Publicado em 17/04/2015 as 12:00am

Aumento explosivo do dólar faz brasileiros alterarem os planos

A disparada do dólar tem assustado muitos brasileiros que vivem aqui nos EUA com dinheiro vindo do Brasil, ou seja, se mantêm aqui com o câmbio do Real.

A disparada do dólar tem assustado muitos brasileiros que vivem aqui nos EUA com dinheiro vindo do Brasil, ou seja, se mantêm aqui com o câmbio do Real. Desde o começo deste ano a moeda americana já subiu mais de 13% e atingiu as maiores cotações dos últimos 11 anos.

O instável cenário político brasileiro tem afetado a economia no Brasil e economistas preveem que 2015 não será um ano de crescimento econômico por lá. Se a alta dos juros nos Estados Unidos, prevista para este ano, realmente acontecer, tudo indica que o dólar permanecerá alto em vista do Real.

Essa crise, sem precedentes, que o Brasil enfrenta hoje, tanto política quanto de credibilidade e confiança, afeta a vida de muitos brasileiros que estão por aqui e os que planejavam passar uma temporada em terras americanas, como é o caso de Deborah de Brino. Em 2014 ela fez uma viagem à Dublin de algumas semanas, passou por NYC apenas por algumas horas durante sua conexão aqui, e tinha planos para voltar e ficar um tempo para aperfeiçoar o inglês. “Em fevereiro fui desligada da empresa que trabalhava. Por um instante pensei que pudesse ser a hora de realizar meu sonho e fazer o curso de idioma no exterior. Porém, ao receber o orçamento e fazendo a conversão dos Reais em Dolár vi que este sonho não seria possível. Então, estou buscando uma nova recolocação no mercado de trabalho brasileiro, porém a situação econômica no Brasil não está favorável, mas tenho que tentar voltar ao mercado de trabalho”, desabafa decepcionada.

Já Karine Silva se viu frente à uma volta inesperada para o Brasil. “Vim para os EUA em janeiro de 2013, naquela época o dólar não chegava aos R$ 2,00. A previsão era estudar por quatro meses e retornar, porém percebi que para ter um inglês fluente necessitaria de mais tempo. Planejei voltar para o Brasil em novembro deste ano, porém tudo mudou com essa disparada do dólar”.

No início de abril Karine, aqui nos EUA e sua família (lá no Brasil), fizeram as contas e perceberam que não seria possível permanecer por mais tempo, e foi às pressas que ela arrumou as malas e partiu em 14 de abril em meio a uma variedade de sentimentos. “Bom, não saberia ao certo dizer o que senti, foram sentimentos todos juntos, de alegria por voltar para a família, meu País, minha casa, meus amigos, mas ao mesmo tempo uma saudade uma tristeza por ter que deixar NYC antes do previsto, pois tinha planos de ficar até novembro de 2015, como o dólar ficou alto demais e eu não consegui um emprego fixo, a melhor opção que tinha era voltar para casa. Mas eu sinto que voltarei para NY, mas preciso me reestabelecer colocar as ideias no lugar”.

Quem está longe de casa há muito tempo sabe a importância da visita dos familiares e amigos e Camila Pereira teve de se conformar com a prorrogação da viagem de seus pais. “Eu mudei de apartamento desde a vez mais recente que eles estiveram aqui, queriam ver minha nova morada, curtir um pouco NYC, já que estou aqui há nove anos e eles só vieram uma vez. Porém agora não será possível”.

Para Flávia Val a decepção é grande, já que aguardava a família para um momento importante de sua vida. “Eu me formo agora em Junho no meu MBA e gostaria muito que meus familiares viessem para a cerimônia, mas com o dólar assim tão caro ficou praticamente impossível tirar férias. Meu pai estava tentando vir com minha madrasta e meu irmão, mas quando eles iam comprar a passagem o dólar chegou a quase 3.50 e recebendo em reais para eles ficou bem difícil. Meu tio já comprou a passagem dele, mas ele que vem com frequência (a cada dois anos mais ou menos) passar duas semanas aqui de férias, esse ano teve que cortar a estadia pela metade e vai ficar somente para a semana da formatura mesmo. No fim sobrou para mim (risos). Já que recebo em dólar, acabou que reorganizamos as férias, e quem vai até a montanha sou eu. Em outubro vou ao Brasil para a comemoração do meu aniversário. Acho que todos saíram afetados com essa alta do dólar lá no Brasil. Meu pai desistiu de vir, pois além da passagem, tem as despesas... imagina, sair para comemorar minha formatura e gastar cerca de R$30 em uma cerveja? Um jantar em família sairia uma fortuna. Melhor que eu vá e comemoramos todos juntos por lá”, finaliza.

Diversos brasileiros têm arrumado as malas às pressas para partir para o Brasil e outros, neste momento, nem sonham em tocar nelas com destino aos EUA.

De acordo com dados do Departamento de Comércio dos EUA, o Brasil está em terceiro lugar no ranking dos países que mais enviam brasileiros para as terras americanas. Com o dólar permanecendo na casa dos R$ 3,00 os planos serão outros.

Fonte: Da Redação