Publicado em 7/08/2013 as 12:00am

Brasileiros falam que "sonho americano" continua vivo

Brasileiros falam que "sonho americano" continua vivo

Mesmo com dólar não satisfatório, maioria ainda acha que morar nos EUA é melhor que no Brasil

Luciano Sodré

O "sonho americano" de trabalhar nos Estados Unidos, juntar algum dinheiro e comprar a casa própria, um carro e até mesmo obter a "independência financeira" ainda continua vivo para muitos brasileiros. Em uma enquete realizada com algumas pessoas ficou claro o amor que todas sentem pelo Brasil e o carinho e a  segurança em morar nos EUA.

Walter Mourisso, empresário e pastor evangélico, 46 anos de idade, é natural de Galiléia (Minas Gerais) e mora em Weymounth (Massachusetts). Ele acredita que o sonho jamais deve acabar e mesmo que um se torne realidade, as pessoas devem correr atrás de outros. "Nossas vidas é feita de planos e estes planos dependem de nosso esforço para que aconteçam", acrescenta. Mourisso afirma, ainda, que o fato de muitos brasileiros optarem por residir nos Estados Unidos é devido à segurança que sentem e as oportunidades que mesmo diante da crise ainda são mais que no Brasil. "Um trabalhador, mesmo que seja um servente de pedreiro, tem poder aquisitivo e consegue comprar um carro neste país bem rápido, enquanto que no Brasil, quem exerce a mesma função passa muito tempo para conseguir adquirir um veículo", disse.

Para Daniella Lima Arantes, 35 anos, "só o fato de estar morando nos Estados Unidos já é a realização de um sonho". Ela, que tem uma companhia de limpeza, vive há nove anos em New Jersey e afirma que mesmo diante da dificuldade de conseguir uma carteira de motorista ou um bom emprego pela falta de "papel", a grande maioria dos imigrantes ainda acha que morar neste país é muito melhor que no Brasil. "Eu amo o Brasil, mas se Deus me permitir, quero envelhecer nos Estados Unidos", fala explicando que isso se deve à segurança que sente. Daniella pensa da mesma maneira que Mourisso e acredita que as muitas oportunidades que os EUA oferecem é que seguram os brasileiros. "No Brasil, além de pouca oportunidade, o trabalhador ganha muito pouco e não consegue realizar seus sonhos de forma rápida", conclui.

O Consultor Imobiliário Nivaldo Morais, é natural de São Sebastião do Paraíso (Minas Gerais) e vive em Marlborough (Massachusetts). Ele tem 36 anos de idade e acredita que o ser humano sempre estará sonhando com patamares mais altos. "Quando atingimos um objetivo, logo surge outro que vamos atrás, por isso o sonho jamais acaba", explica. Ele afirma que os brasileiros devem continuar vivendo o sonho americano, pois os Estados Unidos oferecem muitas oportunidades para que "os projetos sejam realizados". Quanto a escolher entre morar nos EUA ou no Brasil, ele acredita que a pessoa deve optar por um lugar que se sinta bem. "O importante não é onde morar e sim os sonhos que temos", conclui.

A animadora de festas infantis e artista plástica Andreza Moon, 27 anos, é mineira de Belo Horizonte (Minas Gerais) e reside em Somerville (Massachustts). Ela se mudou para os Estados Unidos em busca de aperfeiçoar "seus dons artísticos". "Hoje posso afirma que me sinto realizada, pois consegui estudar com os melhores mestres em minha área", acrescenta. Quanto a manter o "sonho americano" vivo, ela afirma que sonhar é a gasolina da sobrevivência humana. "Por isso nunca deixe de sonhar e quem não sonha vive sem sentido", continua. Andressa afirma que prefere morar nos EUA porque pode trabalhar integralmente como artista e no Brasil "a arte ainda não tem o reconhecimento merecido".

Já a mineira de Guanhães, Nathalia Lage Correia, 26 anos, não realizou por completo, ainda, o seu "sonho americano". Ela explica que quando chegou aos Estados Unidos era muito nova e não tinha planos. Mas aos poucos foi formando um desejo e queria ficar um ano neste país para conseguir abrir a sua loja de roupas no Brasil. "A ideia era ficar apenas um ano até conseguir meus objetivos", explica ressaltando que "o destino é cheio de surpresas e proporciona mudanças na vida que não se espera". Assim aconteceu com ela que deixou de lado o sonho de abrir sua loja, mas continuou firme com outros planos e o ano que ela queria permanecer nos EUA acabou se tornando 10 anos. Durante este tempo, os sonhos mudaram e "hoje ela acorda todos os dias visando realizá-los". Nathalia explica que após a crise, a situação ficou mais complicada, "mas como todo brasileiro jamais vai desistir de sonhar". Ela defende que todos devem correr atrás dos seus sonhos, por mais difícil que ele seja. "Temos que buscar realizá-lo não importa onde, no Brasil ou nos EUA", continua. Quanto ao lugar que prefere morar, ela escolhe as terras do Tio Sam pela estabilidade, acesso à saúde pública e educação. "Eu tenho um filho e sei que no Brasil seria mais difícil para criá-lo", explica.

Natural de Ipatinga (Minas Gerais), Érica Gomes, 28 anos, que mora em Revere (Massachusetts) explica que seu maior sonho era ser mãe e que isso se concretizou nos Estados Unidos. Ela conta que agora vive em razão de realizar os sonhos que vão beneficiar o seu filho. "Eu penso muito no futuro dele e quero poder ajudá-lo a ser um homem de verdade, com estudos, dignidade e respeitado em sua sociedade", continua. Para ela, quase todos os imigrantes chegam aos Estados Unidos sonham comprar uma casa e um carro, mas com o passar do tempo estes planos mudam. "As pessoas se deparam com a realidade deste país e que levantar dinheiro para tal projeto pode demorar até 3 anos e isso acaba fazendo com que eles optem por outros rumos", fala explicando os milhares de brasileiros que decidiram fixar residência neste país. Não quero morar no Brasil a não ser que ele me dê a mesma estabilidade para cuidar do meu filho que tenho nos EUA. O governo brasileiro prega que a economia está crescendo e que tudo está melhor. Mas o que vemos nos noticiários é que o que está havendo é apenas uma maquiagem dos problemas, pois a saúde, educação, transporte público e outras áreas continuam atrasadas e precárias.

Fonte: Brazilian Times