Publicado em 21/10/2013 as 12:00am

TENTANDO ENTRAR ILEGALMENTE NOS EUA

TENTANDO ENTRAR ILEGALMENTE NOS EUA

Quatro imigrantes morrem e 11 são resgatados em naufrágio

 

Os sobreviventes foram encontrados agarrados ao casco de uma lancha virada, pouco depois da 1 hora da madrugada

 

DA REDAÇÃO

Na quarta-feira (16), membros da Guarda Costeira presenciaram uma cena trágica a 7 milhas do litoral de Miami Beach, no sul da Flórida. Dez imigrantes, aparentemente do Haiti e Jamaica, incluindo uma adolescente de 15 anos de idade, foram encontrados agarrados ao casco de uma lancha virada, pouco depois da 1 hora da madrugada. Um dos náufragos demonstrava sinais de convulsões.

Debaixo da embarcação, um sobrevivente lutava para respirar em uma pequena bolha d’água. Próximo a ele, flutuavam os corpos de 4 mulheres mortas quando a lancha virou violentamente. O número de mortos poderia ter sido maior, se um dos sobreviventes não tivesse discado o número de emergência 911 e detalhado a localização aproximada do barco, publicou o Miami Herald.

As equipes de resgate vasculharam as águas no sudeste de Government Cut, a entrada do PortMiami, por várias horas na quarta-feira, em busca de possíveis sobreviventes ou vítimas. Os 11 sobreviventes, incluindo o indivíduo que apresentava sinais de convulsão, foram levados ao hospital Mount Sinai e interrogados pelas autoridades.

Aproximadamente às 9 horas da manhã, agentes da Guarda Costeira informaram que todos a bordo da embarcação de 25 pés de comprimento foram encontrados, vivos ou mortos.

“Foi difícil saber exatamente quantas pessoas estavam nesse barco superlotado”, disse o Comandante Darren Caprara, responsável pela Guarda Costeira na região de Miami. Ele frisou que o console central do barco havia sido cortado, provavelmente para caber mais tripulantes, e  que ninguém utilizava coletes salva-vidas. “Foi uma viagem bastante perigosa. Quinze pessoas em um barco de 25 pés é demais”.

Os investigadores ainda tentam descobrir de onde originou a embarcação, a identidade das vítimas e não anteciparam o que acontecerá com os sobreviventes e as vítimas fatais.

Marleine Bastien, diretora executiva do Mulheres Haitianas de Miami, disse que o seu grupo estava preparado para ajudar os familiares das vítimas. “Nós estamos muitos preocupados com o crescente número de refugiados haitianos que está arriscando suas vidas em busca de um lugar mais seguro”, comentou. “Historicamente, essa motivação para deixar o Haiti é o resultado da incerteza da nação e sua instabilidade política. A nossa esperança é que os líderes atuem juntos para estabilizar (a nação) e manter os direitos humanos daqueles que clamam por mudança”.

Uma vez sob a custódia das autoridades norte-americanas, os imigrantes haitianos e jamaicanos podem solicitar asilo, depois que agentes do Departamento de Imigração determinem o “temor verdadeiro” dos estrangeiros de serem deportados. Caso passem no primeiro teste, os imigrantes terão os seus casos ouvidos perante juízes de imigração. Se forem aceitos, eles serão liberados e poderão aplicar para a residência permanente (green card) depois de residirem no país por 1 ano. Se perderem, inclusiva as apelações, ele serão deportados.

Uma política individual conhecida como “pé molhado/pé seco” se aplica aos imigrantes cubanos que, se forem pegos ainda no mar, são retornados à Cuba, enquanto que aqueles pegos em terra podem permanecer nos EUA. A Guarda Costeira geralmente intercepta imigrantes e coiotes (traficantes de pessoas) nas proximidades do litoral sul da Flórida.

Em 2002, um grupo de 202 haitianos chegou à região de Rickenbacker Causeway, um ponto preferido pelos os imigrantes para entrarem clandestinamente no país, onde voluntários em quiosques são conhecidos por oferecerem café quente e alimentos enquanto os estrangeiros esperam pela chegada das autoridades. Em 2007, um haitiano morreu e 101 alcançaram o litoral de Hallandale Beach, antes de serem detidos pelas autoridades locais.

Em 2009, 10 imigrantes haitianos morreram e 15, além de um jamaicano, foram resgatados depois que seu barco, vindo das Bahamas, virou em Boynton Beach. O indivíduo contratado para pilotar a embarcação e um outro homem foram condenados a 14 e 13 anos de prisão, respectivamente, por tráfico humano resultante em morte.

No último ano fiscal, que terminou em 30 de setembro, os agentes da Guarda Costeira resgataram 508 haitianos e 1.357 cubanos no mar. Desde 1 de outubro, as autoridades resgataram 93 haitianos e 117 cubanos.

As autoridades locais também verificaram a disparada na prisão de haitianos que tentam entrar em Puerto Rico. Um número cada vez maior de indivíduos tenta essa rota, pois podem chegar ao continente sem o risco de serem presos e depois voarem para Miami, Boston ou Nova York sem a necessidade de passaporte.

Os traficantes cobram acima de US$ 1.500 para levarem os imigrantes em viagens perigosas à noite, que iniciam em Hispaniola, Bahamas, República Dominicana ou outras ilhas do Caribe. Geralmente, parentes dos imigrantes que vivem no sul da Flórida pagam pelo valor cobrado pelo coiote.

Os traficantes dizem aos imigrantes que “os estão levando até Miami”, quando na realidade os deixam em Puerto Rico, disse Francois Guillaume, cônsul geral do Haiti em Miami.

“Isso é muito alarmante”, disse Guillaume, que visitou Puerto Rico 3 vezes nos últimos meses para abordar o problema do tráfico de seres humanos. O cônsul afirmou estar trabalhando com as autoridades haitianas e norte-americanas no início de uma campanha de alerta sobre o perigo de navegar clandestinamente rumo à Flórida.

“Quando alguém ouve que um barco chegou, as pessoas no Haiti tendem a pensar, ‘isso realmente funciona”, disse ele. “Mas o que eles não ouvem é sobre as viagens nas quais as pessoas morrem. Nós não sabemos quantas pessoas já morreram tentando fazer essa jornada”.

 

Fonte: Brazilian Times