Publicado em 13/05/2015 as 12:00am

Greve paralisa atendimentos no consulado de Boston

Ontem, 9 funcionários participaram da manifestação, que pede repasse do auxílio moradia, reajuste salarial e regras para plantões

Brasileiros que moram na região de Boston vão ter de esperar pelo menos até esta quinta-feira, dia 14, para terem regularizados os atendimentos no Consulado Geral do Brasil em Boston (MA). Isso porque 9 funcionários do órgão aderiram à paralisação que começou ontem, aprovada em assembleia pelo Sinditamaraty (Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores). Servidores de embaixadas brasileiras em outros países também aderiram ao movimento e agora aguardam o resultado de uma reunião marcada para hoje.

Os funcionários têm uma extensa pauta de reivindicações, mas as principais são o repasse sem atraso do auxílio moradia, a concessão de passaportes diplomáticos a assistentes de chancelaria, o reajuste de subsídios, além de regras claras para os plantões consulares e diplomáticos.

Servidores explicam motivos da greve


O Brazilian Times entrevistou servidores do Consulado Geral do Brasil em Boston (MA) para saber os motivos pelos quais aderiram à greve e todos endossam as reivindicações apoiadas pelo Sinditamaraty.

Segundo a vice-consul e oficial de chancelaria Ligia Paixão, que está nos Estados Unidos há 2 anos, é lamentável que se tenha chegado a este ponto, com os atrasos e a defasagem salarial. “A situação do servidor aqui nos EUA é complicada porque há muitos gastos, o sistema de aluguel exige depósito adiantado e muitos têm procurado empréstimos para conseguir se manter, principalmente por causa do atraso nos repasses do auxílio-moradia”, diz Lígia.

De acordo com ela, todos os dias são atendidas no Consulado em Boston, no geral, uma média de 200 pessoas, incluindo os agendamentos e a prestação de informações via email e telefone. Trata-se de um suporte muito importante e essencial para a comunidade brasileira.


Boas expectativas

Thiago Rodrigues, vice-consul e oficial de chancelaria, que está nos EUA desde julho de 2012, avalia que a paralisação de ontem ocorreu dentro das expectativas e tem saldo positivo. “Acreditamos que o movimento sensibilizou e terá impacto nas negociações”. Ele ressaltou que os atendimentos emergenciais e essenciais estão sendo mantidos normalmente, sem prejudicar as pessoas que precisam dos serviços do consulado.

Rodrigues diz que tem recebido emails e fotos em redes sociais, vindas de outras embaixadas, mostrando que a paralisação também está ocorrendo em várias partes do mundo na Europa e na Ásia. “Cada país tem sua realidade e precisamos ter a devida valorização, pois os ganhos estão defasados e não temos histórico de crédito e outras facilidades”, acrescenta.

Já o diplomata cônsul adjunto Breno Herman, que não aderiu à paralisação, disse que vê com naturalidade o movimento. “Mantivemos os serviços essenciais e nossos servidores locais trabalharam normalmente”, disse.


A expectativa do Sinditamaraty é que haja um acordo entre a categoria e os ministérios das Relações Exteriores e do Planejamento. A situação tem se agravado pelos cortes orçamentários feitos pelo governo brasileiro, o que fez com que o auxílio para moradia passasse a atrasar até três meses.

Ontem de manhã, os servidores brasileiros que atuam no consulado em Boston fizeram uma manifestação na frente do órgão, exibindo cartazes com frases como “Dê valor ao serviço exterior” e “Greve em Boston”. Eles também aproveitaram para dar explicações sobre o movimento a todos os brasileiros que foram ao consulado para serem atendidos. Os atos demoraram cerca de 3 horas. Na ocasião, a embaixadora Glivânia Maria de Oliveira falou com os grevistas e deu uma posição sobre o que estava sendo discutido no Brasil.

Pela lei, pelo menos 30% dos serviços devem ser oferecidos em caso de greve, o que está ocorrendo em Boston. Segundo informações do consulado, cerca de 22 servidores locais estão dando expediente normalmente.

A empresária Bianca Keite, de Rockland (MA) que mora há 10 anos em Boston, é uma das que foi ao consulado ontem para fazer uma procuração, mas se deparou com a greve. “Fui atendida normalmente, mas eles explicaram os motivos da greve, embora muitas pessoas que estavam lá estavam impacientes, se recusando a compreender os fatos”, contou.

Fonte: Da Redação do Brazilian Times | Reportagem de Fabiano Ferreira