Publicado em 11/03/2015 as 12:00am

Três brasileiros cometem suicídio em Massachusetts

Nestes três primeiros meses de 2015 um fato está tirando o sono de ativistas e membros da comunidade brasileira.

Nestes três primeiros meses de 2015 um fato está tirando o sono de ativistas e membros da comunidade brasileira. Até o momento, três brasileiros cometeram suicídio motivado pela depressão. No ano passado, pelo menos outros três suicídios foram registrados pelo jornal Brazilian Times.

No dia 20 de fevereiro, o paulista Bruno Cogo, 32 anos, morreu depois de cometer suicídio. Conforme alguns amigos, ele era uma pessoa alegre e não aparentava ter problemas. Uma pessoa próxima à família disse que ele sofria de depressão e não tinha emprego fixo, devido ao problema de saúde que atravessava. “Ele tinha síndrome do pânico”. Os familiares preservaram como ele cometeu o suicídio.

Na semana passada, dia 05, o mineiro de Ipatinga Marco Aurélio Samora morreu depois de entrar nas águas congelantes da Colony Beach, na cidade de Yarmouth. Os familiares também não quiseram conversar com a imprensa, mas o boletim de ocorrência da polícia local informou que ele estava andando pelo calçadão da praia quando pulou na água. O corpo dele foi encontrado a 200 metros do local.

Neste domingo, o músico e pioneiro na comunidade brasileira em Massachusetts, Edirson Cabeça, foi encontrado morto em seu apartamento. Ele teria se enforcado, segundo alguns amigos mais próximos (veja matéria ao lado).

Os três casos causaram comoção na comunidade, mas também despertaram a atenção para a depressão, uma doença silenciosa que tem feito muitas vítimas entre os brasileiros que moram nos Estados Unidos. Um dos principais fatores é a saudade dos entes queridos que ficaram no Brasil. Depois seguem outros pontos que dão força para o problema, segundo alguns especialistas.

A ativista Lídia Souza, início do ano passou por um problema semelhante quando um membro de sua família tentou se matar. Ela explicou que este problema é mais comum do que as pessoas pensam. “Precisamos ficar alertas e conversar sempre com amigos e familiares que suspeitamos estarem com depressão”, fala.

Lídia explica que para combater a depressão é preciso, primeiro, saber do que se trata e como ela surge. “Isso é fundamental para que em primeiro lugar saibamos o que temos e aí sim ver todas as possibilidades que temos para o tratamento”, explica.

A ativista ressalta que depressão é uma tristeza profunda, a qual é um estado emocional normal em todos os seres humanos. “Pois é através deste sentimento que enxergamos o que venha ser a alegria. Acontece algo desagradável e que muita das vezes não esperávamos. Com isso surge a tristeza, o medo, a culpa e o desespero”, continua.

Ela explica que as emoções são, resumidamente, os motores que buscam restaurar o equilíbrio e a harmonia perdida por instantes, pelo organismo. Depressão é uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite.

Lídia afirma que todos já conviveram com a “depressão” e com outras emoções negativas (medo, raiva, ansiedade, pânico, vergonha, ciúme, etc.), seja por horas, dias, meses ou anos. “A maior parte das pessoas entra e sai da “depressão” e de outras emoções desagradáveis com relativa facilidade, utilizando recursos próprios, quase sempre de maneira automática”, acrescenta.

Atualmente, a depressão é uma doença incapacitante que atinge por volta de 350 milhões de pessoas no mundo. Os quadros variam de intensidade e duração e podem ser classificados em três diferentes graus: leves, moderados e graves.

A ativistas explica que para combater a depressão é preciso que a pessoa tenha um posicionamento positivo, buscando fazer exercícios físicos, terapias ocupacionais, trabalhos manuais, ioga, natação, ouvir música e dançar. “Estas são algumas maneiras de amenizar a depressão sem precisar de medicamentos”, fala.

Já em relação a quem está em estágio avançado, é preciso um acompanhamento com psicólogos e psiquiatras, tendo a necessidade de ingestão de medicamentos.

Lídia explica que, geralmente, as pessoas não dão muita importância a exames de sangue como intuito de checar níveis hormonais e vitamínicos. “A falta da vitamina D no organismo pode acarretar diversas doenças, inclusive a depressão”, acrescenta.

Nos Estados Unidos, especificamente em Massachusetts, existem vários órgãos que trabalham para ajudar pessoas com depressão. Lídia cita o National Suicide Prevention Hot LIne (telefone 1-800-273-8255), Samaritans (1-877 8704673) e o Brockton Multi Services (1-877-670-9957). “Esses são os lugares preparados para ajudar uma pessoa que está pensando em tirar a sua vida”, continua.

Lídia cita ainda o site www.dbsaboston.com, como um dos importantes grupos destinados a ajudar pessoas com transtornos mentais. “O grande problema da enfrentado pela comunidade brasileira é a barreira do idioma. É muito difícil conseguir profissionais que possam falar português em lugares como estes, mas o Consulado-geral do Brasil em Boston tem um psicólogo brasileiro que atende gratuitamente toda as segundas-feiras, por agendamento”, explica.

Lídia acrescenta que um de seus grandes sonhos é criar um grupo, em português, para ajudar pessoas com problemas de depressão.

Em relação aos brasileiros que moram nos EUA, Lídia fala que “o fato de saírem de sua terra, encontrar outra cultura, um clima diferente é tudo diferente e desafiador e por extinto, todos desenvolvemos as emoções já citadas, como medo, ansiedade, desespero, entre outros”. Ela explica que falta de sol é um ponto muito sério também. Outro grande vilão, segundo ela, e que muitos acham “bobeira, é a ingestão de álcool.

Lídia fala que o álcool é um grande depressor e atua diretamente no sistema nervoso central, além do uso de drogas como a maconha, cocaína e outras. “Todos estes pontos acionado em pessoas que já possuem um desequilíbrio químico e com tendência a serem ou se sentires culpadas, gera um quadro depressivo e outros transtornos mentais que se não forem diagnosticado no inicio, acabam trazendo um grande sofrimento”, explica.

Ela deixa como conselho para que a família transborde o seu amor ao paciente, mas sempre tendo o equilíbrio e a firmeza para saber lidar com cada etapa do tratamento. “Pois é necessário um acompanhamento da família, apoio religioso e psicológico em prol do positivismo”, conclui.

Fonte: Da Redação do Brazilian Times