Publicado em 15/05/2015 as 12:00am

Em Revere, Advogado é acusado de prejudicar imigrantes

A Comissão de Massachusetts contra a Discriminação ordenou que um advogado de Revere (MA) pague a quantia de US$233,600 por discriminar 17 proprietários de imóveis de origem latina.

A Comissão de Massachusetts contra a Discriminação ordenou que um advogado de Revere (MA) pague a quantia de US$233,600 por discriminar 17 proprietários de imóveis de origem latina.

David Zak nega as acusações, mas segundo as informações, ele foi alvo de denúncias provenientes de outros 65 clientes que protocolaram as reclamações junto à Procuradora-geral Maura Healey. O profissional teria propagando o medo e a incerteza afirmando que o colapso da bolha imobiliária entre os latinos deixariam muitas pessoas no prejuízo e perderiam os seus imóveis.

A comissária Sunila Thomas-George disse em um comunicado que “a conduta do advogado é desprezível” e quando os tempos de crise surgem, as famílias trabalhadoras lutam para pagar as suas hipotecas. “A última coisa que precisam é ter um advogado explorador tentando extorquir milhares de dólares, devido a deficiência em fala inglês por parte dos latinos”, disse ela.

Ela acrescenta que a multa de US$233,600 deve servir como um aviso para quem pretende entrar no mundo da exploração e querer se aproveitar de pessoas menos esclarecidas.

Em um anúncio divulgado em programas de rádio em espanhol e português, Zak prometeu reduzir pela metade os valores das hipotecas, alegando que ele tinha uma “fórmula secreta” e “números mágicos” desconhecidos pelos outros profissionais da área. Desta forma, ele afirmava que tinha meios para modificar os valores dos empréstimos.

A Procuradoria informou, ainda, Zak cobrava altas taxas dos seus clientes latinos, e em alguns casos o dobro do que é cobrado por escritórios que atuam no mesmo ramo. Ele encorajava os latinos a deixar a hipoteca atrasar de forma intencional, não conseguiu traduzir adequadamente alguns documentos, deturpou o andamento de casos para alguns clientes e não conseguiu cumprir com o compromisso que era modificar o valor das hipotecas.

Quando os clientes procuravam por respostas, ele os ameaçava, intimidava e agia com um comportamento humilhante. Marlon Hernandez, 39 anos, pai de três crianças, que trabalha em dois empregos para sustentar a família, disse que atrasou o pagamento de suas hipotecas em 2009 e pagou Zak o valor de US$5,600 para negociar com o seu banco.

Segundo ele, “depois de um ano, o escritório do advogado enviou uma carta dizendo que o seu trabalho foi basicamente concluído". O imigrante de El Salvador disse que exigiu uma reunião com Zak e disse “que pagou um valor alto e não achava que o trabalho estava feito”. Agora, o trabalhador espera que o banco tome o seu imóvel, em Malden, a qualquer momento.

Em sua defesa, o advogado disse que ajudou centenas de clientes de língua espanhola a salvar as suas casas através de modificações de empréstimos bem sucedidos. Ele afirma que nunca discriminou nenhuma pessoa. "Houve mal-entendidos que surgiram com um pequeno grupo de clientes, e isso foi deturpados e erroneamente rotulados de discriminação", alega.

O Brazilian Times não conseguiu encontrar algum brasileiro que foi cliente de Zak, mas acredita-se que possa haver um grande número. Isso porque ele anunciava em vários programas de rádio de língua portuguesa.

Fonte: Da Redação