Publicado em 3/02/2014 as 12:00am

Brasileiro brilha, e Seahawks conquista o Superbowl

Filho de valadarenses brilha, e ajuda o Seattle Seahawks a conquistar o Superbowl

O brasileiro Breno Giacomini foi um dos destaques do Seattle Seahawks na conquista do primeiro Superbowl da história do time nesse domingo(03), por 43 a 8 contra o Denver Broncos, em jogo realizado em New Jersey. Os holofotes estavam virados para o brasileiro, que buscava a consagração definitiva. A história da decisão da NFL já apontava um cenário mais favorável para o Seattle Seahawks. Nas cinco edições em que o melhor ataque enfrentou a melhor defesa, os defensores conquistaram larga vantagem: quatro vitórias contra apenas uma derrota. E o vencedor da Divisão Oeste da NFC fez jus ao retrospecto. Com uma atuação implacável, a equipe de Breno nem precisou de muito tempo para abrir uma ampla vantagem no placar. E foi para o intervalo com nada menos que 22 pontos de frente. A última parcial apenas confirmou o resultado que foi sendo desenhado de forma implacável ao longo da partida. Russel Wilson encontrou Doug Baldwin livre e passou a bola para o wide receiver, que se livrou da marcação e pulou na end zone para fazer 43 a 8. Com o jogo já decidido, o Seattle passou a administrar o ataque. A defesa que conseguiu parar o quarterback do Broncos, Peyton Manning, restou fazer a festa na principal noite do esporte americano. Breno Giacomini foi o grande destaque do jogo, e teve fundamental participação na conquista. Ele é offensive tackle, jogador da linha ofensiva com a função de fazer bloqueios e evitar que a defesa rival ameace seu quarterback. Nascido em Cambridge, no estado de Massachusetts, Breno é filho de Conceição e João Giacomini. A família é de Minas Gerais e se mudou para os Estados Unidos um ano antes de ele nascer. Com descendentes no "país do futebol", a primeira tentativa no esporte foi com a bola nos pés. Jogou como atacante e goleiro, mas o porte físico, cada vez maior, passou a dificultar as coisas. Em entrevista à ESPN Brasil, Breno, hoje com 2,01 metros de altura e 144 quilos aos 28 anos, disse que parou de jogar futebol porque "comia demais". No colégio, Giacomini se mostrava um promissor jogador de basquete, com média de 21 pontos por jogo pela Malden High School. Porém, seus treinadores o convenceram a migrar de vez para o futebol americano. Quis ser quarterback, inspirado por um encontro casual: seu pai o levou ao hotel onde trabalhava para conhecer Drew Bledsoe, astro do New England Patriots na época. Na universidade, em Louisville, começou como defensor mas logo passou a tight end - jogador usado tanto para bloqueios como para receber passes do quarterback. Em 2006, por excesso de peso, foi mandado à linha ofensiva até virar offensive tackle, função que o levou à NFL, selecionado no Draft de 2008 pelo Green Bay Packers. Mas a vida na liga não começou fácil. Breno Giacomini fez apenas um jogo em duas temporadas pelo Packers. Em outubro de 2010, mudou-se para Seattle mas acabou dispensado um mês depois. O Seahawks ofereceu um novo contrato, em 2011. Desde então, ele virou peça fundamental na linha ofensiva do técnico Pete Carroll. Na atual temporada, o "brasileiro" perdeu sete partidas por causa de lesão. Para proteger o quarterback Russell Wilson das investidas da defesa rival, Breno não costuma poupar energia, tanto que é um dos jogadores que mais sofrem penalizações na NFL. Breno está de malas prontas para o Brasil. Sua fundação, a American Football Without Barriers, criada em conjunto com Gary Barnidge, tight end do Cleveland Browns, com o objetivo de difundir a prática da bola oval pelo mundo. O grupo trará alguns jogadores da NFL ao Rio de Janeiro para uma clínica da modalidade no Rio de Janeiro, entre 15 e 16 de fevereiro, em ação conjunta com a Confederação Brasileira de Futebol Americano. Nunca um jogador nascido no Brasil disputou uma partida de temporada regular ou playoff da NFL. Maikon Bonani, paulista de Matão, selecionado pelo Minnesota Vikings em 2013, participou de três jogos de pré-temporada mas acabou dispensado. O kicker assinou um novo acordo para 2014 com a franquia, mas que ainda não garante um lugar no elenco principal. Eleito o melhor kicker da liga universitária em 2012, Cairo Santos, da Universidade de Tulane, pode participar do recrutamento de novatos deste ano. Enquanto espera por um representante genuíno, o país faz de Breno Giacomini seu elo com o futebol americano.

Fonte: (da redação / Agencia Globo)