Publicado em 21/02/2014 as 12:00am

ICE revela que cancelou programa para prender imigrantes

ICE revela que usava bancos de dados para descobrir imigrantes

Luciano Sodré

 

O Departamento de Imigração dos Estados Unidos cancelou um plano para obter acesso ou comprar bancos de dados comerciais com intuito de rastrear pessoas em todo o país. O objetivo do programa era conseguir informações necessárias para encontrar fugitivos da Justiça e imigrantes indocumentados. O cancelamento aconteceu mediante muitas críticas por parte dos defensores da privacidade.

Segundo o vice-secretário de imprensa do Departamento, o pedido pelos bancos de dados foi feito sem o conhecimento dos diretores da organização. Ele ressaltou que todos os pedidos foram cancelados e este programa não seguirá em frente.

Através do programa, alguns escritórios do Immigration and Customs Enforcement (ICE) solicitavam aplicações e pediam autorização para acessar o banco de dados e o circuito de imagens para ver até as placas dos veículos que passam próximo ao estabelecimento.

Mas isso despertou a revolta em alguns ativistas e organizações como a American Civil Liberties Union (ACLU), que levantaram questões sobre tais ferramentas usadas pelo governo para manter o controle sobre americanos inocentes.

 

PREOCUPAÇÃO

Mas usar leitores de placas é apenas um exemplo do que no Governo está fazendo para capturar trabalhadores imigrantes. Esta foi a afirmação da ACLU, que ressaltou sua preocupação em relação aos métodos utilizados para descobrir onde estão os procurados pela justiça.         

Segundo uma nota divulgada pela entidade, o Governo está cada vez mais utilizando a tecnologia para coletar informações sobre todas as pessoas que vivem nos EUA, inclusive os imigrantes.

A organização analisou mais de 26 mil páginas de documentos do Departamento de Polícia em várias cidades norte-americanas e percebeu que muitos criminosos e imigrantes foram descobertos através de informações contidas em placas de veículos, viagens, entre outros. Segundo Catherine Crump, uma advogada da ACLU em New York, quando as pessoas viajam são obrigadas a revelar muito sobre elas e estas informações estavam sendo repassadas para o ICE.

Ela disse que informações deste tipo não podem ser entregues para as autoridades, pois as pessoas não estão cometendo nenhum crime. “Não existe razão para os agentes de imigração e policiais terem acesso a estes dados”, continua.

A advogada explicou que no dia 12 de fevereiro, através do site www.fbo.gov, do Federal Business Opportunity, tornou-se público que o ICE e demais autoridades usavam este programa para descobrir e prender criminosos e imigrantes. Os dados entregues para as autoridades federais incluíam crimes, vandalismo, registros e inspeções de automóveis. De posse destas informações, os agentes conseguiam encontrar o que procuravam.

Mas diante das várias críticas e reclamações, o programa foi cancelado e os diretores do ICE alegaram que não sabiam de sua existência.

O ativista Fausto da Rocha, que também fez parte do primeiro CRBE (Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior), sempre tocou neste assunto e foi bastante criticado pela comunidade. Ele alertava para as pessoas não se exporem tanto, pois os agentes federais estavam usando todo tipo de meio para descobrir onde estavam os imigrantes. “Agora, com esta notícia vindo a público, os críticos devem pensar um pouco mais”, fala ressaltando que muitas pessoas devem ter sido deportadas porque não ouviu o seu conselho

Fausto continua a campanha de que o brasileiro não deve se expor muito e evitar espalhar informações por onde anda. “É preciso manter uma cautela, pois as pessoas estão vivendo neste país ilegalmente e precisam se proteger”, fala ressaltando que o Departamento de Segurança vai continuar procurando criminosos e usando todo tipo de mecanismo para isso.

O ativista alerta que sempre teve esta preocupação, pois os brasileiros registram veículos em seu nome, possuem linhas telefônicas, contas em banco, luz, gas, etc. “Tudo isso serve como meio para que o ICE encontre uma pessoa que esteja sendo procurada”, continua.

Fausto cita como exemplo casos que aconteceram na California recentemente, onde imigrantes compareciam à Corte e depois eram seguidos por agentes de imigrante até suas casas. “Até mesmo o facebook é uma ferramenta utilizada pelos agentes encontrar criminosos e imigrantes, por isso evite colocar endereço, telefone e outros dados que possam entregar o seu paradeiro, caso você tenha problema com a Imigração”, conclui.

Fonte: (da redação)