Publicado em 4/04/2014 as 12:00am

Lipoaspiração feita em Delaware deixa brasileira em coma

Lipoaspiração feita em Delaware deixa brasileira em coma em Nova Jersey

Uma cirurgia de lipoaspiração mudou radicalmente a vida da mineira Dora Souza, de 46 anos, residente em Kearny (NJ). Segundo seu esposo, o encanador Gelson Borborema, natural do Paraná, na manhã de 28 de fevereiro ela se submeteu ao procedimento com o Dr. Joseph Danyo, em Delaware. A cirurgia ocorreu às 10 horas da manhã de sexta-feira no Hospital Wilmington – Christiana Care Health System, em Delaware, e a paciente foi liberada na manhã do sábado seguinte, conforme ele.

Após retornarem a Kearny (NJ), a paciente reclamou ao marido que sentia dores intensas no abdômen. No sábado (1), aproximadamente ao meio-dia, ela pediu para ir ao banheiro, mas não conseguia caminhar em decorrência das dores, fazendo com que seu marido a ajudasse. Quando a deixou e se afastava do banheiro, Gelson ouviu um ruído de queda, voltou e encontrou a esposa no chão sofrendo convulsões. Imediatamente, ele ligou para o Serviço de Emergência (911) e uma ambulância levou a brasileira ao Hospital Clara Mass, em Bloomfield (NJ). Na sala de emergência, os médicos constataram que Dora apresentava coágulos de sangue nos dois pulmões, provocando as convulsões. Em virtude disso, eles decidiram deixa-la em coma induzido, através de sedativos.

Após 10 dias no coma, os médicos suspenderam os sedativos e Dora somente abriu os olhos e não esboçava reação ou qualquer movimento físico. Então, os doutores a mantiveram no coma induzido por mais 2 dias e, quando suspenderam a medicação novamente, ela voltou somente a abrir os olhos. Segundo Gelson, atualmente ela consegue engolir a saliva e, algumas vezes, movimenta os olhos. Para que possa respirar e ser alimentada, os médicos fizeram uma traqueostomia e uma colonoscopia na paciente.

 

Hospital quer “despejar” brasileira:

Durante o tempo em que está internada, o seu esposo aplicou para o Charity Care, um programa especial que paga somente as contas hospitalares, mas, segundo ele, a administração do Clara Mass quer que a brasileira saia do hospital o mais breve possível e seja enviada para casa ou uma enfermaria de cuidados a longo prazo (Nursing home). Entretanto, o Charity Care não cobre as despesas com cuidados fora do hospital, que pode totalizar até milhares de dólares por mês. Dora vive há 10 anos nos Estados Unidos e Gelson há aproximadamente 12 anos. Segundo ele, antes da lipoaspiração, sua esposa era uma mulher alegre e aparentemente saudável. “Ela precisa de cuidados 24 horas por dia e, com o que eu ganho, não tenho condições de arcar com uma enfermeira ou alguém que fique o tempo todo com ela. Alguns amigos se ofereceram para ficar algumas horas do dia com ela, mas ela precisa de cuidado integral”, disse Borborema. Segundo ele, os neurologistas responsáveis pelo caso ainda não divulgaram se a brasileira apresentou progresso ou se o seu estado saúde regrediu ou se mantém estável, fato que lhe será informado provavelmente no início da próxima semana.

 

Brasileiras vítimas da “beleza”

Gelson acrescentou que havia insistido para que a esposa não se submetesse à cirurgia, mas ela insistiu e resolveu seguir adiante com a lipoaspiração. “Eu falava que ela não precisava, mas ela não quis me ouvir e agora as coisas estão assim”, disse ele.

Nos últimos anos, várias imigrantes brasileiras foram vítimas fatais da lipoaspiração. Em dezembro de 2011, o Instituto Médico Legal divulgou os resultados da autópsia feita no corpo da brasileira Adriana Paula da Silva Toledo, de 39 anos, residente em Framingham (MA), que morreu no dia seguinte após ter se submetido à cirurgia plástica nos seios. O laudo determinou que o falecimento foi causado por coágulos no sangue (embolia), uma complicação terapêutica, e não o resultado de uma provável queda no banheiro. Os resultados não esclarecem se o médico, Dr. Sanjeev Sharme, da Destination Beauty MedSpa, é responsável ou não pelo trágico incidente. Entretanto, a família de Adriana acionou judicialmente a clínica, segundo o MetroWest Daily News na ocasião. Em 27 de janeiro de 2012, a manicure Graciana de Carvalho Sampaio, de 28 anos, residente em Newark (NJ), faleceu após ser submetida a uma cirurgia de implantes de seios e lipoaspiração. Desde a morte da brasileira, outras mulheres apresentaram queixas contra o Dr. Faddi Beijani, informou a advogada Erin Burke Cirelli, com escritório em East Hanover (NJ), representante da família da vítima. A morte prematura da manicure abalou a comunidade brasileira no Estado Jardim e levantou questionamentos sobre a possibilidade de arriscar a vida em busca de um corpo esteticamente “perfeito”.

 

Em maio de 2013, a enfermeira Adriana da Silva, de 39 anos, mãe de Caroline, de 13 anos, e Kevin, de 5 anos, viajou de Nova York com o namorado até Boca Raton (FL) para se submeter à tão sonhada cirurgia que mudaria as formas de seu corpo. Entretanto, duas horas após o procedimento cirúrgico, ela foi deixada desacordada, imóvel, em uma cadeira de rodas e morreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital de Boynton Beach, segundo o namorado, que não quis ser fotografado ou filmado e se identificou simplesmente como “Washington”, ao Jornal da Record, da TV Record.

 

Já em junho do mesmo ano, poucas semanas depois de se submeter à uma lipoaspiração em Boston (MA), a brasileira Marcilene Santana, de 32 anos, residente em Quincy (MA), através do conselho de amigas, buscou uma clínica clandestina na cidade de Stoughton (MA) para realizar uma drenagem linfática. Entretanto, o procedimento causou-lhe queimaduras de terceiro grau impedindo, inclusive, o uso da cinta utilizada após a lipoaspiração, o que acarretou problemas sérios de saúde para a brasileira.

Gelson detalhou que, apesar de residirem em Nova Jersey, Souza decidiu fazer a “lipo” no estado de Delaware através da indicação de amigas que, aparentemente, haviam se submetido à cirurgia com o mesmo médico. A consulta inicial custou US$ 500 e o total sairia em US$ 8 mil. Depois que foi comunicado sobre o trágico incidente, o Dr. Danyo ligou para o esposo da paciente algumas vezes para saber do seu estado de saúde, entretanto, nunca foi ao hospital para visita-la. Segundo Gelson, o médico desculpou-se várias vezes por telefone e disse que isso nunca havia acontecido com qualquer paciente sua, entretanto, o brasileiro já ouviu rumores da existência de outras vítimas. Ele detalhou que, após consultar vários advogados locais, ele contatou um advogado na Pensilvânia que analisará o caso.

Fonte: (Brazilian Voice)