falar que ia para os Estados Unidos, sempre falando, porem ouvíamos e ficávamos calado. O tempo foi passando e ele ia tomando informação ate que um dia ele disse: "Vou tirar o meu passaporte", e foi a Palmas. O primeiro passo já tinha sido feito ele estava com o passaporte em mãos.

Tinha que tirar o visto, mas pessoas lhe diziam: "Você é jovem sabem que você quer ir pra ficar, não darão o visto." Procurou outros colegas que foram e ficou sabendo que era através de um coiote. Não sabíamos o que era um coiote, ate que descobrimos era um moço que pagávamos para ir pelo México. 

Quando menos esperava o coiote veio aqui em casa para combinar tudo. Deusdeni e eu assistimos a reunião com o coração apertado de preocupação.

Naquele dia meu filho Rogério estava aqui  e pedi a ele que fosse com seu irmão, pois os dois eram fortes e um protegeria o outro: "Rogério cuida do Kleber, Kleber cuida do Rogério." E mais uma vez meu coração se entristeceu sabendo que dois filhos iam para longe.

Chegou o dia, foram para Goiânia e de Goiânia para o México. La foram recebidos pelo amigo Kilder que lhes ensinou como seria a vida deles la, e cedeu um quarto para eles.

Ficaram poucos dias nesse lugar, logo no primeiro mês já saíram e começaram a caminhar só. Conseguiram trabalho no quinto dia, os dois juntos. Mudaram para uma casa onde só tinha um colchão, e começaram a chamar o Douglas e o Denio e eles foram também. Todos trabalhando juntos.

O Kleber começou a trabalhar para levar a família dele. Passou noites para conseguir os dólares. Quando conseguiu levá-los ele ficou muito feliz tudo junto. Os meninos que moravam juntos decidiram mudar e deixar a casa para a família.

Ele ficou todo orgulhoso pois seus filhos iriam estudar nós Estados Unidos. Sua filha Jullyana saiu muito bem nas notas. Ele nem se continha de tamanha alegria.

Ele abriu sua própria firma, tinha suas próprias maquinas, e  sua própria van. Trabalhava na firma de proteção de furacão onde foi aprendendo. E chegou a ser o funcionário quase chefe, o melhor, trabalhava muitas vezes sozinho, e quando um colega perguntava se ele iria trabalhar só ele dizia: "Vou com meu chefe", e seus colegas procuravam e não via ninguém e ele explicava: "Meu chefe é Jesus eu sou o companheiro dele". Falava sempre brincando mais acho que era verdade. Muitas vezes era trabalho mesmo, levantar material pesado.

Levou sempre as crianças para passear, foram em todos os parques e nunca deixou de  proteger os filhos. Conseguiu ao longo dos tempos uma grande amizade, fora e na igreja, no trabalho e no grupo de amigos motoqueiros, teve grandes amigos e confidentes.

Em 2011 Rogério o irmão que estava com ele no momento de  luta na travessia veio embora, em 2012 o irmão que eles convenceram de ir pra la também voltou para o Brasil.

Neste ano de 2013 ele se preparava para voltar, cheio de alegria. Falava que ia passear muito, iria descansar, e depois montar um negócio para ele e o papai trabalharem juntos.

Já tem 3 anos que encontrou sua nova companheira Viviane que juntos passeavam com o Vitor seu filho mais novo. Ele adorava, pois eles se divertiam muito.

No domingo dia dos pais  no dia 16/06/2013 ele disse que era o dia mais feliz da vida dele. Pois seus dois filhos estavam com ele, isso para ele era a melhor coisa do mundo. Quando estavam juntos sempre faziam churrasco e se divertiam muito. Ligo para nós conversarmos com ele e as crianças.

Ele sempre ligava. Todo o dia antes de ir ao trabalho ele ligava, ia ate o trabalho conversando conosco. Sempre dizia: "Bença papai, bença mamãe. To indo para o trabalho." Contava tudo sempre feliz, conta que estava feliz com as crianças, tava trabalhando bem, e que estava com muitos planos e projetos para quando chegasse aqui. Disse que tava orgulhoso, pois sua filha é a melhor da escola, que la ela sempre foi uma boa aluna, sempre recebendo diplomas, terminava to chegando no trabalho. Bença papai, bença mamãe. Eu dizia: "Deus te abençoe, que seu fardo seja leve fica com Deus.". E ele dizia: " Fica com Deus, mais tarde eu ligo.". Eu no final sempre dizia eu te amo meu filho e ele respondia amo vocês.

Em outras ligações eu perguntava: "Como está meu filho?", e ele respondia todo feliz: "To bonito, cheiroso e gostoso.".Dizia isso para suas sobrinhas Ana Caroline e Gabriella todo feliz que estava voltando.

Orgulho dos meus filhos que competiram com os grandes dos Estados Unidos onde la deixaram seus trabalhos bonitos que vi quando fui visitá-los, de casas, prédios e bairros.

Ele tinha a moto dos sonhos, ele era apaixonado por motos, sempre participou de corridas de motos. Amava aquela moto, pintou-a do jeito que ele sonhou. Dizem que cada um de nós vamos de um jeito, uns vão de canoa e outros vão de navio; uns de cavalo e outros de avião, uns vão de carro e o Kleber foi com o que ele mais gostava a sua moto.    

Deixo essa frase que meu filho sempre dizia quando lhe perguntavam quem trabalhava com ele.

"Trabalho com meu chefe. Jesus é meu chefe eu sou ajudante dele.".

E para completar eu penso: ' Se Jesus era o chefe ele deu ao Kleber uma promoção e o transferiu para um outro trabalho. No plano celestial.

 

Escrito por Elza Oliveira Barbosa Peres. (Mamãe do Kleber)

Fonte: Brazilian Times

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