Publicado em 3/02/2014 as 12:00am

Corpo de brasileiro é abandonado por falta de dinheiro

Corpo de imigrante brasileiro é abandonado pela família por falta de dinheiro para pagar funeral

O corpo de um imigrante indocumentado brasileiro está na morgue de um hospital de Toronto há mais de uma semana porque a família não tem possibilidades de pagar o funeral. Segundo amigos do brasileiro, ele viveu por mais de 15 anos nos EUA antes de embarcar para o Canadá. Os três filhos de Rogério Marques de Souza, todos adolescentes, solicitaram à Câmara Municipal de Toronto que subsidiasse o funeral no âmbito de um programa para famílias com baixos rendimentos, mas foi-lhes dito que era ilegível. Por sua vez a câmara afirmou que se iria "desfazer do corpo", mas apenas se a família desse "autorização". Rogério de Souza viveu ilegalmente no Canadá e nos EUA durante 27 anos, faleceu no sábado dia 18 de Janeiro, devido a um cancro, na unidade de cuidados paliativos do Centro de Saúde Grace de Toronto, com 49 anos. Agora, "eles (câmara) dizem que devemos assinar a libertação do corpo para o enterrarem num local desconhecido", disse Barbara Steeves, que tem à sua guarda os filhos do imigrante, Joshua de 18 anos, Lalena de 15 e Kyle de 14. Segundo a informação no site da autarquia sobre o programa de apoio aos funerais de pessoas com dificuldades financeiras, não está descrito que os imigrantes ilegais não podem beneficiar dos apoios. O programa em 2012 custou aos contribuintes de Toronto 7,25 milhões de dólares, assistindo 1,769 famílias. Rogério de Souza emigrou do Brasil para os EUA em 1987, onde trabalhou no ramo da construção civil. Jeanna Fernandes, uma amiga da família, disse que Rogério começou a sentir-se doente em 2011, mas por estar ilegal "tinha os direitos limitados", nomeadamente não podia usufruir do cartão de saúde. Mais tarde, ficou tão doente que foi internado no Hospital Central de Toronto e tratado no Hospital Princesa Margaret. "O mais triste é que Roger (Rogério) amava o Canadá e os EUA, foi a este país que denominou de casa e pagou impostos durante todos os anos, estando ilegal ou não, e a ser tratado com tanta indignidade é desumano", referiu. Em curso está uma campanha para angariação de fundos para ajudar a pagar o funeral, que tem um custo mínimo de 15 mil dólares.

Fonte: (da redação)