Publicado em 14/05/2014 as 12:00am

Advogados ressaltam papel de brasileiros no caso Telexfree

Advogados ressalta vulnerabilidade de brasileiros no caso Telexfree

Depois que foi anunciado o pedido de prisão de dois envolvidos na pirâmide Telexfree, a maior parte dos divulgadores “caíram na realidade” de que tudo não passa de um esquema criminoso. Mas há muito tempo, alguns membros de entidades e da comunidade brasileira iniciaram uma campanha e alerta para que não houvesse tantas vítimas.

Mas todos os avisos de perigo foram ignorados e as pessoas que tentavam ajudar eram criticadas e qualificadas como invejosas e maléficas. O tempo passou, o esquema foi descoberto e as máscaras caíram.

Uma das pessoas que sempre buscou alerta as pessoas sobre o perigo desta pirâmide foi a diretora-executiva do Centro do Imigrante Brasileiro (CIB), Natalícia Tracy, que no início do ano manteve contato com o escritório da Procuradora do Estado de Massachusetts, Martha Coakley.

Ela procurou o escritório para falar de sua preocupação em ver tantas pessoas aderindo ao esquema e depositando suas economias em uma empresa que não teria futuro. Tracy também fez alertou muitos brasileiros sobre isso, mas seus avisos foram ignorados.

Natalícia acredita que cerca de 40% dos brasileiros que vivem nos Estados Unidos investiram na empresa. Ela ressalta que o sucesso da Telexfree aconteceu em virtude de que ela já tinha o seu alvo – os brasileiros que vivem ilegalmente neste país. “Estas pessoas trabalham duro, por horas e horas, em busca de levantar um dinheiro e melhorar a vida. Por isso a Telexfree foi uma rota encontrada por elas”, explica.

De acordo com alguns advogados de imigração que atuam em Massachusetts, os imigrantes brasileiros estão mais propensos de serem vítimas deste tipo de crime. Kevin Leeper, que tem escritório em Framingham, disse que comumente represente membros desta comunidade e, casos de disputa trabalhista. Segundo ele, a maior parte dos clientes quer trabalhar pelo menos 60 horas por semana para acumular “dinheiro que não conseguiria em seu país natal”.

O advogado de imigração que atua em Worcester, Randy Feldman, pensa da mesma maneira e ressalta que seus clientes trabalham em pequenas empresas de paisagismo, construção civil e em restaurantes. “Eles nunca viram oportunidade como essa e procuraram aproveitar cada segundo dela", disse.

Ele ressalta que muitos brasileiros são vítimas de exploração no trabalho, não recebem hora extra e tampouco direitos trabalhistas em caso de demissão. “Tenho vários casos assim”, continua. “Acredito que é esta exploração e o fato de a maioria estar vivendo ilegalmente no país em ter medo de buscar seis direitos é o grande motivo para que estas pessoas busquem meios mais rápidos de conseguir dinheiro e voltar aos seus entes queridos”, conclui.

Fonte: (da redação)