Publicado em 23/05/2014 as 12:00am

Carlos Wanzeler não sairá do Brasil, afirma advogado

Carlos Wanzeler não sairá do Brasil, afirma advogado do mensalão

Com as investigações sobre a TelexFree nos EUA em andamento, com a recente notícia da prisão do sócio-fundador da empresa, o americano James Merrill, e de Kátia Wanzeler, esposa do outro sócio da companhia, o brasileiro Carlos Wanzeler, mais um fato bota ‘lenha na fogueira’ para as investigações. O advogado do sócio brasileiro foragido, confirma que ele está no Brasil e que não se entregará para as autoridades americanas.

Carlos teria saído do país pelo Canadá em meados de abril, segundo o Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Para a polícia americana, Wanzeler é considerado um fugitivo. O advogado recém-contrato da TelexFree no Brasil, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirma que o sócio da empresa acusada de formação de pirâmide financeira saiu dos Estados Unidos antes de ter sua prisão decretada, de forma legal. "Ele vai ficar definitivamente em Vitória, onde já morava e tem casa. Ele é brasileiro e por aqui não há pedido de prisão e nem acusação criminal", disse Kakay, que foi o advogado do publicitário Duda Mendonça e da sócia dele, Zilmar Fernandes, no julgamento do mensalão.

Na última  terça-feira, o advogado confirmou o paradeiro de Wanzeler no Brasil e disse que a hipótese de extradição não existia. "Não deixaria ele ir para um país que não respeita nem os direitos individuais, como foi visto quando prenderam sua esposa (Kátia Wanzeler), sem nem mesmo ela ter sido acusada de nada", argumenta. A Justiça americana afirma que Kátia é uma das testemunhas dos crimes financeiros cometidos pela matriz da TelexFree.

Polícia Federal pode prender chefes da Telexfree no Brasil nos próximos dias

Nos próximos dias, é provável que a Polícia Federal providencie a prisão dos chefes da TelexFree – a pirâmide financeira que vitimou mais de um milhão de brasileiros, em um golpe estimado em quase R$ 2 bilhões. Estará atendendo a solicitações do FBI, já que, pela Justiça brasileira, eles continuam livres, soltos e atuando em outras pirâmides financeiras. As pirâmides, em si, são apenas a casca do negócio. A verdadeira organização criminosa é a dos chamados “divulgadores” uma rede de estelionatários distribuída por todo o país, que migra de um plano para outro. Entendendo a natureza do golpe, a SEC (Comissão de Valores Mobiliários) de Massachusetts indiciou não apenas os proprietários da TelexFree mas os principais divulgadores. Seria a única maneira de desbaratar a organização criminosa. É uma organização hoje em dia que transita por pirâmides de toda natureza, um para cada gosto. Tem o BBom, que supostamente vende serviços de rastreamento por celular. Para entrar no jogo, o incauto paga R$ 600,00 de taxa de adesão. Na área de mídia digital existe a Priples, de Pernambuco, acenando com lucros de 60% ao mês, com taxas de adesão de R$ 100 a R$ 10 mil. A Blackdever, de Minas, negocia cartões de crédito pré-pagos: taxas de adesão entre R$ 600 e R$ 9.950,00. A Multiclick Brasil, de Santa Catarina, aplica golpe similar à TelexFree: a remuneração depende apenas do incauto colocar anúncios no Facebook. No perfil da TelexFree no Facebook, existe agora a Luvre (sic), pirâmide construída em torno de supostos créditos de carbono.

No site da pirâmide (www.luvredobrasil.com.br) mencionam-se pessoas que ganharam até R$ 8 milhões em um ano vendendo “produtos ecológicos”. Tem até um suposto ator global promovendo o golpe – assim como na TelexFree (http://migre.me/jg7Qk). No vídeo, ele informa que marketing multinivel é um projeto em que “todos ajudam a todos sem puxadas de tapete”. E mistura mudanças climáticas, terremotos, tsunamis como argumentos de venda. É um golpe ostensivo, óbvio. Então porque a Polícia Federal não age? Simplesmente porque até hoje não foi acionada pelo Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Como há dúvidas sobre as competências, se são crimes federais ou estaduais, a PF teme entrar em uma investigação e o inquérito ser anulado por inepto. A única maneira de resolver a pendência seria receber uma ordem de José Eduardo Cardozo e começar as investigações para definir responsabilidades e formas de atuação.

As ordens nunca chegaram. Cardozo agiu uma única vez, pressionado por uma reportagem do programa Fantástico. Anunciou uma ação administrativa contra a TelexFree, de valor irrisório, inferior aos ganhos de meio dia da empresa. Não se sabe ao certo a razão dessa anomia do Ministro. Alguns observadores julgam que seria em função do envolvimento de muitos pastores evangélicos com influência sobre a base do governo. Há que aponte o lobby de grandes escritórios de advocacia junto ao Ministro. A dimensão do golpe, somado a alguns indícios – como o patrocínio da TelexFree ao Botafogo – sugere que possam haver bancos de negócios influentes fazendo a reciclagem do golpe.

Fonte: (da redação)