Publicado em 16/09/2013 as 12:00am

Jovem acusado de estuprar brasileiro com cabo de vassoura paga fiança e é liberado

Jovem acusado de estuprar brasileiro com cabo de vassoura paga fiança e é liberado

da redação

Galileo Mondol enfrenta 10 acusações, entre elas estupro com agravantes, agressão, ataque com arma perigosa e intimidação de testemunhas

Na quinta-feira (12), o juiz da Corte Distrital de Pittsfield, Massachusetts, Fredric D. Rutberg, determinou que o adolescente Galileo Mondol, de 17 anos, acusado de abusar sexualmente com um cabo de vassoura um estudante brasileiro, não representa perigo à sociedade, portanto, podendo ser liberado após pagar a fiança estabelecida em US$ 100 mil, enquanto aguarda julgamento. O magistrado, após ler um relatório de 40 páginas apresentado pela Polícia Estadual, determinou que os promotores públicos do Condado de Berkshire não apresentaram evidências “claras e suficientes” de que o réu era tão perigoso que precisava ser encarcerado durante os próximos 90 dias, publicou o portal online Boston Herald.com.

Rejeitando o pedido da promotora assistente do Condado de Berkshire, Rachel Eramo, de que Mondol deveria ser mantido preso sem direito à fiança, o magistrado decidiu que a fiança permanecesse no valor de US$ 100 mil. O valor foi pago e o réu foi liberado no final da tarde de quinta-feira (12) da penitenciária de Berkshire, onde estava preso.

Do lado de fora do Tribunal, o advogado de defesa William Korman disse que seu cliente estava muito feliz.

“A noção de que o Governo realizou uma audiência para determinar a periculosidade sobre o caso, com evidências tão fracas, é absolutamente absurdo”, disse William. “Nós estamos agradecidos que o juiz percebeu isso”.

Mondol é um dos 3 alunos da escola secundária em Somerville (MA) acusados de abusarem sexualmente três calouros durante um final de semana, nos dias 24 e 25 de agosto, no Campo Lenox, na cidade de Otis, onde 165 alunos de Somerville, com 20 supervisores adultos, estavam participando de um torneio esportivo antes do início do outono. Com 17 anos de idade, o caso do réu está sendo julgado em aberto, enquanto os outros 2 acusados estão sendo julgados à portas fechadas pelo Juizado de Menores de Berkshire. Mondol alegou ser inocente de todas as acusações.

Além disso, Rutberg impôs o horário limite de 11 horas da noite para que Galileo saia às ruas e barrou o réu de contatar as vítimas, seus familiares e testemunhas no caso e entregar o seu passaporte. O jovem não foi obrigado a usar um localizador GPS.

Korman, que insiste em dizer que seu cliente será completamente inocentado, lamentou que o adolescente tenha caído na mira da mídia, enquanto os outros dois réus são julgados no anonimato.

“Eu acho que é injusto que o nome dele seja divulgado e seu rosto exibido na televisão, enquanto os outros réus, especialmente aqueles que são mais culpados que ele, escondem-se detrás da cortina do anonimato”, disse o advogado. “Infelizmente, esse é o jeito que a lei está escrita”.

Mondol, com as mãos e pés algemados, entrou no prédio da Corte Distrital de Berkshire aparentando seriedade e sendo observado atentamente por seus familiares que estavam na sala de julgamentos. Embora o pai do réu tenha permanecido de olhos fechados diversas vezes durante a audiência, parentes do jovem evitou esboçar qualquer reação física durante as duas audiências realizadas nessa semana.

Durante a audiência, Korman disse que a Escola Secundária de Somerville havia expulsado seu cliente e o proibiu de participar de qualquer evento atlético escolar. Na audiência de quinta-feira (12), Eramo relatou os testemunhos de 6 vítimas e testemunhas do incidente, todos jogadores calouros de futebol, reconhecendo que certos detalhes dos relatos variavam um pouco. 

“Entre as seis pessoas que melhor viram o que aconteceu nesse dia em particular, é mais que justo dizer que cada história não coincide exatamente”, disse Rachel. “Isso é típico de qualquer situação na qual você tem várias testemunhas e algo tão traumático, perturbador e doloroso como o que supostamente aconteceu aqui”.

Somente um dos calouros, identificado como “vítima 2”, que foi atacado, mas não violentado, disse aos investigadores que Mondol ajudou fisicamente outro acusado a estuprar um jogador de futebol calouro com um cabo de vassoura, disse Eramo. Entretanto, outras testemunhas disseram que o réu estava presente e encorajou o abuso. A promotora também reconheceu que a vítima do estupro, conhecido como “vítima 1”, disse aos investigadores que Mondol não estava fisicamente envolvido no ataque. Mesmo assim, ela alegou que o jovem deveria ser mantido preso devido ao que ela considerava “conduta cruel” e o fato de que as vítimas eram menores de idade.

“Isso é um ato que de jeito nenhum foi merecido, de jeito nenhum solicitado e de jeito nenhum provocado”, disse Eramo. “A proposta do campo era ajudar o time de futebol a se tornar como uma família. Ao invés disso, o que esse réu fez foi decidir com os outros dois acusados a entrar na cabine dos calouros e ferir, não somente ferimentos físicos, mas uma boa quantidade de dano emocional”.

As autoridades detalharam que todos os jovens faziam parte do time júnior da escola.

Entre as evidências, a promotora detalhou que os investigadores recolheram um guardanapo de papel ensanguentado e uma mancha marrom no chão do banheiro da cabine. Ela acrescentou que o jovem violado sangrou muito.

Mondol enfrenta 10 acusações, entre elas estupro com agravantes, agressão, ataque com arma perigosa (o cabo de vassoura) e intimidação de testemunhas.

Eramo acrescentou que os três acusados “riam durante o ataque” e que Mondol ameaçou um menino que  disse que iria denuncia-lo, “é melhor você manter a boca fechada”.

Quando o adolescente e os outros dois acusados entraram na cabine das vítimas, relatou a promotora pública, eles disseram aos meninos, “nós vamos escolher alguém. É você, não é você, não é você”, antes de agarrar um menino e força-lo a ficar de quatro no chão. Quando o cabo da vassoura foi introduzido, Eramo disse que Mondol mandou os outros dois atacantes pararem, mas depois comentou “eu quero dar uma risadas com isso”, além de outros comentários.

Entretanto, o advogado defendeu que seu cliente estava no local errado na hora errada e, posteriormente, sugeriu aos repórteres que o adolescente se transformou no bode expiatório da promotoria pública. Segundo fontes locais, dois acusados e a “vítima 1” são brasileiros, sendo que um deles é indocumentado nos Estados Unidos.

Fonte: Brazilian Times