Publicado em 17/06/2015 as 12:00am

FLORIDA: Funcionários do BB reclamam de baixos salários

Os bancários do Banco do Brasil na Flórida (EUA) vivem uma realidade muito diferente da do Brasil. O diretor do Sindicato João Fukunaga se reuniu com representantes da CWA ? Communications Works of America, organização integrada por sindicatos da área de

Da redação

     Os bancários do Banco do Brasil na Flórida (EUA) vivem uma realidade muito diferente da do Brasil. O diretor do Sindicato João Fukunaga se reuniu com representantes da CWA – Communications Works of America, organização integrada por sindicatos da área de comunicação (call-centers, telecomunicação, mídia, entre outros), para discutir a situação dos brasileiros do BB no país. Os problemas serão discutidos durante o congresso nacional dos funcionários, que irá ocorrer de 12 a 14 de junho.

     Em Orlando o banco possui o BB Americas, um departamento (Server Center) com cerca de 98 trabalhadores e uma agência. Desses 98 trabalhadores alguns são brasileiros com contrato de trabalho diferenciado garantido pela legislação local, o que caracteriza uma prática antissindical. Além disso, eles enfrentam assédio moral por parte dos gestores, com cobranças constantes para cumprimento de metas abusivas.

     Além de Orlando, o dirigente visitou duas agências na cidade de Boca Raton e uma em Pompano Beach. E aponta que o BB possui uma perspectiva de expansão grande no país, planejando para esse ano mais quatro novas agências na Flórida.

     Sem direitos – “Muito do modelo aplicado aqui com os trabalhadores bancários se assemelham aos primórdios das relações de trabalho que existiam no Brasil. Ao contrário dos concursados do BB no Brasil, estes possuem poucos direitos, com uma legislação que tende a beneficiar o patrão. Muitos têm medo de se reunir com membros do CWA por conta de possíveis retaliações. O ganho salarial é baixo, chegando a US$ 25 mil por ano, muito abaixo dos padrões dos EUA, onde a linha de pobreza é de quem ganha até US$ 23 mil por ano.”

     Segundo João, os funcionários não possuem piso, nem salários estabelecidos para cada função e não recebem reajuste salarial anual. Além disso, os benefícios oferecidos pela empresa são muito próximos de zero. “Aqui eles possuem somente duas semanas de férias, não têm auxílio-refeição e nem alimentação, além de contar com apenas meia hora para almoço. Não possuem ainda abono, PLR, 13° salário, FGTS e nem adicional de férias.”

     As bancárias estão em situação pior ainda: “Elas possuem apenas seis semanas de licença-maternidade, enquanto as bancárias brasileiras têm direito a seis meses. E para completar não têm redução de jornada para amamentar o filho nos primeiros meses de vida. Por isso, muitas são obrigadas a deixar o emprego depois que engravidam para poder cuidar do filho.”

     Tudo isso, diz o dirigente, contribui para o estado de desmotivação geral em que se encontram os funcionários da BB Americas. “Eles estão adoecendo. Foram muitos os relatos de doenças por parte dos colegas e, na sua maioria, de origem psicossomática”, conta o dirigente.

     Acordo de neutralidade – João informa ainda que, como não existe uma legislação favorável, a CWA está à procura de um Acordo de Neutralidade para permitir que o Sindicato tenha contato com os trabalhadores e possa associá-los, sem ação retaliadora por parte do banco. O acordo foi apresentado ao BB no Brasil, mas não avançou ainda.

     O movimento sindical, por meio da Comissão de Empresa dos Funcionários, pretende pressionar o BB a aceitar o acordo. “Não chega a ser muito significativo em termos quantitativos de bancários, mas como instrumento modelo seria fundamental para pressionar os quatro maiores bancos americanos: Citi, Bank of America, Wells Fargo, Hase.”

Fonte: Brazilian Times