Publicado em 10/04/2015 as 12:00am

Jovem mobiliza comunidade estudantil brasileira nos EUA

Pela tradição de família, Matheus Silva seria pescador. Nascido em Boqueirão, no sertão da Paraíba, ele decidiu que iria estudar fora e seguir outro rumo.

Pela tradição de família, Matheus Silva seria pescador. Nascido em Boqueirão, no sertão da Paraíba, ele decidiu que iria estudar fora e seguir outro rumo. Aprendeu inglês em um curso gratuito, foi admitido em uma universidade nos Estados Unidos e tratou de conseguir uma bolsa.

Hoje, aos 22 anos, cursa economia e engenharia química no WPI (Worcester Polytechnic Institute), localizada na cidade de Worcester (Massachusetts). Mas quem disse que a essência da profissão do pai e o avô não o acompanhou por lá?  Como em uma pesca, assumiu a tarefa de reunir e mobilizar universitários brasileiros que estavam nos EUA, onde criou a BRASA (sigla em inglês para Associação Brasileira de Estudantes).

“Eu vim de uma cidade pequena e fui o primeiro da família a fazer faculdade. Tinha poucas referências de pessoas e organizações que pudessem me ajudar”, lembra Matheus. Pensando nas dificuldades que ele e outros estudantes enfrentaram quando decidiram estudar fora, a BRASA tem uma atuação segmentada em três pilares, oferecendo apoio antes, durante e depois da graduação. A ideia é auxiliar e engajar essa comunidade estudantil em ações de impacto direto no Brasil.

Para os que desejam ingressar em uma universidade norte-americana, a organização mantém um blog chamado Brasinhas, que compartilha relatos de brasileiros sobre a vida universitária no exterior. Além disso, oferecem mentoria gratuita para os alunos que estão com dúvidas no processo de admissão ou em qual universidade estudar. “Colocamos eles em contato com universitários dessas instituições para ajudar”, explica.

Com público universitário que já está nos Estados Unidos, a organização promove eventos e conferências (BRASATech, BrazUSC, BRASA National Conference, BRASA Politics). “Era muito comum que os estudantes brasileiros de Havard não conhecessem os que estudavam no MIT [uma distância relativamente pequena]”, explica. Agora, em dez meses de atuação, eles já contam com uma rede de mais de 800 alunos e estão em 40 universidades diferentes, incluindo nomes como Stanford, Princeton, Northeastern e Yale. Entre os parceiros, recebem apoio da Ambev, BTG Pactual, Heinz, McKinsey&Company e Fundação Estudar.

Na tentativa de encontrar formas mais efetivas para que esses estudantes pudessem colaborar com o país, a BRASA ajuda eles na tarefa de encontrar empregos de férias no Brasil, os famosos “summer jobs”. Os estudantes enviam os seus currículos e a organização faz a mediação com empresas que estão recrutando. Eles também participam de programas de voluntariado, em parceria com a BrazilFoundation, e buscam promover projetos de pesquisa e conexão entre universidades brasileiras e americanas. As oportunidades costumam ser divulgadas por diversos canais, como e-mail, Facebook ou Twitter.

No futuro a BRASA planeja expandir a sua atuação para mestrado, MBA e PhD. “Nosso objetivo em longo prazo, em cinco ou seis anos, é se tornar a maior organização estudantil brasileira no exterior”, define Matheus. (fonte: Porvir)

Legenda

Estudantes membros da BRASA

Fonte: Da Redação